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Mais de 79% das obras do Contorno Viário já foram concluídas

Cerca de 37 dos 50 km da rodovia já foram pavimentados; conheça abaixo as curiosidades, tecnologias e desafios da maior obra rodoviária de infraestrutura do país

CONTEÚDO ESPECIAL, BRANDED STUDIO ND Florianópolis

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Quando ficar pronto, o Contorno Viário vai desafogar o trânsito no trecho principal da BR-101 que dá acesso à capital – Foto: Arteris Litoral Sul/DivulgaçãoQuando ficar pronto, o Contorno Viário vai desafogar o trânsito no trecho principal da BR-101 que dá acesso à capital – Foto: Arteris Litoral Sul/Divulgação

As obras do Contorno Viário da Grande Florianópolis, maior obra rodoviária de infraestrutura em andamento hoje no país, já foram 79,5% concluídas, tanto em relação aos trabalhos realizados a céu aberto, como na escavação e conclusão dos oito túneis (quatro duplos) previstos para a região.

De acordo com a Arteris Litoral Sul, concessionária responsável pelo Contorno, as equipes técnicas operam hoje, simultaneamente, nos 50 km da rodovia e mais de 37 km já está pavimentado.

Há ainda serviços para a construção dos trevos de intersecção em andamento, tanto do Norte quanto do Sul.  Em toda a extensão da futura rodovia, são realizados serviços de drenagem, terraplanagem, construção de obras de arte especiais, como pontes, viadutos e trevos, além dos trabalhos nos quatro túneis duplos que fazem parte da proposta. Atualmente, mais de 2.500 trabalhadores atuam nos serviços e mais de 500 equipamentos pesados estão em operação.

No túnel 4, as obras civis foram concluídas. Os túneis 1 e 3 já registraram o encontro das frentes de trabalho nas duas pistas, e o túnel 2 está em fase de escavações subterrâneas.

O avanço das obras já reduz a interferência dos serviços nas comunidades no momento, ressalta Tiago Tibiriçá, gerente de Operações do Contorno Viário. “O projeto atravessa diversas comunidades, ao todo, foram mais de mil e cem áreas desapropriadas para o traçado do contorno. Nós atravessamos em nível com várias vias municipais, Biguaçu, São José e Palhoça e o projeto prevê um deslocamento dessas vias. Há diversas obras em andamento, muitas concluídas, que fazem esse remanejamento das vias municipais, por cima, por meio de um viaduto; e por baixo por meio de uma passagem inferior. À medida que essas obras vão sendo concluídas, reduzem ou eliminam nossa interferência com a comunidade local”, explica.

Ao todo, segundo a empresa, o projeto prevê 20 passagens e seis pontes para essa travessia das comunidades.

Quando ficar pronto, o Contorno Viário vai desafogar o trânsito no trecho principal da BR-101 que dá acesso à capital. Quando entregue, será possível fazer a travessia pelo Contorno em cerca de 38 minutos, gerando aos motoristas um ganho médio de 1h22 no tempo de viagem em horário de pico.

A obra vai cruzar Biguaçu, São José e Palhoça – Foto: Arteris Litoral Sul/DivulgaçãoA obra vai cruzar Biguaçu, São José e Palhoça – Foto: Arteris Litoral Sul/Divulgação

Desafios para a conclusão da obra

Todo esse avanço nas obras do Contorno ocorreu em meio a muitas adversidades e superando grandes dificuldades acarretadas pelas características naturais, históricas, pelas condições climáticas adversas e impactos imprevistos que não poderiam ser planejados pela concessionária, esclarece Tibiriçá.

Uma das situações encontradas pelas equipes durante a construção do Contorno foi a descoberta de cinco sítios arqueológicos, que demandam o isolamento e análise aprofundada de toda a área, processo necessário, mas moroso para a continuidade dos trabalhos.

Outros desafios foram conseguir as licenças ambientais e a desapropriação de terrenos, além de toda a parte burocrática e documentações necessárias para a obra, lembra o gerente de Operações.

Ainda, a fim de preservar o meio ambiente de toda a região, foi realizado o afugentamento da fauna e a análise da flora antes do trabalho de desmatamento, desde o corte das árvores até a disposição do material lenhoso.

Aterro leva até nove meses para ficar pronto

A característica do solo em praticamente toda a extensão do aterro ocupa um espaço particular e engenhoso entre os desafios enfrentados pela Arteris para a conclusão da obra, que é feita por meio de dois procedimentos: uma parte é aterrada e, onde há os morros, é feito o corte.

