Moradores de um condomínio de Biguaçu estão com medo das rachaduras que se abriram nos prédios nos últimos cinco anos, desde que a obra foi entregue. Cabe até uma mão dentro da abertura.
Rachaduras preocupam moradores de condomínio em Biguaçu há 5 anos – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVNão é de agora que os moradores do Residencial Vila Real, no bairro Fundos, em Biguaçu, estão preocupados com os problemas estruturais. Conforme o condomínio, a situação mais crítica é no bloco A, onde moram 32 famílias.
“Eu tô saindo hoje. Vou para a casa da minha filha, num quarto que ela me disponibilizou. As minhas coisas vão ficar aqui [no apartamento] porque eu não tenho para onde levar. A minha vida inteira está aqui e eu vou ter que abandonar minha casa mais uma vez”, contou a moradora Letícia Escobar Ricori.
As rachaduras estão por toda a parte. Dá até pra ver a claridade entre o buraco que se formou. A obra, viabilizada com recursos do antigo programa Minha Casa Minha Vida, foi entregue em outubro de 2017. A Total Construtora e Incorporadora, que iniciou a construção, faliu. A partir de 2016, a Construtora Moinho assumiu e concluiu o empreendimento.
Eliane Corrêa do Nascimento é subsíndica do residencial e disse que “é um jogo de empurra-empurra. (…) O problema tá aqui, os moradores estão aqui. De quem é a responsabilidade? Quem tem que fazer alguma coisa por essas famílias? A gente tem várias perguntas e não tem respostas. Eles não nos dão retorno”.
O condomínio tem sete blocos. No total, são 224 apartamentos. Segundo a administração, 90 estão passando por vistoria porque apresentaram algum problema como piso solto, rachadura e até infiltração
Em nota, a construtora informou que o “contrato para finalização prevê responsabilidade da Construtora Moinho apenas dos serviços contratados, constantes da Planilha de Levantamento de Serviços. Que já foram realizadas diversas perícias judiciais no empreendimento, inclusive no bloco A”.
“Como a parte estrutural foi integralmente construída pela construtora anterior, Total Engenharia, a responsabilidade por supostos vícios é da Caixa Econômica Federal e Construtora Total Engenharia”, justificou a construtora Moinho. Ainda de acordo com a empresa, diversos peritos judiciais atestaram as boas condições de habitabilidade, deixando claro em seus laudos que não há perigo de desabamento.
A Moinho disse ainda que tecnicamente o que ocorre é que a construtora anterior construiu dois edifícios lado a lado, ao invés de um bloco inteiro, de modo que há uma junta de dilatação: “Esta junta tem sido equivocadamente entendida como suposto vício construtivo pelos moradores, porém é parte integrante do tipo de construção, em que pese seja diferente dos demais blocos do empreendimento”.
Também em nota, a Caixa afirmou que as demandas registradas pelos moradores são direcionadas à empresa responsável pelo tratamento. “Nas situações em que a reclamação não é considerada procedente pela construtora, a Caixa realiza vistorias no empreendimento para diagnóstico dos problemas e suas causas”, comunicou.O prazo para a Caixa apresentar a conclusão dos diagnósticos é até o mês de outubro de 2022. Após concluída essa etapa será possível definir a solução a ser implementada para realização dos reparos pertinentes, conforme as regras do programa.
Já a prefeitura de Biguaçu disse que nesta quarta-feira (21) haverá uma vistoria com a Defesa Civil,Secretaria de Planejamento e Caixa. A reportagem tentou contato com os responsáveis pela Total Construtora e Incorporadora, mas não teve resposta.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.