Uma nova resolução publicada pelo Porto de São Francisco do Sul, no Litoral Norte de Santa Catarina, altera a ordem de atracação de navios no porto catarinense. A mudança, que passa a valer a partir de outubro, foi anunciada após reclamações do setor de fertilizantes e indústria.
Porto de São Francisco muda regras sobre ordem de atracação – Foto: Porto de São Francisco do Sul/DivulgaçãoAtualmente, as normas do Porto de São Francisco do Sul asseguram a atracação preferencial de navios carregados com fertilizantes: são três navios seguidos do setor para um navio com mercadoria de outro segmento, como a metalmecânica.
Contudo, com a nova resolução do porto, a ordem de atracação muda. A partir de outubro, atraca antes o navio que entra no porto primeiro, isto é, a atracação passa a obedecer uma ordem cronológica. Tudo isso a partir da formalização dos horários em um documento oficial.
SeguirCaso os navios cheguem ao mesmo tempo, atraca primeiro a embarcação que obedeça a alguns critérios. Em ordem de prioridade, são eles: plano de carga que possibilite o menor tempo de atracação, carga totalmente liberada, disponibilidade de pessoal e equipamentos, características da carga e prancha mínima, e confirmação que os terminais da retroárea estão aptos a receber ou expedir a carga do navio, mantendo a produtividade mínima exigida.
Mudança na ordem de atracação foi anunciada após reclamações
A nova resolução foi publicada após reclamações de diferentes segmentos. Primeiro, empresários ligados ao setor de fertilizantes relataram dificuldades estruturais no porto que estariam prejudicando a chegada do produto a Santa Catarina.
“A prática mostra que o setor de fertilizantes tem sido o mais penalizado. Há necessidade urgente de revisar a regulamentação do uso dos terminais, a fim de que não haja prejuízo para a cadeia do agro”, destacou Ivan Ramos, diretor executivo da Fecoagro em publicação recente.
Por outro lado, a Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) enviou ofício à Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) manifestando preocupação com a operação. No documento, a entidade aponta que a priorização de fertilizantes pode levar ao desbalanceamento da operação portuária, impactando negativamente todo o ecossistema econômico.
Um dos principais problemas relatados é a limitação do berço 201, que não consegue receber navios com mais de 200 metros, os mais utilizados para cargas de fertilizantes. Segundo o Porto de São Francisco do Sul, o tempo médio de espera para atracação em 2024 é de 12 dias.
A direção do porto informou que estão previstas obras de recuperação deste berço para permitir a retomada das operações de navios com 225 metros. Contudo, há discussão sobre a necessidade de reforçar o cais para operar com um determinado tipo de guindaste e, por isso, pode haver necessidade de atualização no projeto de recuperação.
*Com informações de Márcio Falcão, repórter da NDTV Record.