Obras na avenida das Rendeiras, na Lagoa da Conceição, se arrastam por 20 meses

Poeira, lama, congestionamento e outros problemas causados pelos serviços preocupam a população do bairro, que teme que essa situação se arraste até a próxima temporada de verão

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Redação ND Florianópolis

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Um ano e oito meses e cinco contratos aditivos depois, as obras na avenida das Rendeiras, principal via da Lagoa da Conceição, localizada no Leste da Ilha, continuam se arrastando e levando dor de cabeça para moradores, comerciantes, turistas e os motoristas que transitam pela via.

Atraso na obra deixa trânsito complicado na avenida – Foto: Leo Munhoz/NDAtraso na obra deixa trânsito complicado na avenida – Foto: Leo Munhoz/ND

A poeira nos dias secos e a lama no período chuvoso causam transtornos para quem mora ou transita pelo local.

Iniciados em 26 de outubro de 2020, os serviços, segundo a Prefeitura de Florianópolis, teriam duração inicial de cinco meses, porém pararam no início da alta temporada de 2020, em dezembro, sendo retomados apenas em abril do ano passado.

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Porém foram mais uma vez suspensos, oito meses depois, para evitar uma piora no trânsito justamente nas festas de final de ano e no verão.

Após mais um longevo intervalo, os homens e máquinas retornaram no final de março deste ano. Mas, por enquanto, o que se vê na obra de revitalização das Rendeiras são carros estacionados no meio da via, falta de sinalização e um desconforto para quem circula na avenida.

A poeira, a lama e o congestionamento no trânsito provocados pelo trabalho causa incômodo em frequentadores e comerciantes nesses 15 longos meses de obra na avenida.

Velocidade de execução é problema, diz Amolagoa

Segundo o presidente da Amolagoa (Associação de Moradores da Lagoa da Conceição), Bruno Negri, a velocidade da execução da obra é um problema. “Pode parecer loucura, mas nos preocupa entrar em mais uma temporada com isso assim. Já seria a terceira”.

Dificuldade para circulação de ciclistas na avenida – Foto: Leo Munhoz/NDDificuldade para circulação de ciclistas na avenida – Foto: Leo Munhoz/ND

Segundo Negri, o pleito da associação é simples: a obra concluída corretamente. “Não é pedir demais. Dentro desse corretamente existe, desde a má execução da obra na pista, nas calçadas, na ciclovia e no sistema de drenagem”.

Negri contou que o trabalho ficou tão ruim, que cria poças na avenida e, em alguns pontos, a drenagem joga água para dentro das casas. As reclamações da população chegam diariamente à associação.

“Tem um comerciante na Joaquina que está com 1/4 do movimento e conta que os clientes dizem que não estão frequentando o restaurante porque a obra nas Rendeiras não acaba, suja o carro todo, gera trânsito, risco de batida. Está atrapalhando muito. Por isso, o que queremos é que terminem logo”.

A reclamação de Negri é reforçada pelo morador Cristiano Jardim. “Imaginei que quando eles fossem reformar a avenida houvesse pelo menos um engenheiro. Deve ter um engenheiro, só que provavelmente ele não mora na Lagoa”, ironizou.

Morador Cristiano Jardim reclamam da deficiência da drenagem no local – Foto: Leo Munhoz/NDMorador Cristiano Jardim reclamam da deficiência da drenagem no local – Foto: Leo Munhoz/ND

“Por ser um lugar em que chove muito, é muita água que vai pra a pista e não tem as caixas de dreno, não tem aquela drenagem, não tem aquela boca de lobo”, reclamou.

Jardim disse que se tornou um desafio nesse período chuvoso chegar em casa sem tomar um “banho” de água suja.

“Eu gosto bastante de caminhar. Só que daí eu tenho que atravessar a rua, ficar à beira da Lagoa esperando não vir carro porque se passar um, naquele dado momento, com as poças que se formam, é um banho de lama. É complicado”, criticou.

“Poderia ter colocado mais umas caixas de dreno no entorno da avenida inteira para evitar esse tipo de problema, o acumulo de poça d’água”, sugeriu ele.

Falta de vagas prejudica comércio local

A polêmica da redução de vagas de estacionamento, ao longo da via, ainda permeia as discussões entre os empresários, apesar da garantia da prefeitura da capital de que serão mantidas 80% das vagas.

Atraso nas obras dificulta a circulação de veículos e pedestres – Foto: Leo Munhoz/NDAtraso nas obras dificulta a circulação de veículos e pedestres – Foto: Leo Munhoz/ND

Proprietária de um restaurante, que preferiu não se identificar, disse que o convívio com a poeira acabou já que o trecho onde fica o estabelecimento dela já foi concluído, porém reclama da redução das vagas de estacionamento.

Com as escassezes de vagas, os comerciantes temem que o local vire passagem para praias.

“Está ficando bom, o problema é o estacionamento que estão retirando. Meus clientes vêm todos de carro. As pessoas param o carro aí em frente e vêm direto. Estão falando que irão fazer bolsões para vagas de estacionamento, mas ficarão distantes dessa área onde tem a maioria dos restaurantes”, disse ela, que teme por uma redução dos frequentadores.

MP acompanha normas de acessibilidade na obra

Em novembro do ano passado, a 30ª Promotoria de Justiça da Capital instaurou uma notícia de fato para averiguar o cumprimento das normas de acessibilidade nas obras de revitalização que estão sendo realizadas na avenida das Rendeiras.

A colocação do piso tátil, que serve de referência para a locomoção segura dos cegos, vem causando polêmica entre os moradores da Lagoa da Conceição.

A preocupação é com riscos aos pedestres que tenham deficiência visual, já que a trilha de sinalização foi colocada muito próxima da água em alguns pontos.

No final do mês passado, o promotor de Justiça Daniel Paladino visitou a obra e constatou que em termos de acessibilidade, o passeio segue com uma série de problemas que, apesar das recomendações da promotoria, não foram solucionados.

Cinco aditivos no contrato

Ao longo desse período em que a obra se arrasta foram cinco aditivos no contrato, todos eles alternando o prazo final da obra. O último, publicado em abril, prevê o fim da obra para o final de agosto deste ano.

O valor da obra é de R$ 4.832.515,83, e prevê a substituição do pavimento com lajota por paver (blocos de concreto intertravados). Serão implantadas ciclovia de concreto asfáltico bidirecional.

Ainda estão previstos passeio compartilhado com deck de madeira (nos pontos onde a largura da pista da via permitir), e canteiros com paisagismo, no lado da orla da lagoa.

Empresa tem novo prazo de entrega da obra até agosto deste ano – Foto: Leo Munhoz/NDEmpresa tem novo prazo de entrega da obra até agosto deste ano – Foto: Leo Munhoz/ND

O secretário municipal de Infraestrutura, Valter Gallina, reconheceu o atraso da obra, mas atribuiu a uma falta de experiência por parte da empresa contratada, quando assumiu o trabalho.

“Fizemos a licitação, não somos nós que escolhemos a empresa, cumprimos o que determina a Lei 8666 (conhecida como Lei das Licitações). Ganhou uma empresa que não tinha expertise para o tamanho daquela obra, mas as coisas foram se ajustando e agora a obra está andando e vai andar”.

Sobre a adequação do piso tátil, Gallina respondeu que já foi solucionado o impasse. Na questão dos estacionamentos serão criadas 400 vagas em dois bolsões que serão construídos, além de 90 vagas ao longo da avenida, conforme o município.

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