Para realizar a manutenção deste patrimônio municipal, a Prefeitura da Capital realizará uma revitalização completa – Foto: DivulgaçãoCenário ideal para fotos no Centro da Capital, refúgio de apaixonados e um elo centenário com o passado da Ilha de Santa Catarina. Até poderes sobrenaturais já foram atribuídos à velha Figueira, um dos símbolos de Florianópolis, imortalizada nos versos do “Rancho de Amor à Ilha”, do poeta Zininho.
Mas com 150 anos, a majestosa árvore pede cuidados. Para realizar a manutenção deste patrimônio municipal, a Prefeitura da Capital realizará uma revitalização completa, que inclui o manejo arbóreo e tratamento fitossanitário da tradicional árvore.
Esse trabalho já começou a ser realizado pela empresa Arboran, com a escalada para avaliação da copa, poda emergencial de galhos secos ou podres, estudo de percepção da população sobre a espécime, além da coleta de folhas e solo para análise. As análises foliar e do solo, que tiveram início neste mês, terão continuidade em setembro deste ano.
De acordo com a prefeitura, é realizado no momento o alinhamento dos materiais e equipamentos necessários para a revitalização, além do diagnóstico fitossanitário e as análises foliar e do solo. Ainda referente à primeira etapa do trabalho, está prevista a tomografia da árvore.
A segunda etapa consiste no tratamento, que será realizado em setembro e outubro, quando além da poda, será feita a trituração de resíduos e o preparo do mulching (técnica que se caracteriza por fazer coberturas no solo ao redor das plantas para protegê-las), a nutrição líquida e foliar, remoção das pedras do canteiro e aplicação do mulching, tratamento de cavidades e a produção de mudas.
Cálculo estrutural e serviços ecossistêmicos
Na terceira etapa, prevista para novembro, será feito o cálculo estrutural da figueira, quando serão avaliadas as escoras atuais e realizados os cálculos estruturais com modelos matemáticos e a resolução da sustentação da árvore por escoras e/ou cabeamento.
A quarta etapa, que compreende os serviços ecossistêmicos, já começou a ser executada e deverá se estender até 2024. Ainda neste mês, começaram a ser realizadas a valoração ambiental, social e história da Figueira, além do estudo de percepção com a população de Florianópolis. Outras ações previstas nessa serão o estudo de DNA da árvore, que terá início em dezembro deste ano, além do monitoramento da Figueira, que será feito por meio das análises foliar e do solo em 2023 e 2024.
A figueira receberá cuidado especializado, de modo a identificar e melhor suprir as necessidades da árvore. Assim esperamos garantir sua vida e presença no cotidiano da cidade por mais centenas de anos”, destaca a superintendente da Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis), Beatriz Kowalski.
Em 1871, o então Largo da Matriz recebeu a pequena árvore que se transformaria num dos principais símbolos de Florianópolis – Foto: DivulgaçãoBom estado de saúde
De acordo com o engenheiro florestal Charles Coelho, que participou da primeira análise da figueira, neste mês, foi feita uma vistoria para avaliar qual é o estado da planta e a análise inicial da equipe apontou que Figueira ainda está em bom estado de saúde, mas precisa de uma atenção especial. “É necessário fazer uma poda, a limpeza, avaliar onde tem as escoras nos galhos, tirar o cimento que foi utilizado, que está com muita umidade, fazer uma raspagem e uma boa adubação”, afirmou o especialista.
De rapel, os profissionais avaliaram cada galho e fizeram apenas a poda necessária. A última revitalização da figueira aconteceu há quase uma década, “Em 2014, houve um diagnóstico completo e um trabalho bem bacana. Naquela época, realmente foi dado um cuidado grande, inclusive com a troca das escoras e algumas podas. De lá para cá, sempre fizemos o manejo. Quando tem algum galho mais proeminente, podamos”, explica Beatriz Kowalski.
Mais sobre a velha Figueira
Em 1871, o então Largo da Matriz recebeu a pequena árvore que se transformaria num dos principais símbolos de Florianópolis: a velha figueira. A muda veio do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, junto com as palmeiras reais, que ainda se encontram na área.
Afigueira foi inicialmente colocada na frente da Catedral Metropolitana e, em fevereiro de 1891, replantada no local onde está até hoje, no coração da Praça XV de Novembro. Para isso, foi aberta uma grande fossa de 20 metros, que recebeu a árvore, decepada pela poda, mas sem que lhe fossem sacrificadas as suas raízes. O transporte foi feito em carretão, puxado por duas juntas de boi.
As informações são do livro “Praça XV – Onde tudo acontece”, do pesquisador Cesar do Canto Machado.
Em 2014, ela recebeu uma restauração geral, que retirou plantas e fungos que estavam prejudicando a figueira, e agora, passa por outro minucioso trabalho de manutenção e cuidados.