O IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) divulgou os resultados de uma pesquisa que reuniu opiniões e sugestões de moradores de Florianópolis sobre o uso das cabeceiras da Ponte Hercílio Luz. Toda repaginada, a estrutura voltou a ser funcional e atualmente facilita o trânsito entre Ilha e Continente, mas deixa a desejar quando o assunto é infraestrutura turística.
Registro histórico da reinauguração da Ponte Hercílio Luz em dezembro de 2019 – Foto: Flavio Tin/Arquivo/NDPor isso, a pesquisa do IFSC se propôs a dar ideias que possam impulsionar essa versão mais receptiva da estrutura. Foram entrevistados cerca de 500 moradores da Capital e dez profissionais do setor de Turismo.
“A gente considera a Ponte um patrimônio vivo de todos os catarinenses e que querendo ou não é um dos principais atrativos turísticos do estado. Só que a gente identificou que a Ponte atrai o turista, mas a Ponte não é um produto turístico. A gente não tem uma oferta de produtos turísticos aqui na região da Ponte. E aí, a ideia surgiu para justamente instigar e até desafiar o trade turístico e os governos do Estado e do Município a olharem para a Ponte como um produto turístico”, explicou o professor de Turismo do IFSC, Tiago Savi Mondo.
O projeto mapeou pelo menos dezoito possíveis atrações para as cabeceiras insular e continental da Ponte. Entre elas, no lado da ilha, uma feira permanente de artesanato e gastronomia, uma roda gigante e um elevador panorâmico entre a ponte e o Forte Santana, além da revitalização do Parque da Luz.
Já na parte continental, as ideias tratam sobre a criação de um museu histórico da Ponte e um restaurante panorâmico com vista para toda a estrutura.
Segundo Mondo, “essas ideias, depois, elas foram validadas com dez especialistas em turismo e a gente e a gente chegou num rol de possibilidades que foram reunidas e apresentadas tanto ao governo do Estado como pro governo municipal de Florianópolis”.
O professor alerta que não foram feitos estudos de viabilidade técnica, financeira ou ambiental e que a pesquisa apresenta apenas sugestões. Já a Prefeitura de Florianópolis disse que recebeu o relatório com bons olhos.
“O coordenador da pesquisa já nos apresentou essa pesquisa e vai apresentar ao Conselho Municipal de Turismo também. Em paralelo a isso, desde meados deste ano, há um grupo de trabalho entre governo do Estado e Prefeitura para debater não só a utilização turística da Ponte Hercílio Luz, mas todo o entorno da Ponte, inclusive para o turismo. Certamente, a partir dos subsídios que a pesquisa está nos dando, nós vamos poder balizar ainda melhor as decisões”, afirmou o superintendente de Turismo de Florianópolis, Vinícius de Lucca.
Ideias novas são sempre bem-vindas, mas na prática quem utiliza a Ponte e as cabeceiras para o lazer não tem acesso nem à estrutura básica. Os banheiros instalados na cabeceira insular, por exemplo, estão trancados. O contrato com a empresa que fazia a manutenção do local terminou em setembro deste ano e até o momento não foi lançado um novo edital.
Enquanto isso, quem faz a manutenção dos banheiros são dois estabelecimentos da região e apenas clientes podem utilizar a estrutura.
“Eu tô vindo aqui pelo menos três vezes na semana e sempre tá fechado. Como eu trabalho com turismo, às vezes a gente para com a van perto do banheiro até para os passageiros usarem. Então, tá bem complicado, principalmente aqui no Parque da Luz que o pessoal pede para parar muito para conhecer a Ponte”, contou o empresário João Batista.
Sobre a reclamação, o superintendente de Turismo da Capital afirmou que já tem data para o problema ser solucionado: “Nosso contrato acabou em setembro e nós fizemos o processo um pouco antes disso. No dia 2 de dezembro, vai acontecer o pregão de licitação para resolver essa situação.”
Com os resultados da pesquisa, novas ideias foram apresentadas e serão analisadas. Até porque a importância e o potencial desse cartão postal de Florianópolis são gigantes e devem ser observados com olhar atento, principalmente para não deixar de fora quem também vive nessa região.
O vice-presidente da Aapluz (Associação dos Amigos do Parque da Luz), Carlos Cezar Stadler, ressaltou justamente isso. “Turismo é fundamental. Quando se tem ali o turismo e a população, nós temos que ter esse equilíbrio de atender muito bem o turista — é a vocação de Florianópolis. Para isso, nessas áreas de apoio o que pode ser feito. Talvez no modelo que é feito ali na Beira-Mar, comércios nos finais de semana de uma forma organizada que recepcione bem o turista e atenda a população local”, avaliou.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.