O domingo (19) foi de limpeza e de um retorno aparente à normalidade após uma nova enchente castigar a cidade de Taió, no Alto Vale do Itajaí. Porém, mesmo com tempo seco, a barragem situada no município ultrapassou os 100% de capacidade e começou a verter.
Com todas as comportas fechadas desde semana passada, a barragem Oeste ultrapassou os 100% de sua capacidade no final da tarde deste domingo (19).
O coordenador da Defesa Civil de Taió, Jonata Retke, explica que o fenômeno aconteceu pois embora não tivesse chovido na cidade nos últimos dois dias, o fluxo de água normal do rio Itajaí do Oeste acabou contribuindo para encher o reservatório, que ficou acima dos 80% de capacidade durante alguns dias.
SeguirMesmo com a barragem vertendo, o nível do rio Itajaí do Oeste continua baixo na área central de Taió. Na cidade, duas mortes foram registradas na noite de quinta-feira (16), enquanto o nível do rio Itajaí do Oeste chegava ao seu pico nesta nova cheia: 10,37 metros de altura.
“Tivemos quase um metro de altura de água que invadiu o Paço Municipal. Fizemos a limpeza no dia de ontem, mas ainda assim a preocupação é grande, pois temos uma nova rodada de chuvas prevista para quarta-feira (22)”, afirmou ao ND+ o chefe da Defesa Civil de Taió.
Imagem da manhã desta segunda-feira (20) mostra barragem cheia e vertendo; cidade está em alerta por possível volta da chuva a partir de quarta (22) – Foto: Imagens cedidas/RedeWebTV/Divulgação/NDSituação de momento na barragem Oeste e nas demais estruturas
Por volta das 08h30 da manhã desta segunda-feira (20), a barragem Oeste estava com todas as comportas fechadas, com 101,49% e 23,46 metros de água armazenada.
Na barragem Sul, em Ituporanga, quatro comportas seguem fechadas e uma permanecia aberta, com 107,84% de capacidade e 31,78 metros de altura.
Barragem está cheia e cidade está em alerta por possível volta da chuva a partir de quarta-feira (22) – Foto: Imagens cedidas/RedeWebTV/Divulgação/NDAmbas as estruturas anteriormente citadas estão com os canais extravasores fechados. Já na barragem Norte, em José Boiteux, o nível do reservatório estava em 49,2% e 32,05 metros de altura de água, com todas as duas comportas fechadas.
Taió está em alerta para nova previsão de chuva
Conforme Jonata, uma reunião do Grac (Grupo de Ações Coordenadas), que integra Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e outras forças de segurança está marcada para esta segunda-feira (20) para definir um plano de ação em caso de uma nova cheia para esta semana.
As aulas da rede municipal e Estadual de ensino de Taió estão suspensas até pelo menos quarta-feira (22), quando a prefeitura estima que haverá condições de prever se a nova rodada de chuvas que está por vir permitirá o retorno das aulas ou não.
Serviços de atendimento da rede municipal de saúde estão com funcionamento parcial. Cerca de 100 pessoas desabrigadas estavam na manhã desta segunda-feira (20) no Salão Comunitário da Igreja Matriz de Taió.
Com relação a comunidades isoladas, o chefe da Defesa Civil local conta que um bueiro se rompeu e formou uma cratera que isolou a comunidade Bela Vista.
Porém, as equipes da prefeitura trabalharam durante todo o domingo (19) para restabelecer a trafegabilidade da via e o serviço deve ser concluído nesta segunda-feira (20) se o tempo colaborar.
Apoio a outras cidades atingidas pela enchente
O chefe da Defesa Civil local afirma que o grande trabalho de ajuda de outras cidades para as vítimas da cheia de outubro em Taió já é retribuído. Equipes do município foram deslocadas para prestar apoio às cidades de Rio do Oeste e Trombudo Central, que foram mais duramente castigadas pela cheia da semana passada.
“Tínhamos um estoque de água potável e cestas básicas e entregamos uma parte desses donativos à prefeitura de Rio do Oeste. Em Trombudo Central, temos uma equipe logística atuando para distribuição dos donativos, além de três caçambas e maquinário para ajudar na remoção de barreiras e reconstrução de estradas”, afirmou.
Mesmo com duas mortes confirmadas em razão da enchente da semana passada, que atingiu um pico de 10,37 metros, Jonata afirma que o município de Taió não elaborou um novo decreto de calamidade pública pelo fato que uma das cheias que castigou a cidade no mês passado teve danos em proporções maiores e um número mais expressivo de desabrigados.
“O decreto de calamidade pública assinado no mês passado possui validade de 180 dias. Só emitiremos um novo decreto, caso a cheia tivesse prejuízos maiores do que os que tivemos no mês passado e que ainda estamos buscando nos reconstruir”, finaliza.
Imagens do dia 13 de outubro impressionam e dão dimensão de enchente que atingiu Taió naquela data – Foto: Reprodução/ND