Rio Vermelho é, novamente, um dos bairros mais castigados pela chuva em Florianópolis

Localizado no Norte da Ilha, bairro passa por obra de macrodrenagem em seis ruas, o que traz esperança de um futuro melhor na comunidade que, historicamente, enfrenta alagamentos quando chove

Nícolas Horácio Florianópolis

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Ninguém gosta disso, mas no último domingo, o vigia Leandro Delfino, 25 anos, chegou ao trabalho com os pés molhados. A rua dele, no Rio Vermelho, Norte da Ilha, foi uma das 42 que alagaram com os 225 milímetros de chuva que encharcaram Florianópolis de quarta-feira (4) a domingo (8).

Morador enfrentando a chuva em FlorianópolisLeandro enfrentando o alagamento para ir trabalhar – Foto: Leo Munhoz/ND

O vigia mora há três anos no bairro e ‘caos’ foi a palavra que usou para resumir a condição da via onde mora. Para chegar ao serviço, percorreu mais de 20 quilômetros com os pés molhados, de ônibus, até o Itacorubi.

Ele e outros tantos moradores da Capital sofreram, mais uma vez, com a grande intensidade de chuva. Além das dezenas de ruas alagadas, foram sete deslizamentos, dez quedas de muros, dez residências interditadas e 16 desalojados, conforme a Prefeitura de Florianópolis.

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A chuva e a quebra das rotinas

Sem guarda-chuva, o vigia Leandro ficou encharcado nos primeiros minutos após sair de casa para chegar ao condomínio que ajuda a proteger no Itacorubi.

“Lá me troco, tomo uma ducha e ponho uniforme. Tomara que melhore com as obras que estão fazendo, porque estou pensando em me mudar”, lamentou.

O barbeiro Jalaks Souza da Silva, 45, mora na servidão Caminho das Orquídeas, uma das mais alagadas no bairro, após a intensa chuva. Sábado até abriu a barbearia, mas não faturou nada.

Rua alagada no Rio Vermelho após a chuva em FlorianópolisAnderson espera a conclusão da obra na sua rua – Foto: Leo Munhoz/ND

“Fiquei aberto por ficar, porque não tinha como ninguém chegar. Choveu, infelizmente é assim. A nossa sorte é que o caminhão hidrojato vem dar suporte e ameniza, então é agradecer. Infelizmente, não é só a nossa rua”, comentou.

O motorista de aplicativo Aldoir Carvalho Ribeiro, 45, queria ter passado o domingo com a família e o caçula de sete meses, mas saiu para trabalhar porque a prestação mensal do carro vence na terça-feira (10).

A casa dele foi invadida pela água, atingindo cerca de 20 centímetros de parede e a família levantou todos os móveis para não perder nada.

“No Rio Vermelho não dá para trabalhar, só estou aqui porque é a primeira viagem. De 50 ruas, 49 é isso aí”, disse apontando para o alagamento na servidão das Tulipas Vermelhas.

Também motorista de aplicativo, Anderson Rak Moreira, 38, é outro decepcionado com a situação no Rio Vermelho.

“Cada vez que chove, a nossa rua [Maringá] fica alagada. Não tem como sair, levar as crianças para o colégio. Uber não entra aqui. Trabalho no app e é difícil até para mim entrar na rua que eu moro”, descreveu.

Segundo ele, a rua tem licitação para ganhar calçamento e a obra até começou, mas parou do nada e ele não sabe o porquê.

Macrodrenagem e limpeza das vias

A fim de amenizar o histórico de alagamentos no Rio Vermelho, a prefeitura contratou uma empresa para obras de macrodrenagem em seis vias.

Caio Murilo Martins, 41, proprietário da ZM Construções, empresa que executa os serviços, explicou que numa delas o trabalho acabou e que outras serão beneficiadas.

“Todas as ruas ligadas na macrodrenagem estão tendo vazão para a Daria da Rosa, que já recebeu macrodrenagem”, disse.

“Nas ruas contempladas no contrato será feito calçamento e microdrenagem. As que não estão contempladas, estamos deixando espera para futuramente fazer calçamento e ligação na macrodrenagem”, completou.

O contrato termina em 12 meses e a expectativa é que até fevereiro de 2024 não tenha nenhuma galeria no Travessão e estejam todas instaladas, segundo Caio.

Calçada improvisada na Servidão das Gérberas – Foto: Leo Munhoz/NDCalçada improvisada na Servidão das Gérberas – Foto: Leo Munhoz/ND

Na servidão das Gérberas, outra rua alagada, a intendência, comandada por Erivaldo Bastos, o Peri, utilizou uma retroescavadeira para improvisar um acesso de pedras e permitir a passagem de pedestres. O tráfego de veículos não foi comprometido, mas impôs um certo risco.

Segundo Peri, a via está ganhando pavimentação, mas o trabalho está na metade e deve ser concluído entre seis a oito meses. O intendente descreveu a situação do bairro como complexa e preocupante.

“Graças a Deus, nesses três, quatro dias de chuva ninguém ficou desabrigado, porque estamos com três caminhões hidrojato atacando as piores ruas. Viemos diariamente, antes da chuva, limpar galerias e bocas de lobo. Em algumas casas entrou água, mas não foi pior por causa da prevenção”, afirmou o líder comunitário.

O Rio Vermelho teve três equipes nos hidrojatos domingo; este na servidão das Orquídeas tem capacidade para 18 mil litros e fez 15 viagens. – Foto: Leo Munhoz/NDO Rio Vermelho teve três equipes nos hidrojatos domingo; este na servidão das Orquídeas tem capacidade para 18 mil litros e fez 15 viagens. – Foto: Leo Munhoz/ND

No resto da cidade, a chuvarada da semana também provocou rompimentos em sistemas de drenagem em cinco locais: Pantanal, Caieira, Saco do Limões e Ingleses, na Ilha, além de Jardim Atlântico, no Continente. A previsão aponta para uma melhora no tempo a partir desta segunda-feira (9), mas a Defesa Civil segue monitorando as ocorrências.

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