Moradores do bairro Monte Cristo, em Florianópolis, relatam que já denunciavam antes do rompimento a precariedade da caixa d’água da Casan no bairro. A estrutura que rompeu nesta quarta-feira (6), segundo os moradores, já apresentava rachaduras anteriormente.
Imagem mostra destruição deixada pelo rompimento – Foto: Divulgação/Pedro Perez/NDOs atingidos dizem que já registravam a situação do local desde abril deste ano, e que há quatro meses buscam uma solução para o local, temendo serem prejudicados.
“A gente sempre avisou. A comunidade sempre viu que o local era precário. Mas somos pobres e moradores de comunidade, então ninguém se importa”, diz um dos moradores que pediu para não ser identificado.
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Moradores denunciam rachaduras antigas no local – Foto: Reprodução/Google Street View/NDO morador, que teve parte da residência soterrada pelas águas, olha para estrutura enquanto conversa com uma advogada da Defensoria Pública do Estado, que presta atendimento aos moradores.
O diretor-presidente da CASAN (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), Edson Moritz, diz que ainda não tem respostas para a denúncia, isso porque a situação ainda está sendo apurada pela Companhia, e que, se provado, os culpados serão responsabilizados.
O presidente pediu desculpas pela tragédia e garantiu que será feita uma vistoria geral em unidades de reservação de água pelo estado.
“Queria pedir desculpas, ainda que não seja desculpável o que aconteceu, com toda sinceridade”, afirmou o presidente.
“Agora, nossa primeira questão é o cuidado e a saúde de vocês, e estamos mobilizados desde a primeira hora para fornecer rapidamente alimentos e abrigo. Enquanto todos não estiverem com o mínimo de conforto, não vamos sair daqui com a equipe”, promete o presidente.
Nos próximos dias, a Companhia garante que estará mobilizada para fazer vistorias gerais nos demais reservatórios de concreto, a fim de garantir a segurança do sistema hídrico e evitar futuros rompimentos. Todos os 475 reservatórios do material em Santa Catarina passarão por avaliações locais, acionando também as empresas contratadas pela CASAN para a construção.
Veja o vídeo:
Vídeo da denúncia feita pelo morador – Vídeo: Arquivo Pessoal/ND
Vídeo de abril já mostra estrutura “remendada”, segundo morador – Vídeo: Arquivo Pessoal/ND
Relembre o caso
O rompimento do reservatório de 2 mil metros cúbicos no bairro Monte Cristo, região continental de Florianópolis, ocorreu às duas da manhã desta quarta-feira, na Rua Luís Carlos Prestes. Não há descontinuidade no abastecimento na região.
No local, a diretoria e as equipes técnicas da CASAN estão mobilizadas desde a madrugada para conter os danos causados pelo rompimento do reservatório e fornecer apoio às famílias.
A ação é feita pela Companhia em conjunto com lideranças comunitárias, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Defesa Civil, Secretaria de Estado da Assistência Social, Mulher e Família, Secretaria Municipal de Segurança Pública e Guarda Municipal.
Foi estabelecido um posto de comando na sede do 22° BPM (Batalhão de Polícia Militar), próximo à estrutura rompida, e todo o atendimento está concentrado no próprio local.
Estima-se um número de 92 casas atingidas e 150 famílias a serem indenizadas. A CASAN montou um ponto de atendimento no local com duas tendas e está fornecendo roupas, sapatos, produtos de higiene e aproximadamente 250 refeições na Paróquia do Sapé.
Cerca de 40 engenheiros da Companhia também estão em campo para avaliar bens perdidos e imóveis, e em paralelo é feito o cadastro dos moradores para avaliação dos imóveis e para acesso a abrigos. Até o momento, 32 famílias já foram dirigidas para hotéis. Moritz pretende antecipar uma ajuda financeira aos desabrigados nos próximos dias.
Durante a manhã, o governador Jorginho Mello também se dirigiu ao local e prestou apoio e esclarecimentos aos moradores.
“Vamos fazer tudo o que for possível, imediatamente fazer a vistoria para entender o que aconteceu e depois recompor a propriedade, os móveis das pessoas”, disse o Governador. “Esse reservatório foi entregue em março de 2022, então vamos apurar com responsabilidade técnica, sem caça às bruxas, mas entendendo que é necessário enfrentar, assumir, pagar e responsabilizar.”
Também compareceram ao local pela manhã o prefeito interino de Florianópolis João Cobalchini e a Secretária de Estado da Assistência Social, Mulher e Família Maria Helena Zimmermann.
O prefeito em exercício frisou a necessidade de apuração dos fatos.
“A gente não vai se omitir. Seja como prefeito interino ou como presidente da Câmara de Vereadores, garanto que vamos acompanhar e fiscalizar para que todas as pessoas sejam acolhidas e ressarcidas e depois apurar se houve alguma negligência ou irregularidade”, colocou Cobalchini.
Já a secretária estadual frisou a importância do apoio às famílias diante da situação.
“É nossa obrigação dar esse acolhimento. O estado está comprometido, a equipe da secretaria está ajudando com o cadastro para poder depois verificar onde elas vão dormir e o período em que elas vão ficar em abrigo. Vamos fazer o melhor que o estado pode”, explicou Zimmermann.