A notícia da construção de um túnel subaquático entre Itajaí e Navegantes pode ser surpresa para algumas pessoas, mas o projeto de mobilidade urbana da Foz do Rio Itajaí, que inclui o túnel, vem sendo estudado desde 2015.
O projeto é ousado e gera muitas dúvidas. Uma das mais comuns é o motivo de construir um túnel submerso e não uma ponte sobre o rio Itajaí-Açu.
Túnel sob o Rio Itajaí-Açu deve ligar Navegantes e Itajaí – Foto: AMFRI/ReproduçãoMas segundo Paulo Bornhausen, idealizador e presidente do Conselho Consultivo InovAmfri/Cim-Amfri, fazer uma ponte não seria mais fácil, nem mais rápido e ainda atrapalharia o fluxo dos portos.
SeguirPara que a ponte não atrapalhasse ou colocasse um limite de altura aos navios, seria necessário que ela tivesse uma altura muito acima do nível do rio, tornando o projeto caro e praticamente inviável.
O túnel subaquático é, para Bornhausen, a opção mais vantajosa para o propósito que tem, de melhorar a mobilidade urbana entre as cidades de Itajaí e de Navegantes, cuja travessia hoje só é possível ser feita através de balsa.
Túnel subaquático Itajaí-Navegantes tem primeiras imagens reveladas – Foto: Reprodução/Cronic DigitalProjeto de mobilidade
O túnel é apenas um dos aspectos do projeto de mobilidade que deve integrar todas as 11 cidades da foz do Rio Itajaí-Açu. Outra parte do projeto é um sistema integrado de transporte público, que deve possibilitar o transporte rápido e eficiente entre todos os municípios.
Estudos prévios também uma tarifa entre R$ 5 e R$ 10 para o transporte coletivo regional, dependendo do número de integrações.
Pedágio
Atravessar o túnel subaquático só deve ser possível a partir de 2028, segundo a projeção do InovAmfri/Cim-Amfri, e para fazer a travessia será preciso pagar um pedágio. Mas Bornhausen afirma que o valor a ser pago não deve ser mais que o cobrado atualmente para fazer a travessia de ferry boat.
Túnel subaquático Itajaí-Navegantes tem primeiras imagens reveladas – Foto: Reprodução/Cronic DigitalA travessia deve ser instalada no bairro Imaruí, na parte de Itajaí, e entre o Centro e o São Domingos, na parte de Navegantes. A estrutura deve ser instalada abaixo da calha do rio, para não atrapalhar o fluxo de navios no complexo portuário de Itajaí e Navegantes.
Para acessar o túnel, conforme a Amfri (Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí), o motorista teria que pagar uma tarifa que pode variar entre R$ 4,50 e R$ 10, dependendo do veículo.
Essa tarifa não está fixa, e estaria baseada em um estudo prévio da CIM-AMFRI (Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Amfri). Este estudo foi feito antes da estruturação do financiamento, que ainda depende da aprovação do legislativo dos três municípios e do Senado Federal, vai começar em janeiro de 2022, assim como os projetos definitivos das obras, modelagem jurídica da concessão e estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental.
São só estes estudos que vão definir os números dos investimentos e as tarifas a serem aplicadas no sistema de transporte público e pedágio do túnel.
Os mesmos estudos prévios também apontam uma tarifa entre R$ 5 e R$ 10 para o transporte coletivo regional, dependendo do número de integrações.
Aprovação prévia para empréstimo
O polêmico túnel submerso do rio Itajaí-Açu, que vai ligar Itajaí a Navegantes, recebeu a aprovação inicial para o empréstimo que pode custear parte da obra.
A Cofiex (Comissão de Financiamento Exterior) do Ministério da Econômia aprovou a Carta Consulta apresentada pelo CIM-AMFRI para a implementação das ações previstas no projeto.
O empréstimo, proveniente do BIRD (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento), será de US$ 90 milhões – mais de R$ 516 milhões -, além de US$ 30 milhões (R$ 172 milhões) equivalente à contrapartida do financiamento, devendo ser amortizados em 25 anos.
Ao todo, de investimentos públicos, serão 120 milhões de dólares, ou seja, mais de R$ 688 milhões. Outra parte do projeto, mais de US$ 240 milhões (mais de R$ 1,3 bilhões) serão provenientes de investimentos privados.
O projeto é composto de três elementos principais: o Sistema de Transporte Coletivo Regional (STCR/AMFRI), o túnel submerso entre Itajaí e Navegantes e a Mobilidade Ativa na Orla Central de Balneário Camboriú.