O Mercado Público de Biguaçu está de portas fechadas. Há pelo menos um ano, os comerciantes do município que tinham lojas no local tiveram que procurar outro imóvel para alugar.
Mercado Público de Biguaçu está em situação de abandono – Foto: Reprodução/Google Maps/NDSegundo o artesão Samuel José Garcia, “a princípio, o comunicado foi verbal. O secretário atual veio e nos falou que provavelmente fecharia, porque tem os problemas do banheiro,a fossa. A gente já tinha conhecimento de causa, que realmente tinha problema no banheiro. Por último, até os banheiros não estavam abertos ao público. Só tinha um se eu não me engano”.
Garcia era um dos oito comerciantes que tinham permissão para vender os produtos pelo prazo de cinco anos. Ele pagava cerca de R$ 105 de aluguel por mês mais R$ 30 de energia. A concessão permitia mais cinco anos de permanência e foi no momento de renovação que o contrato foi cancelado.
“O que mais sentia dificuldade ali era o restaurante, pelo público, que dava em torno de 30 a 40 pessoas. Não lembro bem a quantidade, porque a atividade deles era mais a noite. Então, eles é que sofriam mais as consequências do entupimento do banheiro. Quase sempre a gente costumava ver ele fazendo a limpeza e a manutenção com os caminhões”, explicou o artesão.
O tempo passou e os prejuízos podem ser vistos facilmente já do lado de fora da estrutura: mato crescendo no telhado; cano e banner jogados no corredor; calçada quebrada e lajotas soltas; a câmera na lateral do prédio já não existe mais; os vasos decorativos na entrada estão em pedaços no chão; e a pintura das paredes está descascando.
“Para nós foi lamentável o fato de o Município ter um Mercado Público e em seguida encerrar as atividades, tendo em vista que faz parte da cultura de todo o município ter um mercado público”, lamentou Garcia.
O espaço foi revitalizado em 2016 usando uma emenda parlamentar no valor de R$ 269.100. O Município ainda deu uma contrapartida com recursos próprios de pouco mais de R$ 67.500.
O secretário de Turismo, Lazer e Cultura de Biguaçu, Davi Nunes de Oliveira, autorizou a entrada da equipe de reportagem do BG Floripa no imóvel e explicou que um dos comerciantes entrou na Justiça contra a prefeitura há cerca de cinco anos, e que por isso o Município não pode reabrir o espaço público.
“No deque, existe aqui uma pendência judicial, que deve ser levada em consideração. Não é de hoje, já faz quase cinco anos que existe uma ação judicial por parte da antiga empresa que administrava o deque aqui. A gente quer fazer um projeto com o Mercado Público de trazer o rural para o urbano e a ideia seria abrir ele por completo. Só que hoje, como não tem um parecer definitivo sobre essa ação do deque, a gente fica de mãos atadas”, afirmou o secretário.
Dentro do imóvel, sujeira e tambores de fechadura em cima da mesa. As placas indicando os nomes das lojas nem foram retiradas. Um dos boxes está armazenando produtos e mantém a estrutura como se estivesse apenas fechado até começar o expediente do dia. Em meio a tudo isso, está o Sine, que faz atendimento diário entre 13h e 18h.
Moradores da cidade denunciaram que o deque nos fundos do Mercado Público, em frente ao rio, estava sendo usado como dormitório. Há pelo menos 20 dias, colchões e utensílios pessoais foram retirados do local. Foram cinco limpezas feitas pela prefeitura este ano e as pessoas em situação de rua foram levadas para um abrigo do Município.
Um projeto já está sendo elaborado para que o Mercado Público volte a funcionar, conforme Oliveira. “A gente tá fazendo reuniões toda semana, mas infelizmente a questão do deque acaba nos limitando. A gente tá em diálogo com a nossa Procuradoria do Município, que já nos mostrou uma liminar, mas o antigo inquilino ainda pode recorrer. Tendo isso sanado, tenho certeza que a gente tem notória capacidade e interesse de colocar o Mercado Público para funcionar”, informou.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.