Pesquisa mostra insatisfação de moradores com saneamento e mobilidade nos bairros do Leste

09/07/2022 às 15h00

Região com paisagens consideradas paradisíacas enfrenta dificuldades e clama por atenção no Plano Diretor

Lorenzo Dornelles Florianópolis

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O Leste de Florianópolis é um famoso “reduto” procurado por moradores e visitantes que buscam sossego em locais calmos e repletos de belezas naturais.

Os três bairros que formam a região – Lagoa da Conceição, Barra da Lagoa e Costada Lagoa – estão entre os destinos turísticos mais visitados da Capital.

Cenário tão encantador que muitos desses visitantes decidem ficar por lá mesmo.

Mobilidade urbana e gestão dos espaços públicos na Lagoa da Conceição são temas reprovados pelos moradores – Foto: Leo Munhoz/NDMobilidade urbana e gestão dos espaços públicos na Lagoa da Conceição são temas reprovados pelos moradores – Foto: Leo Munhoz/ND

A procura tem aumentado em toda região, que de acordo com a estimativa da Prefeitura de Florianópolis, deve chegar a 21,6 mil habitantes em 2023.

No início do século, cerca de 14 mil pessoas moravam fixamente nessa área. O bairro da Lagoa da Conceição pode ser considerado como o ‘coração’ da região.

O presidente da AmoLagoa (Associação de Moradores da Lagoa da Conceição), Bruno Negri, relembra as origens do bairro, até o plano de ocupação nos anos 70, para ilustrar a histórica procura pelo “lugar paradisíaco” da cidade.

Segundo ele, no entanto, esse grande atrativo acabou se tornando também a principal preocupação dos moradores, visto que o crescimento tem sido de forma desorganizada.

Uma pesquisa realizada no último trimestre de 2021 ouviu as maiores “dores” dos habitantes do bairro.

Saneamento, mobilidade e gestão de espaços públicos foram apontados como as principais queixas.

Dos mais de 100 moradores ouvidos, 58,3%classificaram o saneamento básico do bairro como ‘péssimo’, enquanto 37,9% avaliaram como ‘ruim’ a gestão dos espaços públicos da Lagoa da Conceição.

O presidente da associação destaca que, além da atenção nas alterações dentro da legislação do Plano Diretor, uma prioridade no bairro é de que as regras sejam seguidas e fiscalizadas.

“Temos um saneamento preocupante, o aumento de densidade populacional em construções já existentes, o avanço de construções irregulares, totalmente à margem do que preceitua o Plano Diretor. Nem mesmo a prefeitura respeita o Plano Diretor, vide projeto da nova ponte”, reclama.

Projeção estimada pelaGerência de inteligência/SMS,em 2020, durante as ações deenfrentamento à Covid-19. – Foto: GráficoProjeção estimada pelaGerência de inteligência/SMS,em 2020, durante as ações deenfrentamento à Covid-19. – Foto: Gráfico

Moradores da Barrada Lagoa pedem mais atenção do poder público

A Barra da Lagoa é uma das “queridinhas” de todo turista ou até mesmo dos moradores de Florianópolis.

As características privilegiadas da pequena comunidade que conta com vários elementos típicos da tradição portuguesa e da cultura da pesca também atraem cada vez mais novos habitantes fixos no bairro.

Segundo o morador e integrante do Conselho Comunitário da Barra da Lagoa, Hamilton Fernandes dos Santos, o local já deixou de ser apenas um balneário, e “passou a ser um bairro residencial com aumento considerável de população”.

Hamilton reforça que o bairro ainda preserva suas características, mas já sente a influência da procura de novos habitantes – que vêm de todas as regiões do Brasil e também de países vizinhos.

“A procura por vagas nas creches e escolas tem aumentado a cada ano. O posto de saúde também reflete o aumento da população local, sendo que a busca por atendimento em várias especialidades sobe a cada dia”, diz.

O problema, segundo ele, é que apesar do notável crescimento populacional, os moradores sentem que a atenção dada pelo poder público ao bairro deixa a desejar.

“A Barra da Lagoa tem um grande potencial, mas está esquecida”, reclama.

Com isso o morador reforça a necessidade de voz e participação da comunidade durante a revisão do Plano Diretor.

“Discutem o Plano Diretor em quatro paredes… assunto é o que não falta no bairro, mas não temos representantes que defendem melhorias básicas para os moradores da Barra da Lagoa”, conclui.

Costa da Lagoa precisa renovar estrutura

Sua beleza intacta é resultado da preservação ambiental, cultural e do acesso restrito à região.

Para chegar até a Costa da Lagoa são necessárias embarcações ou trilhas, mas o fato não aborrece os moradores. Segundo o presidente da Associação de Moradores da Costa, Volnei Valdir Andrade, é importante manter as características do local, pois a comunidade tradicional, em sua maioria, vive do turismo e da pesca.

A única questão em mobilidade apresentada pelos residentes da região, são os pontos de embarque: “Precisamos de uma reforma com urgência porque a demanda aumentou” ressalta.

Com o aumento populacional, as embarcações precisaram acompanhar a ascensão, os barcos ficaram maiores, para até 80 pessoas. No entanto, os pontos foram construídos na época em que os barcos apresentavam estrutura inferior.

Apesar do cenário admirável, a comunidade enfrenta problemas de saneamento básico e rede de esgotos.

“Falta completar a parte de rede de esgoto, que devido essa maré cheia os resíduos vão para a lagoa onde não tem a rede esgoto, já estamos com 60% da rede, o restante ainda falta”, afirma.