Eleita a melhor companhia de saneamento do Brasil, a Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) tem expertise para ajudar a Casan em seus desafios. Presente no seminário sobre saneamento básico promovido pelo jornal ND na quarta-feira (30), o presidente da Sanepar, Claudio Stabile, apresentou os números da empresa, que atende 345 dos 399 municípios paranaenses, tem quase 6.200 funcionários, atende praticamente 11 milhões de pessoas e tem faturamento médio de mais de R$ 5 bilhões por ano. Entre os clientes da Sanepar está o município catarinense de Porto União.
Presente no seminário sobre saneamento básico promovido pelo jornal ND, o presidente da Sanepar, Claudio Stabile, apresentou os números da empresa – Foto: Léo Munhoz/NDQuestionado sobre a fórmula do sucesso da Sanepar, Stabile disse que é fruto de muito trabalho e foco. “Não aconteceu ontem. É um trabalho de muitas administrações e cada uma vem aprimorando o trabalho. E nós chegamos num momento dificílimo: uma pandemia, a maior seca do Estado do Paraná em 90 anos, um novo marco legal do saneamento, algo inédito. Foram desafios muito importantes e que mudaram um pouco o rumo, acelerando ações e investimentos. Inclusive ontem recebemos em São Paulo o prêmio de melhor companhia do Brasil de saneamento”, frisou Stabile.
Conforme o executivo, valores como transparência, seriedade, foco na missão, comprometimento com o usuário e com os acionistas também são importantes. Atualmente, a empresa tem mais de 500 mil acionistas, porém, quer ser ainda melhor.
“Estamos todo dia buscando melhorar nossos processos, sejam operacionais ou administrativos, buscar novas fontes de receitas, receitas acessórias, que acabam ajudando a fatura do nosso usuário de água e esgoto, diminuindo em favor do nosso usuário”, disse Stabile, se colocando à disposição das companhias irmãs para colaborar. Para o executivo, Santa Catarina e a Casan têm a possibilidade de reverter o quadro atual.
Altos índices de cobertura
Atualmente, os municípios atendidos pela Sanepar no Paraná possuem a universalização da água, passando de 90% da cobertura urbana. No esgotamento sanitário, neste ano, a empresa passa dos 80% de coleta e 100% do que é coletado é tratado. “Mesmo assim, temos metas contratuais e o novo Marco Legal do Saneamento. Temos marcos para cumprir, no caso da lei nacional, até 2033, devemos ter a parte de esgotamento sanitário universalizada”.
Diante desse desafio, a estatal buscou alternativas para dar celeridade a esse processo da forma mais econômica possível e sobrando tempo para olhar para outras fontes de receita. “Fizemos uma divisão do Estado de três microrregiões.
De acordo com a própria lei nacional de saneamento, fizemos a primeira PPP (Parceria Público-Privada) e tivemos um deságio de 31%, ou seja, essa empresa que venceu fará o mesmo serviço com R$ 350 milhões a menos do que a companhia normalmente utilizaria para fazer investimento”, salientou Stabile. Segundo ele, as próximas licitações devem ocorrer entre dezembro deste ano e fevereiro do ano que vem.
Resolvida a questão da água e dando andamento às questões de esgotamento sanitário, a companhia vai buscar outras fontes de receita acessórias. Stabile citou biofertilizantes, hidrogênio renovável – provido do biogás e biometano – e CO2 líquido, que tem muita demanda no mercado alimentício, além da passagem da fibra óptica na rede de esgoto.
Conforme Stabile, a empresa também voltou seu olhar para ESG e inovação. “Somos nível dois na B3, o máximo de governança. Temos um trabalho forte na área ambiental. Somos a única empresa do setor na B3 na carteira do ISE (Índice de Sustentabilidade Ambiental) e na questão social. Vou citar um exemplo: na pandemia, ficamos 41 meses sem suspensão de serviços por inadimplência.
Pense se alguma companhia pública ou privada no Brasil continua entregando serviço todos os dias e mesmo a pessoa não pagando fica 41 meses entregando o serviço”. Conforme o presidente da Sanepar, encerrado o ciclo, a empresa ainda abriu parcelamento, de até 60 vezes, sem juros e multa.