Para o governador Jorginho Mello (PL), as pontes Pedro Ivo e Colombo Salles, que ligam a Ilha ao Continente, estão em perfeitas condições.
Ponte Colombo Machado Salles (saída da Ilha) e Pedro Ivo (entrada) – Foto: Leo Munhoz/NDPara o Secretário de Estado da Infraestrutura, Jerry Comper, a população pode ficar tranquila e as pontes jamais serão interditadas.
O promotor de Justiça Daniel Paladino, entretanto, discorda dos dois e está preocupado com as estruturas.
SeguirDesde 2017 ele vem chamando a atenção para elas. Além disso, um relatório produzido por uma empresa de engenharia, em dezembro de 2022, aponta que as pontes têm, sim, problemas estruturais, em especial nos blocos de sustentação, que apresentam corrosão e placas soltando do concreto na parte inferior.
Segundo Jorginho, as informações dos engenheiros do governo é que a reforma que precisava ser feita nos pilares já ocorreu e a aparência feia das pontes não tem absolutamente nada a ver com perigo.
“As pontes estão em perfeitas condições. Estamos cuidando com responsabilidade, fazendo manutenção, reparo. Sempre precisa fazer reparo. Quem tem conhecimento técnico é o pessoal de engenharia. Eu não conheço e sempre me informo com eles. Está tudo certo. O Ministério Público, a função dele é espetar, cobrar, mas o bom é que o Ministério Público pudesse ajudar a gente”, disse o governador.
Para os engenheiros e o MP, pontes precisam de reforma com urgência – Foto: Leo Munhoz/NDConforme o secretário de infraestrutura, as pontes não serão interditadas porque existe uma parceria com o Ministério Público para um trabalho conjunto.
“Montamos, dentro da secretaria, junto com ministério público, Casan e secretaria de infraestrutura para dar celeridade. e estamos tomando todos os cuidados para dar resposta”, disse Comper.
“Nos baseamos no trabalho de engenheiros”, diz promotor
Procurado pelo ND, o promotor Daniel Paladino, titular da 30ª promotoria de Justiça da Capital disse também não entende de engenharia, mas que se baseia nos relatórios de engenheiros.
“Não há o que contestar, o laudo foi firmado por engenheiros a questão da interdição é uma possibilidade, sim, uma interdição parcial, se nada for feito”, declarou o promotor. O Ministério Público apresentou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) ao governo do Estado, fixando prazos para as reformas, mas o documento ainda não foi assinado.
“Se não assinarem, não começarem essas obras e a situação ficar do jeito que está, a interdição é uma possibilidade a ser considerada. Quem leu o relatório, mesmo sendo leigo, vai verificar que existem problemas seríssimos. As pontes não estão seguras”.
Para Paladino, as obras realizadas no final de 2019 e início de 2020 não garantiram a segurança.
“O relatório era muito enfático sobre isso. Diz que os os blocos que não sofreram intervenção precisam de intervenção urgente. Aquele trabalho foi só em cinco blocos e temos mais de dez blocos que não foram trabalhados e precisam de intervenção urgente”, declarou o promotor.
O TAC foi apresentado dia 12 ao governo e contém três prazos: 180 dias para reforma total das duas pontes e para recuperação da passarela da ponte Pedro Ivo; 30 dias para remover as placas de concreto que estavam se desprendendo da ponte Colombo Salles e 90 dias para instalação de guaritas nas cabeceiras da Ponte Hercílio Luz para evitar o furto de fios.
Os prazos, entretanto, começam a contar a partir do momento que o documento for assinado. O prazo para assinatura acabaria na sexta-feira (21), mas o governo pediu mais dez dias e o promotor concedeu. Ele espera, agora, que a assinatura ocorra dentro do novo prazo ou que o governo sinalize porque não vai assinar.
Além disso, Paladino e o secretário Comper se encontram na próxima semana para tratar a situação das pontes e do próprio TAC. Segundo ele, caso o governo não assine, ele define qual medida judicial vai adotar. “Não dá mais para esperar. Isso está no relatório. Não sou eu quem está dizendo”, enfatizou o promotor.
Paladino disse que o problema das pontes não começou no atual governo e que há mais de três décadas, elas não recebem manutenção.
“Não posso apontar qual governo é omais responsável. O fato é que está demorando. O laudo é de dezembro, fizemos vistoria em abril nas pontes, já tivemos três reuniões com a secretaria da infraestrutura e até agora não tem nada, nenhum edital de licitação aberto, então, não vimos nenhum movimento efetivo de dezembro pra cá”, criticou o promotor.
Depois das reformas, Paladino vai cobrar que as pontes tenham contratos perenes de manutenção e com empresas idôneas.
Entenda o caso:
- Desde 2017, o promotor Daniel Paladino cobra melhorias nas pontes Pedro Ivo e Colombo Salles.
- Entre 2019 e 2020, foram realizadas obras pouco satisfatórias
- Em abril de 2023, uma placa de concreto descolou da Colombo Salles
- Em maio, a promotoria chamou a primeira vistoria nas pontes para avaliar a situação
- Em julho, chega às mãos da promotoria um laudo de dezembro de 2022, constatando os problemas nas pontes.