Pacientes de Florianópolis que precisam do atendimento no Caps II (Centro de Atenção Psicossocial), antes localizado no bairro Agronômica, precisam agora se deslocar até o Estreito, na região continental, para conseguirem uma consulta.
A situação acontece desde fevereiro, quando o prédio que abrigava a instituição foi fechado para uma reforma depois de uma ação do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), que apontou sérios problemas na unidade.
Nove meses depois, a prefeitura permanece arcando com um aluguel de R$ 8,4 mil ao mês, sem nenhum sinal de melhoria na antiga estrutura.
Seguir
Caps II, no bairro Agronômica, foi transferido e prédio está ocioso – Foto: Anderson Coelho/NDMoradora do bairro Santinho, no Norte da Ilha, e paciente da unidade há 7 anos, Carla de Oliveira percorre um caminho de quase 40 quilômetros, pelo menos duas vezes por semana, para conseguir atendimento. Cansada da rotina, ela espera que o problema se resolva.
“Eu levo pelo menos duas horas para ir. É cansativo, mas não sou eu quem mais sofre. Tem pessoas que possuem síndrome do pânico e não conseguem passar a ponte. Elas não estão fazendo tratamento”, contou Carla.
Caps da Agronômica fechado há nove meses não tem previsão ter reforma iniciada – Foto: Cristina de Oliveira/Arquivo Pessoal/NDEsse é o caso de Pedrinha Mendes de Souza, de 55 anos. Com crises de pânico recorrentes, ela não consegue ir muito longe de casa, em Canasvieiras, e sem a ausência do tratamento, a depressão aumenta.
“É muito longe para eu ir até lá e eu tenho pavor de andar de ônibus, pois tive um acidente. A gente precisa de volta nosso Caps”, pediu.
Leia também:
- Estado terá que criar sete leitos de UTI neonatal em São Miguel do Oeste
- Plano de Saúde é obrigado a cobrir mastectomia e reconstrução de mamas, diz Justiça
Prédio em más condições
Apesar da expectativa dos pacientes, ainda não há previsão para que a estrutura retorne ao local de origem. Isso porque o prédio antigo pertence ao governo do Estado e foi cedido para o Município por meio de um contrato há mais de 20 anos.
Porém, o empréstimo foi encerrado ainda em 2015, mas a administração municipal só descobriu o imbróglio quando realizou a mudança da unidade para o Continente.
Além disso, a alteração do local só ocorreu após um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) feito entre Ministério Público e prefeitura. A ação foi firmada como conclusão de inquérito que apurou a necessidade de reformas urgentes no imóvel.
Em uma vistoria em fevereiro, o MP verificou más condições de manutenção, infiltrações, vazamentos, infestação de mofo, fungo e inundações. Segundo Carla, “o telhado praticamente não existe mais”.
À época, o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (Sem Partido), se comprometeu em fazer e finalizar a reforma estrutural na sede em 18 meses. O prazo se encerra em agosto de 2020.
MP verificou más condições de manutenção, infiltrações, vazamentos, infestação de mofo, fungo e inundações – Foto: Arquivo Pessoal/Cristina de Oliveira/NDDe acordo com a Secretaria de Administração do Estado, o parecer jurídico favorável para a cessão do espaço já foi finalizado. O documento segue agora para “consultoria legislativa da Casa Civil e, posteriormente, será encaminhado para votação na Assembleia”.
O Caps
Destinado a pessoas com transtorno mental, o Caps II atende cerca de 3 mil pacientes por mês. Além de medicamentos e atendimento de psicoterapia, quem recebe atendimento também faz oficinas para enfrentar a rotina do dia a dia.
Na cidade, além do Caps II, outras três unidades trabalham no atendimento referente à saúde mental da população.
Há um centro específico para crianças e adolescentes, na Agronômica, e outros dois para pessoas com problemas relacionados a álcool e drogas, um no Jardim Atlântico e outro no Pantanal.
Confira na íntegra a nota enviada pelo governo do Estado:
“Sobre o processo de renovação da cessão para a prefeitura de Florianópolis, do espaço que era usado para atendimento de pessoas em situação de dependência química, a secretaria de Estado da Administração informa que o processo está finalizado, com parecer jurídico favorável. Segue para análise da consultoria legislativa da Casa Civil e posteriormente será encaminhado para votação na Assembleia”.