As passarelas de Florianópolis se encontram em situações precárias. Ciclistas e pedestres reclamam da falta de revitalização na maioria delas, que não é feita há anos pela prefeitura. Por isso, o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) precisou intervir.
Passarela do CIC está sem cobertura e acumula poças de água – Foto: Leo Munhoz/NDA ciclista Krishina de Castro utiliza a passarela do CIC (Centro Integrado de Cultura) há 5 anos. Ela estava esperando ansiosa pela conclusão da reforma da estrutura, mas já encontrou problemas depois da chuva.
“Essas passarelas eram muito precárias. Tem a questão da ferrugem, que dava bastante medo, o chão também não era (e continua não sendo) regular. (…) Tem um monte de poça de água em cima. Você passa, você tem que esquivar das poças ou você se molha toda”, contou Krishina. Ela não é a única que reclama.
Luciana Staub também utiliza a estrutura. Ela também fica preocupada com as poças d’água e o risco de escorregar ao passar por elas.
Passarela da Avenida da Saudade deve ser entregue até o fim do mês de agosto – Foto: Leo Munhoz/NDTudo começou quando a Justiça determinou a revitalização das passarelas do CIC e da avenida da Saudade em janeiro de 2020. O prazo dado para conclusão das obras foi de 4 meses, mas elas ainda estão em reforma.
Em entrevista a NDTV em março de 2020, o secretário de Infraestrutura, Valter Gallina, informou que a prefeitura licitou “a passarela do CIC, a passarela do Terminal Rita Maria e também a passarela da Barra da Lagoa. Queremos dar a ordem de serviço ainda na segunda quinzena de março [de 2020] às três passarelas”.
Entre essas duas passarelas, apenas a da avenida Irineu Bornhausen, perto do CIC, está quase pronta e com duas recomendações do MPSC: melhorar a acessibilidade e nivelar o piso. Já a passarela da avenida da Saudade, em direção ao Itacorubi, deve ser entregue até o fim do mês de agosto, de acordo com a Secretaria de Infraestrutura.
Como estão as demais passarelas da Capital
A passarela em frente ao shopping Villa Romana também é motivo de preocupação para os pedestres, já que há muita ferrugem e faltam proteções laterais. Em relação a essa passarela, o Ministério Público instaurou um inquérito civil para investigar a segurança estrutural.
Passarela em frente ao shopping Villa Romana também precisa de reforma – Foto: Divulgação/NDO MPSC também abriu inquérito na semana passada para apurar a falta de conservação da passarela na SC-401, perto do Floripa Shopping.
A passarela que fica em frente ao Centro Sul já tem uma decisão da Justiça para que seja revitalizada, mas a prefeitura recorreu. O caso só está aguardando a sentença do juiz.
Por último, a passarela do Terminal Rita Maria continua com problemas na estrutura. A prefeitura também já contestou a ação do Ministério Público, dizendo que está fazendo o possível com o orçamento que tem.
Passarela do Terminal Rita Maria continua com problemas na estrutura – Foto: Reprodução/NDTVO promotor Daniel Paladino explica que as ações contra a prefeitura foram resultado das inúmeras reclamações dos usuários. Segundo ele, “se trata de questão de pessoas que atravessam as passarelas. Todas essas passarelas, não há uma delas que esse problema não se prolongue há mais de quatro, cinco anos e a prefeitura até hoje, infelizmente, até hoje não deu nenhuma solução. Então, precisa da intervenção do MP e do Poder Judiciário”.
Para o conselheiro do Crea-SC (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina), Estevão Roberto Ribeiro, a manutenção tem que fazer parte do contrato entre a empresa e a prefeitura, para que a conservação seja feita independentemente do governo que construiu a passarela.
“Montando uma equipe multidisciplinar, com várias categorias de engenheiros (civil, elétrico, sanitarista, ambientalista), e trabalhar juntos numa comissão, num grupo de trabalho, para tratar exatamente da manutenção de obras públicas. Isso eu tenho a impressão que vai, pelo menos, chamar a atenção dos gestores públicos. Tecnicamente nós engenheiros temos a solução. Só que a solução é política, não é técnica”, explicou Ribeiro.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.