Um projeto piloto deve trazer um barco elétrico para ser usado no transporte aquaviário de pessoas em Florianópolis. A embarcação, projetada para a travessia entre a Ilha de Santa Catarina e o Continente, será adaptada para atender a demanda da Lagoa da Conceição, onde as atuais 28 embarcações usam diesel para o funcionamento do motor.
Barco elétrico que deve ser usado no transporte aquaviário em Florianópolis – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV“A Lagoa hoje vem sofrendo muito com esses crimes ambientais que estão acontecendo. Então, visando isso, a gente viu a necessidade dessas embarcações com motores elétricos”, explicou o presidente da Cooperbarco (Cooperativa de Barcos Autônomos da Costa da Lagoa), Volnei Valdir Andrade.
De acordo com a cooperativa, o gasto com diesel em cada viagem é de R$ 150. Com o motor 100% elétrico, o custo, incluindo a manutenção, pode reduzir em até 80% e futuramente diminuir o preço da passagem.
Segundo Andrade, “desde que o custo operacional reduza, com certeza, consequentemente, vai reduzindo a tarifa. E a gente também vai trabalhar esse barco como turismo, com grandes redes de hotéis que queiram fazer um passeio diferenciado na Ilha, que hoje não tem. Conhecer a Costa da Lagoa durante o dia ou à noite, até mesmo a Barra da Lagoa”.
Atualmente, os barcos do transporte lacustre de Florianópolis não têm banheiro. O modelo elétrico vai contar com uma estrutura de sanitário e, além disso, vai permitir o acesso com cadeiras de rodas, proporcionando mais conforto. Outra vantagem é que o motor elétrico é silencioso.
O projeto piloto foi batizado de Carapeva. É uma parceria entre a Cooperbarco e uma empresa de Itajaí que projeta embarcações totalmente elétricas. Inicialmente, o protótipo para 30 passageiros, custaria R$ 700 mil, valor que será reavaliado por causa da ampliação da capacidade para 50 pessoas sentadas.
De acordo com o diretor técnico da empresa Lamarca Engenharia, Sérgio Lamarca, “os barcos elétricos não consomem qualquer combustível fóssil. Você recarrega as baterias na rede de energia elétrica pública”.
Segundo a empresa, o projeto se pagaria em 5 anos só com a substituição do diesel pela eletricidade. O crédito de carbono gerado pela diminuição de gases na atmosfera também poderia ser comercializado.
“O que a gente pode já dizer é que a gente deixa de jogar 150 toneladas de carbono por ano numa embarcação totalmente elétrica, comparando a uma com combustível fóssil”, ressaltou Lamarca.
O prazo para construção do barco elétrico é de seis meses. A Cooperbarco vai lançar o projeto no dia 15 de outubro e busca parceiros para transformar a ideia em realidade. Se tudo der certo, Florianópolis pode ter a primeira operação comercial de transporte de passageiros em barco 100% elétrico no Brasil.
Saiba mais sobre o barco elétrico na reportagem do Balanço Geral Florianópolis!