Estudo da Fiesc revela que, sem recursos, duplicação da BR-470 não terá prazo de conclusão

Engenheiro Ricardo Saporiti mostrou resultado de estudos sobre o andamento das obras entre Navegantes a Indaial nesta quarta-feira (22)

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Redação ND Blumenau

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Em reunião no Centro Empresarial de Blumenau, na tarde desta quarta-feira (22), representantes da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), conheceram os resultados de um estudo feito a pedido da entidade sobre o andamento das obras de duplicação da BR-470 de Navegantes a Indaial, no Vale do Itajaí.

Reunião com empresários e lideranças políticas movimentou auditório do Centro Empresarial de Blumenau nesta quarta-feira (22) – Foto: Imagens cedidas/Dâmi Radin/Fiesc/Divulgação/NDReunião com empresários e lideranças políticas movimentou auditório do Centro Empresarial de Blumenau nesta quarta-feira (22) – Foto: Imagens cedidas/Dâmi Radin/Fiesc/Divulgação/ND

No encontro, o presidente da Federação, Mario Cezar de Aguiar, salientou que a destinação de emendas parlamentares para a execução de obras nas rodovias federais catarinenses poderia dar celeridade aos projetos em andamento.

“Para mudar a realidade dos principais eixos logísticos do estado, seria importante que a bancada catarinense priorizasse emendas para a conclusão das obras atrasadas, dentre as quais as da BR-470 estão entre as mais críticas”, afirma o presidente.

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De acordo com a Fiesc, uma alternativa diante da falta de recursos da União que garantam a conclusão das obras seria a alocação de emendas parlamentares. Os trabalhos de duplicação da BR-470 estão em andamento há mais de 10 anos.

Dados do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) mostram que são necessários R$ 458,6 milhões para a conclusão dos quatro lotes da rodovia analisados pela Federação. Na reunião da Fiesc, foram discutidos os valores incluídos na LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2023, que destina R$ 537,5 milhões para executar obras rodoviárias em todo o estado de Santa Catarina.

Deste valor, R$ 234,8 milhões são previstos para a manutenção de estradas e R$ 249,3 milhões para a construção e adequação, além de R$ 53,4 milhões para ferrovias. Ainda há um saldo de restos a pagar de anos anteriores no valor de R$ 342,5 milhões.

Somando os valores previstos e os restos a pagar, o estado teria um orçamento de R$ 880 milhões neste ano. Contudo, o levantamento da Fiesc aponta um histórico de que o orçamento não seria executado em sua totalidade.

Trabalhos ainda a serem executados

Levantamento da Fiesc aponta que, se não houver recursos, duplicação da BR-470 não terá prazo de entrega – Foto: Arquivo/Fiesc/Divulgação/NDLevantamento da Fiesc aponta que, se não houver recursos, duplicação da BR-470 não terá prazo de entrega – Foto: Arquivo/Fiesc/Divulgação/ND

Estimativas do Dnit, discutidas no encontro, apontam que as obras e os serviços remanescentes do Lote 1, entre Navegantes e Ilhota, acrescidos a restaurações e melhorias da pista existente, equivalem a aproximadamente 21% do contrato inicial. O montante, em preços atuais, pode chegar aos R$ 76,5 milhões.

No segundo lote, entre Ilhota e Gaspar, ainda seriam necessários R$ 52,6 milhões para a conclusão; no terceiro lote, que chega a Blumenau, o montante já alcançaria cerca de R$ 155,5 milhões; por fim, no quarto lote, a soma de recursos ainda necessários para a conclusão das obras chega a R$ 174 milhões.

Ainda no encontro, o secretário-executivo da Câmara de Transporte e Logística da Fiesc, Egídio Antônio Martorano, lembrou que o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental da duplicação da BR-470 foi feito em 2008, planejamento entregue em 2009 e o projeto em 2010, com previsão de finalização em 2026.

“Mas 2026 é amanhã e talvez não tenhamos nem a duplicação pronta. Isso porque ainda não estamos contando a demanda reprimida”, alertou, lembrando que a falta de uma logística adequada tem sido um empecilho para novos investimentos.