Dos nove terminais integrados do transporte urbano de Florianópolis, três não funcionam com essa finalidade. Os espaços foram utilizados para outros projetos e entidades. Um está abandonado. Enquanto isso, os usuários sofrem para circular entre os bairros do Continente.
Terminal desativado do Saco dos Limões, em Florianópolis – Foto: Flavio Tin/Arquivo/NDEm Florianópolis, além do Ticen foram construídos e entregues em 2006 oito terminais de interligação. Um investimento superior a R$ 8 milhões. Só que três deles nunca funcionaram para embarque e desembarque de passageiros: o terminal do Jardim Atlântico e o de Capoeiras, ambos no Continente, e o do Saco dos Limões, no Sul da Ilha.
No Tijar (Terminal de Integração do Jardim Atlântico), os dois mil metros de área construída ganharam um investimento de cerca de R$ 1 milhão para ficar com cara nova. A estrutura foi adaptada para receber a Escola Olodum Sul, que passará a funcionar no local no próximo fim de semana. Crianças de 6 a 14 anos vão aprender no contraturno escolar sobre tecnologia, meio ambiente e cultura artística.
“Nós assinamos esse contrato de parceria para usar o terminal desativado da PC3 por 20 anos. Nós começamos com um consórcio social e tínhamos a participação de situações de creche, de questões do meio ambiente e nesse processo alguns ficaram, não conseguiram tocar, e hoje é só o Instituto Liberdade que toca, que vai ter o funcionamento das suas oficinas”, disse o coordenador pedagógico da escola, Marcos Moita.
Máquinas trabalhavam para refazer o cabeamento elétrico, já que os fios foram furtados. Foram três registros só este ano. O imóvel estava abandonado e, segundo Moita, servindo de abrigo para pessoas em situação de rua, usuários de drogas e era alvo de atos de vandalismo.
O local já abrigou um mercado público e uma unidade dos Bombeiros. Em 2019, o prédio foi concedido pelo prazo de 20 anos para o Instituto Liberdade. No ano seguinte, começou uma reforma permitindo a instalação de uma creche que já saiu do imóvel. Agora, o instituto vai ocupar todo o espaço para oferecer capacitação e gerar empregos.
Segundo Moita, a escola irá “começar com as crianças desde os 6 anos até 14 anos. Depois, nós vamos ter os cursos profissionalizantes também para os jovens adultos, vamos ter EJA (Educação de Jovens e Adultos) e também os projetos de tecnologia educacional e todos os projetos voltados para qualquer tipo de idade”.
Já no terminal de Capoeiras, apesar da placa indicar “somente ônibus”, eles nunca passaram pelos portões que estão danificados. Por lá funciona uma feira e um ecoponto da Comcap (Autarquia Melhoramentos da Capital), mas o prédio está ruindo com o tempo.
A base de metal saiu do teto e está no chão. A ferrugem é vista por todos os lados. Em alguns pontos, o metal já foi corroído e em outros parece que vai cair. O mato cresce desordenado e está da altura do imóvel, que está com o concreto quebrado. A janela já não tem vidro. A fiação está exposta e até cortada. A má conservação da pintura revela o abandono do terminal.
“Você sai daqui de Capoeiras, você quer ir para Coqueiros, você tem que ir no Centro. Se esse terminal aqui fosse realmente a finalidade desde a construção resolveria o nosso problema, mas hoje ele tá servindo de depósito de lixo reciclável. É importante também, mas não é o local adequado”, afirmou o líder comunitário, Édio Jajá.
Quem depende do transporte urbano fica indignado com a situação. Hoje, se os usuários querem ir para outros bairros do Continente, precisam ir até o Centro da cidade para depois retornar ao Continente.
Na Ilha, o terminal do Saco dos Limões foi cedido emergencialmente há mais de sete anos para que indígenas permanecessem temporariamente morando e vendendo artesanato. No entanto, eles continuam vivendo na estrutura precariamente.
Uma equipe do curso de arquitetura da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) elaborou, junto com os indígenas, um projeto de melhoria no Tisac. Ele será apresentado numa audiência de conciliação no mês que vem.
A Justiça Federal disse que as melhorias feitas pela prefeitura não cumpriram o acordo de oferecer dignidade e conforto para os indígenas.
Segundo o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, “ali o Plano Diretor não permite. É uma área difícil. A própria comunidade quer naquele equipamento outra utilização, mas nós entendemos a questão dos indígenas e estamos trabalhando com o MPF (Ministério Público Federal) para achar uma solução e desocupar aquele terminal levando os indígenas para um espaço mais adequado. A ideia é destinar [o terminal] para a comunidade, nós já temos alguns projetos ali, inclusive como centro cultural, centro de convivência para a comunidade”.
Topázio explicou que os terminais desativados permanecerão sendo usados para outras ações. “Dentro do esquema todo de transporte da cidade restou comprovado que aquelas estruturas, pelo menos essa do Saco dos Limões, não conseguiu se incorporar ao sistema de transporte público. Então, para não perder o investimento que foi feito pela população e pela municipalidade, nós estamos dando outros usos para esses terminais”, disse.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.