O trapiche da Praia da Saudade, em Coqueiros, está interditado há oito anos. A estrutura está cedendo e, segundo os moradores da região continental de Florianópolis, pode desabar a qualquer momento. Mas uma solução está próxima. Há previsão de que uma licitação para a construção de um novo trapiche seja lançada ainda esta semana.
Após 8 anos, Praia da Saudade em Florianópolis deve ganhar novo trapiche – Foto: Leo Munhoz/NDPara o engenheiro Roberto Boell Vaz, que é morador da região, “não precisa ser nenhum técnico pra ver onde mora o perigo. O perigo tá ali. A estrutura pode ruir a qualquer momento. Se tiver alguém em cima ou embaixo, com certeza, nós teremos uma catástrofe. Então, isso aqui já é uma catástrofe anunciada”.
Dos mais de 860 m² que envolvem toda a estrutura do trapiche da praia da saudade, os pilares da estrutura são o ponto mais crítico. Dá para perceber que a viga de ferro já oxidou e a base de concreto começou a cair. Um perigo não só para o trapiche, que é uma estrutura tão importante para a região, mas também para quem passa pesca ou vive próximo ao local.
O engenheiro Roberto fez um estudo sobre as condições da estrutura e afirmou que a possibilidade dela desabar caso não seja revitalizada é bastante alta.
“Aquele pilar já não está somando nada à estrutura. A sustentação que ele faria para segurar a estrutura não existe mais. Ela só não caiu porque a viga em cima tá suportando e os pilares laterais absorveram esse esforço daquele pilar”, explicou Vaz.
Além das condições físicas, há também a preocupação com a história do local. Para quem acompanhou os anos de ouro da Praia da Saudade, quando a orla era movimentada, e viu o trapiche sediar momentos únicos na história da Capital, fica difícil aceitar a situação em que a estrutura se encontra.
Segundo o presidente do Codecon (Conselho de Desenvolvimento do Continente), Dalton Malucelli, a Praia da Saudade “era a praia da moda nos anos 1970. Então, esse trapiche já tem uma idade bem avançada. É um patrimônio cultural e um patrimônio da região mesmo”.
Malucelli acredita que “chegou ao ponto que está hoje por alguma negligência. Então, que se apure. Negligência de quem? Quem são os responsáveis? E que se aponte também o caminho que vai se tomar para revitalizar e para que a gente tenha esse equipamento para uso da população”.
Para o secretário de Infraestrutura da Capital, Valter Gallina, a demora das obras no local pode ser explicada por uma série de motivos, principalmente por conta de embargos judiciais.
“O MPF (Ministério Público Federal) entrou com uma ação. Nós não podíamos fazer nada na orla de Coqueiros. Ganhamos uma liminar que poderíamos trabalhar ali. Tivemos muita dificuldade, que os insumos eram através do dólar e com a inflação galopante tivemos várias licitações que deram desertas, inclusive desse trapiche”, afirmou Gallina.
Agora, com o caminho liberado e com a cobrança da população, o secretário afirma que a licitação para a reconstrução do trapiche vai ser lançada ainda essa semana.
Segundo Gallina, a ideia é fazer “um trapiche totalmente novo, que fique completamente concluído em 240 dias. Essa é a nossa expectativa e é isso que nós vamos fazer”.
Para as obras estão separados R$ 2,5 milhões. O secretário Gallina ainda afirmou que toda a orla de Coqueiros vai ganhar cara nova e que um edital de revitalização, no valor de R$ 4 milhões, também está sendo preparado.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.