Em todos os 50 km previstos para o Contorno, cerca de 70% são de aterro, que tem sido feito em solos moles de substrato, ou seja, um material orgânico, saturado, que não tem suporte e não suporta uma rodovia por cima. Desta forma, a Arteris não poderia simplesmente aterrar e colocar asfalto por cima, pois toda essa parte de solo mole afundaria e o terreno ficaria todo irregular, com algumas partes mais afundadas que as outras.

Com o objetivo de contornar essa dificuldade natural do solo da região, a concessionária faz um trabalho específico e tecnológico de geotecnia antes de realizar o aterro, para que quando a carga for colocada por cima do local, o terreno possa ser estabilizado de forma homogênea.

“Para isso implantamos drenos verticais em toda a área do terreno. Antes de tudo fazemos a limpeza do terreno, aplicamos uma manta geotêxtil de fora a fora, mais uma espessura de areia, que é um colchão drenante, por cima, e cravamos drenos verticais a cada 1,5 metro”, explica o gerente de Operações da Arteris. Ao todo, são três milhões de metros de dreno vertical aplicados no Contorno Viário antes da execução de qualquer aterro.

Como funciona o procedimento

Com o objetivo de contornar a dificuldade natural do solo da região, a Arteris Litoral Sul faz um trabalho específico e tecnológico de geotecnia antes de realizar o aterro, para que quando a carga for colocada por cima do local, o terreno possa ser estabilizado de forma homogênea – Foto: Arteris Litoral Sul/DivulgaçãoCom o objetivo de contornar a dificuldade natural do solo da região, a Arteris Litoral Sul faz um trabalho específico e tecnológico de geotecnia antes de realizar o aterro, para que quando a carga for colocada por cima do local, o terreno possa ser estabilizado de forma homogênea – Foto: Arteris Litoral Sul/Divulgação

Para realizar esse trabalho, é aplicada uma fita drenante com equipamentos específicos, que gruda no terreno, crava no solo e o penetra com extensão variável, de acordo com a condição de cada trecho.

Essas fitas podem chegar até a 25 metros de profundidade e a ponta destas fitas fica em cima, no colchão de areia. Assim, as equipes começam a fazer o aterro previsto no projeto, colocam carga por cima do local e o aterro começa a recalcar, a estabilizar. Por cima, é ainda aplicada uma sobrecarga de aterro, para acelerar o processo de recalque.

“Colocamos essa carga adicional, que faz uma força de pressão para baixo e essas fitas drenantes, que são perfuradas, absorvem toda a água que está naquele solo mole, que é como se fosse uma esponja. As fitas levam essa água até lá em cima no colchão de areia, que é eliminado. Se não tivéssemos a fita vertical, o tempo de espera seria muito maior para que pudéssemos pavimentar estes trechos. Depois de feito o aterro precisamos esperar o local se estabilizar por nove meses, em média”, afirma Tibiriçá.

Ou seja, para que hoje o Contorno pudesse estar com mais de 60% de sua extensão pavimentada, cada trecho em solo mole precisou ser estabilizado por pelo menos nove meses.

Ainda de acordo com o gerente de Operações, uma haste que fica em toda a profundidade do aterro mede como está o recalque em todos os trechos. “Até que um dia começa a estabilizar e não é mais possível detectar recalques, somente então podemos começar a pensar na pavimentação. Esse trabalho é feito na obra toda. Tudo que já está pronto passou por todo esse processo”, ressalta o especialista.

Por ser mais recente, iniciado em janeiro de 2021, o trecho Sul da obra ainda está na fase de recalque, enquanto o trecho Norte, que começou em janeiro de 2017, está mais avançado.

O trecho Sul B, por exemplo, está com o aterro todo em recalque há oito meses. “Muitas vezes as pessoas passam e pensam que está tudo parado. Mas não, está em recalque e esse processo está identificado por placas”, reforça Tibiriça.

Ainda segundo ele, o trecho com a pior condição para geotecnia de aterro é a trevo da BR-101 sul. O local, inclusive, tem um prazo maior previsto para o recalque, 13 meses, devido à condição crítica do material natural encontrado no terreno. Na região, a obra não está parada, recebe vigas no pátio, pilares. No entanto, a pavimentação terá que esperar, pois a previsão final para o recalque é setembro deste ano.

Movimento de terra

Outro desafio enfrentado pela Arteris para a obra do Contorno é o movimento de terra, já que são 7 milhões de metros cúbicos de aterro previstos, ou seja, muita atividade a ser feita numa área muito peculiar e suscetível a condições climáticas adversas. “Fazer obras nesta expressão de volume de solo, da forma que chove por aqui, é um desafio gigantesco, hoje já superamos esta etapa em cerca de 85% do trecho, mas desde 2014 sofremos muito para poder chegar onde chegamos com movimentação de terra com a condição climática da região”, acrescenta Tibiriçá.

