A Grande Florianópolis não é formada só de grandes e populosos centros urbanos como São José, Palhoça e a própria Capital. Dos 21 municípios que compõem a região, boa parte ainda conta com uma grande porcentagem da população em áreas rurais – o que ajuda a explicar o fato de 15 cidades da Grande Florianópolis não possuírem rede coletora de esgoto.
No total, são 703.250 pessoas sem o serviço no Estado. O perfil da região, em sua maioria, é de comunidades pequenas. São 11 municípios com até 10 mil moradores.
Rede coletora de esgoto é inexistente em 15 das 21 cidades da Grande Florianópolis Arte: Leandro Maciel/NDEm nove deles, a população rural é até maior que a urbana. Cidades neste perfil têm como “regra” o uso de fossas na maioria das residências, já que, segundo a administração de várias prefeituras e profissionais da área, é muito mais difícil e caro instalar redes de coleta em locais mais afastados.
Capital tem maior índice da região, mas corre atrás de melhorias
Florianópolis possui um índice de cobertura de esgoto de 65,7%. A cidade referência em turismo tem o menor índice de saneamento entre as capitais da região Sul e do Sudeste brasileiro.
O aumento populacional em temporada é levado em consideração no planejamento de ampliação da rede. “Quando se elabora um projeto de esgotamento sanitário, além da população fixa, o projetista leva em consideração a população flutuante. Como por exemplo a ETE Compacta de Canasvieiras, que é utilizada na temporada de verão”, diz o diretor de operações e expansão da Companhia, Pedro Joel Hostmann.
Conforme a Casan, a ideia é ampliar essa estratégia nas zonas balneárias para conseguir lidar com a elevação da demanda no verão, enquanto instala rede coletora – com o objetivo de atingir 90% de esgotamento sanitário até 2033.
Segundo a Casan, já há um cronograma de obras para atingir este percentual: a perspectiva é que se cumpra entre 2025 e 2026.Na capital, atualmente as regiões do Continente, do Centro, Trindade e Agronômica têm a melhor cobertura na Capital, enquanto o Sul da Ilha tem a situação mais complicada.
Segundo informações da Casan, a solução para a região ainda depende da aprovação do Plano Municipal de Saneamento na Câmara de Vereadores, que está pendente desde 2016.
Quarta maior cidade da região tem 0% de coleta de esgoto
Dentro deste cenário, Biguaçu, cidade com mais de 70 mil habitantes e colada nos maiores municípios da região, chama a atenção. Por lá, segundo os dados do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), 0% da população é atendida com o serviço – ou seja, o município não conseguiu iniciar a instalação da rede de esgoto.
As tentativas de instalação esbarraram na burocracia. O vice-prefeito do município, Alexandre Martins de Souza (Podemos), afirma que há expectativa para que se retome obras de implantação que ficaram paradas.
Ele explica que o projeto já havia sido iniciado há alguns anos pela antiga administração, mas foi paralisado por conta de uma ação judicial, movida por um condomínio, que questionava a construção da Estação de Tratamento de Efluentes.
“Desde que assumimos a gestão da cidade, em janeiro de 2021, nos reunimos diversas vezes com a Casan, empresa responsável pelo contrato com a empresa que executava a obra, a fim de continuar esse processo de implantação”, garante Alexandre Martins.
Mais de 50 mil pessoas não têm água encanada
De acordo com dados informados ao SNIS, o número de pessoas sem abastecimento de água na região da Grande Florianópolis é de 50.897. Elas estão, em maior parte, concentradas em áreas rurais.
O município com o menor índice de abastecimento de água é Angelina, onde apenas 23,2% dos moradores recebem o serviço. Dos 4.743 mil habitantes, 1.089 pessoas têm água na torneira.
Segundo a Casan, companhia responsável pelo abastecimento de água, os moradores que não têm o serviço utilizam poços artesianos.
“Por isso, muitos não têm interesse de passar para o sistema da Casan, como é o caso de Angelina, onde há vários bairros que administram sua própria fonte de abastecimento. A Casan nos últimos tempos tem ampliado seu sistema para algumas comunidades, mas, há necessidade de que os clientes tenham interesse”, diz a nota da companhia.
Palhoça tem mais de 11 mil moradores sem abastecimento em área urbana
No espaço que não é rural também há falta de atendimento de água. Palhoça concentra a maioria dos moradores urbanos da região que não contam com água encanada. São 11.663 pessoas sem o serviço.
De acordo com a SAMAE (Secretaria Executiva de Saneamento de Palhoça), o problema está nas regiões mais isoladas.
“O Centro se desenvolveu mais, enquanto nos balneários se estabeleceu um sistema diferente, por meio de ponteiras de água”, explica a prefeitura.
Em 2020, foi inaugurado o sistema Pinheira para a ampliação da captação da rede que promete garantir o abastecimento para o resto da população.
Palhoça tem mais de 11 mil moradores sem abastecimento em área urbana – Foto: CBMSC/Divulgação/ND