Quem visitar a praia de Jurerê, em Florianópolis, na próxima temporada deve dar de cara com uma nova praia. Isso porque a prefeitura lançou o edital de licitação para o alargamento da faixa de areia. A expectativa é que tudo esteja pronto ainda este ano.
Praias de Florianópolis devem ter novas faixas de areia para a próxima temporada de verão – Foto: Divulgação/Jurerê_inA fama de Jurerê ultrapassa fronteiras. O local que recebe turistas de várias partes do mundo está prestes a ganhar um novo visual. A faixa de areia, que hoje é inexistente em alguns pontos da praia, promete ganhar uma cara nova. O que vai agradar a Dona Guiomar Ritter. A aposentada mora há quase 30 anos na Ilha e sempre que pode vem até a orla dar uma voltinha, mas tem dias em que isso não é possível.
“Tem dias que o mar fica bem alto, a maré fica bem alta e a gente tem dificuldade de chegar até onde a gente quer. É uma praia muito procurada, é uma praia linda e é necessário porque a faixa de areia tá muito pequena e não vai suprir a necessidade no verão”, relatou Guiomar.
O músico Reinaldo Wellington também acredita que o alargamento é necessário: “Geralmente, no dia a dia, a maré sobe bastante e tem vezes que bate no muro e fica espaço de 1 metro de areia.”
E falando em temporada, quem for visitar a praia de Jurerê no próximo verão deve curtir uma praia nova. Segundo o secretário de Infraestrutura de Florianópolis, Valter Gallina, a prefeitura “já lançou a licitação, vai abrir no final do mês de março. Se até lá correr tudo bem, nós vamos poder assinar o contrato no mês de maio”.
As obras devem começar em agosto deste ano. Após a conclusão dos trabalhos, a expectativa é que a nova faixa de areia de Jurerê tenha de 30 a 35 metros de extensão. Trazendo assim mais comodidade para quem vem curtir a praia.
“Um investimento desse se paga em quatro anos. Ou seja, não existe maior investimento para o desenvolvimento da economia como uma obra como essa. Além do aumento do lazer,da melhoria da qualidade de vida dos moradores e pros frequentadores daqui”, disse o secretário de Infraestrutura.
O engordamento deve ser feito em 3,3 km da praia. O custo total da obra deve chegar aos R$ 25 milhões. O local de onde a areia deve ser retirada também já foi definido.
De acordo com Gallina, foi encontrada “uma jazida com a mesma coloração e com a mesma granulometria da areia aqui da praia numa distância bem legal, de 1.350 metros. Isso vai ajudar até a tornar a obra mais célere. Temos a convicção da efetividade e da eficácia dessa obra”.
Além dos banhistas, os comerciantes da região estão na expectativa pela obra. Fernando Fader Sper trabalha com sorvete há 28 anos. Este ano, ele abriu uma loja em Jurerê e espera que o alargamento faça o fluxo de clientes crescer ainda mais.
“Você oferecer uma condição melhor pra que as pessoas possam chegar no lugar, estarem confortáveis pra poder ir pra praia, pra poder trazer a família. Isso vai atrair mais público, vai trazer mais pessoas. O alargamento da faixa de areia é algo que vai ser de fundamental importância para nós aqui”, disse o proprietário da sorveteria.
Esta não é a única obra de alargamento planejada para o Norte da Ilha. Outra famosa praia da região também vai receber melhorias: “Já lançamos a licitação. Temos um trabalho para que até o final do mês de maio a gente possa assinar o contrato com a empresa”, disse Gallina.
Paulo Horta é professor de Oceanografia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). De acordo com ele, uma obra como esta deveria ter sido mais debatida.
“A sociedade tem que ter clareza de que não é só um ganha-ganha. Existem alguns aspectos negativos que precisam ser considerados e, o que é mais importante, as causas da necessidade do alargamento que precisam ser consideradas. A partir dessa discussão, aí sim, a sociedade em conjunto com o poder público encontrar as melhores soluções”, afirmou o professor.
Apesar dos apontamentos, o pesquisador afirma que a obra é necessária: “O alargamento como um instrumento de proteção da infraestrutura, proteção até de algumas propriedades, ele é importante. Ele precisa ser colocado como uma alternativa, mas como ele está sendo colocado sem uma discussão sobre suas causas é complicado”
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.