As atividades de terraplanagem em solo, todo o trecho intermediário e trecho norte, 35 km, foram construídos em solo, o que fez com que o trabalho com esses aterros fosse muito difícil. “Quando chove demora para recuperar a área e podermos trabalhar, e muitas vezes ocorreram chuvas seguidas, então foi um trabalho muito moroso em termos de terra. Foram utilizados aproximadamente 700 mil caminhões carregados de terra nas obras”, informa o gerente.

Outra obra que foi particularmente difícil e marcante para o Contorno foi o desmonte de rocha ao lado do aterro sanitário de Biguaçu.  Foi preciso realizar um trabalho muito específico para não afetar a estabilidade do aterro. “Havia uma montanha de rocha a ser retirada, foi um trabalho gigante de monitoramento da terra, contratamos uma empresa do Rio de Janeiro especializada em desmonte controlado para poder fazer esse serviço, foi mais de um ano para superarmos essa etapa com integridade total do aterro, um desafio construtivo superado”.

Interface com a comunidade

Para o avanço das obras do aterro, foi ainda preciso muita conversa com as comunidades impactadas pela obra, para que todos entendessem que os serviços ocorrem para trazer um benefício permanente para a região.

Além disso, foi necessário realocar todas as redes elétricas dos municípios e houve interferência das redes de transmissão da Eletrosul, o que tornou necessário um trabalho de reforço dessas torres para seguir com as obras.

As redes de água, como a da Samae, e adutoras, também acarretam um trabalho pesado durante a construção do Contorno Viário.  Conforme Tibiriçá, é feita a proteção de todas as adutoras da Casan. “Estamos realizando um trabalho quase manual em volta delas, é uma interferência diária com a comunidade Muitas redes não estão cadastradas no projeto, trazendo ainda mais desafios para execução do trabalho. Também há a tubulação de gás a ser considerada durante essas obras.

Números do Contorno Viário da Grande Florianópolis

As obras seguem, simultaneamente, nos 50 km da nova rodovia. Mais de 37 km já estão pavimentados – Foto: Arteris Litoral Sul/DivulgaçãoAs obras seguem, simultaneamente, nos 50 km da nova rodovia. Mais de 37 km já estão pavimentados – Foto: Arteris Litoral Sul/Divulgação
  • Hoje, na obra, são utilizados 160 mil metros cúbicos de concreto, o que corresponde a 20 mil betoneiras;
  • São previstos 50 km de estacas previstas no projeto, que variam entre 15 e 25 metros, a maioria já foi concluída;
  • Para a pavimentação realizada até aqui foi utilizada quase um milhão de toneladas de asfalto
  • 1,5 milhão de metros cúbicos de rocha foram desmontadas.
  • A obra tem 50 km de extensão;
  • Além dos quatro túneis duplos, estão previstas sete pontes, seis trevos e mais de 20 passagens em desnível.   A obra vai cruzar três  municípios catarinenses: Biguaçu, São José e Palhoça.

Ponto de Parada e Descanso para caminhoneiros em Palhoça

A Arteris também constrói o primeiro PPD (Ponto de Parada e Descanso) para caminhoneiros no trecho administrado – na rota entre as capitais Curitiba e Florianópolis.  O investimento é de R$15 milhões e as obras têm duração prevista de 12 meses.

A estrutura é construída pela concessionária na altura do km 220 da BR-101/SC, em Palhoça, na área da antiga praça de pedágio desativada no local. Ao todo, serão 39 mil metros de área construída, com destaque para o prédio principal.

A edificação fica na margem sul da rodovia e terá dois pavimentos com copa, sala de descanso, sanitários, instalações com chuveiros e vestiários. Além disso, haverá espaço para instalação de minimercados automatizados, lavanderia automatizada, farmácia e comércio de itens essenciais aos caminhoneiros.

No lado norte haverá também uma edificação com instalações sanitárias incluindo banheiros femininos e masculinos – equipados conforme as normas de acessibilidade. A edificação norte é integrada ao prédio principal por meio da passarela sobre a rodovia.

O estacionamento do PPD irá oferecer espaço para 59 vagas, sendo 33 para carretas com comprimento de até 30 metros, e outras 26 vagas para caminhões com comprimento de até 12 metros. As vagas estarão alocadas para possibilitar o estacionamento em ambos os sentidos da BR-101/SC.