Florianópolis, a Ilha de Santa Catarina, ainda precisa ser melhor explorada, concordam os palestrantes ouvidos no Super 17, evento do Grupo ND em comemoração aos 17 anos do Jornal ND, nesta sexta-feira (15). O evento contou com a participação de autoridades no assunto, empresários e poder público para debater a evolução do setor na cidade.
Construção da marina de Florianópolis e avanços náuticos foram debatidos no Super17 – Foto: Unsplash/Divulgação/NDA abertura do evento, feita pelo prefeito Topázio Neto (PSD), já começou destacando o setor náutico da cidade, mas que é preciso evoluir.
“Florianópolis tem uma vocação náutica desde a época do descobrimento do Brasil. Aqui no Sul do Brasil, a Ilha sempre foi uma parada estratégica para todo mundo que queria mantimentos, água, e assim por diante. Durante muito tempo isso ficou perdido, principalmente nos últimos 40 anos. Mas a gente tá retomando essa vocação da cidade com o mar”, conta o prefeito em entrevista ao ND+.
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Topázio Neto falou na abertura do evento – Foto: Léo Munhoz/NDDiscussão sobre a marina de Florianópolis
Juliano Richter, secretário de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia de Florianópolis, deu um prazo para a conclusão da construção da marina da cidade. Segundo ele, a construção começa em 2024.
“Acredito que até o final do ano teremos as licenças para iniciar a construção da marina ano que vem”, promete o secretário.
Richter afirma que a empresa escolhida tem um prazo de cinco anos para concluir a obra, mas pode ser feita em menos tempo — cerca de dois anos e meio.
Juliano Richter, secretário de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia de Florianópolis, deu um prazo para a construção da marina da cidade – Foto: Léo Munhoz/NDJá o empresário Marcio Schaeffer, fundador e dono da Schaeffer Yachts, diz haver atraso na construção náutica na cidade. Ele cita que Florianópolis deveria estar discutindo a décima marina, mas continua falando de apenas a primeira.
“Precisamos fazer pontos em vários lugares da cidade, uma marina. Há cidades que a marina é o ponto de encontro, tem um sistema de saneamento muito bem feito, é uma vergonha um país desse ainda esteja falando de saneamento básico, algo já deveria ter sido feito há muito tempo. Aí, as pessoas culpam todos, e a Marina. Temos que ter planejamento”, explica.
E reforça: “Não deveríamos estar aqui debatendo a construção da primeira marina, e sim da décima”.
Precisa de planejamento
Para Solange Borguesan, Vice-presidente da ACIF (Associação Empresarial de Florianópolis), é preciso pensar a longo prazo.
“Precisamos saber de onde estamos saindo, e onde queremos chegar. A iniciativa privada tem toda a inteligência para se unir ao poder público para planejar onde queremos chegar. A marina chegará e será um marco com impacto positivo de renda, de empregos e prosperidade para a cidade”, opina.
A presidente diz ainda que a cidade deveria unir a tecnologia, na qual é referência no país, e unir ao setor náutico. Assim, a evolução da cidade seria ainda maior.
Evandro Neiva, secretário de turismo de Santa Catarina, diz haver planejamento para evolução da cidade, e que ela é uma das prioridades do governo catarinense.
“A gente tem que colocar Florianópolis como prioridade. O governo está disposto a estar junto no processo de infraestrutura da construção de rotas e trapiches”, garante.
“Temos exemplos claros, como a marina de Itajaí, a marina faz com que o setor náutico fique perto das pessoas. Temos um grande trabalho para fazer as rotas não só de lazer, mas as de transatlântico também. Temos parecer positivo de fazer a parada teste, temos condições para isso”, expõe.
Marina feita por necessidade
Luiz Fernando Beltrão, comodoro do Iate Clube Veleiros da Ilha, disse que por necessidade do clube uma marina foi criada para atender embarcações em Florianópolis.
“Somos uma associação particular, o clube foi fundado há 80 anos por velejadores e pescadores. Precisamos desenvolver a náutica na cidade. O clube criou sozinho, por necessidade, a sua marina. Hoje temos 425 barcos de 3 a 24 metros guardados no clube. Mas o importante é o entorno dessas embarcações”, conta.
Segundo o comodoro, há serviços de fibra, motores e transporte no entorno do local, gerando renda para além do mar.
“Se começarmos a falar de tudo que a náutica gera na área econômica vamos ver coisas que ninguém nunca pensou. Na parte econômica direta temos 152 marinheiros particulares no clube, que trabalham para alguém”, diz.
Falta de trapiches “cuidados”
Leandro Mané Ferrari, presidente da Acatmar (Associação Náutica Brasileira), diz que é preciso trapiches melhores em Florianópolis e citou uma reforma recente, a da Ilha de Ratones.
Fortaleza de Ratones foi reinaugurada, mas falta reforma de trapiche, opina empresário – Foto: Isabella Rocha/Iphan/SC/Divulgação/ND“A reinauguração da ilha de ratones, ficou belíssima, mas o trapiche continua o mesmo. Um cadeirante não conseguirá chegar no elevador por aquele trapiche. A gente faz lá e esquece aqui”, diz.
Segundo o site oficial da Marinha, os trapiches têm uma importância significativa em várias regiões do mundo, especialmente nas áreas costeiras e portuárias. Eles são estruturas construídas em áreas próximas ao mar, rios ou lagos e servem para uma variedade de propósitos importantes.
Em algumas regiões, os trapiches são usados como locais de pesquisa científica e monitoramento ambiental, onde cientistas coletam dados sobre a qualidade da água, fauna marinha e outras variáveis ambientais.
Em áreas onde o transporte por água é comum, os trapiches são usados para facilitar o embarque e desembarque de passageiros de embarcações de transporte público, como ferries, lanchas e barcos de turismo.