Sem comida, roupas e móveis: moradores do Rio Tavares relatam estragos das chuvas

"Acordei achando que ia fazer exame e meu marido ia trabalhar, quando ele disse 'Susi, está entrando água na casa'"

Foto de Ana Schoeller e Nicolas Horácio

Ana Schoeller e Nicolas Horácio Florianópolis

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O cenário na casa de Susiani Martis, cozinheira desempregada moradora do Rio Tavares, em Florianópolis, era de água até o joelho e móveis “erguidos”. A ação para salvar o pouco que restou do local foi realizada após as chuvas causadas pela passagem de um ciclone extratropical em Santa Catarina nesta quarta-feira (10).

Chuva intensa na Servidão Beira Rio no bairro Rio Tavares – Foto: Nicolas Horácio/Divulgação/NDChuva intensa na Servidão Beira Rio no bairro Rio Tavares – Foto: Nicolas Horácio/Divulgação/ND

“Hoje eu perdi leite, perdi arroz, feijão, perdi a minha pia, perdi o meu roupeiro também porque pegou água”, conta a cozinheira.

A casa tem três moradores: Susiani, seu marido e a pequena Geovanna, de cinco anos, filha do casal. A localização do imóvel é na Rodovia Francisco Magno Vieira, onde era possível ver água acima do joelho na tarde desta quarta-feira (10).

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Segundo a moradora, a água começou a subir em sua casa por volta das 6h. Próximo a este horário, seu cunhado foi até sua casa ajudá-la a “levantar” os móveis da casa.

Sem saber

A cozinheira relata que estava em sua rotina quando tudo aconteceu. Ela conta que, se tivesse alguma ideia da situação, poderia ter se precavido.

“Eu iria fazer um exame e ele (o marido) iria trabalhar. Ele me levantou e disse: ‘levanta Susi, está entrando água na casa'”, conta.

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    Moradora mostra como ficou sua casa após fortes chuvas - Nicolas Horácio/Divulgação/ND
    Moradora mostra como ficou sua casa após fortes chuvas - Nicolas Horácio/Divulgação/ND
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    Moradora perdeu comida, móveis e roupas - Nicolas Horácio/Divulgação/ND
    Moradora perdeu comida, móveis e roupas - Nicolas Horácio/Divulgação/ND
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    Cozinheira precisou levantar os móveis para que a água não pegasse em mais itens - Nicolas Horácio/Divulgação/ND
    Cozinheira precisou levantar os móveis para que a água não pegasse em mais itens - Nicolas Horácio/Divulgação/ND

Rio entupido

“Eu já não sei mais o que fazer, sinceramente. A gente está lutando para essa drenagem do rio [ela refere-se ao rio que corta o bairro Rio Tavares]. Ele está entupido, muito mato, essas coisa”, denuncia.

De acordo com a moradora, a situação de entupimento do rio ocorre há cerca de quatro anos. Ela conta que os moradores já fizeram até uma passeata cobrando medidas do poder público. Ela diz que nenhuma providência foi tomada.

A Prefeitura de Florianópolis respondeu em nota que limpou recentemente todos os rios e valas da região do Rio Tavares, trabalho que é realizado permanentemente.

Trabalhador retorna para casa

O ajudante de pedreiro Arnaldo Evânio Artuzo, de 30 anos, estava voltando para casa quando encontrou sua rua completamente alagada.

O cenário era de água até os joelhos e, segundo Arnaldo, isso é muito comum. O registro foi feito na Servidão Beira Rio, também no Rio Tavares.

“Toda vez que chove alaga. É bem normal. A casa não costuma alagar, mas a rua alaga direto”, explica.

Ele é morador há um ano no local e, neste período, descreve que pelo menos quatro vezes o cenário se repetiu.

50 ocorrências

Segundo a Prefeitura de Florianópolis, as fortes chuvas e os ventos que atingiram Florianópolis devido à passagem de um ciclone extratropical entre a noite de terça e durante esta quarta-feira geraram cerca de 50 ocorrências através da central de atendimento 199 da Defesa Civil de Florianópolis.

A Defesa Civil interditou imóveis para garantir a segurança de cinco famílias: 21 pessoas ficaram desalojadas e estão na casa de parentes, recebendo atendimento das equipes da Prefeitura. Não há nenhum desabrigado, segundo a pasta.

Interdições

No bairro Jardim Atlântico, uma casa foi interditada por apresentar precariedade e risco aos moradores, uma família de quatro pessoas. Outra casa, de uma família de cinco pessoas, foi atingida por um deslizamento de terra na Servidão Anselmo Hipólito dos Santos, no bairro Costeira do Pirajubaé. Ninguém ficou ferido e os moradores estão abrigados com parentes.

Outra família com quatro pessoas também teve a casa interditada nesta quarta. O imóvel, que fica na comunidade Nova Trento, foi atingido por árvores que danificaram o telhado do imóvel. Já no bairro Saco dos Limões, duas casas foram interditadas temporariamente. O deslizamento atingiu duas casas e um carro. Oito pessoas foram afetadas e estão na casa de parentes.

Florianópolis segue com alerta máximo para deslizamentos de terra para as próximas horas. O solo está encharcado e a atenção precisa ser redobrada para as famílias que moram em morros ou áreas de encostas, segundo a Prefeitura.

No mar, segue a recomendação para suspender a navegação de todo tipo de embarcação. A média histórica dos últimos 30 anos para o mês de agosto era de 86 mm de chuvas ao longo de todo o mês. Este ano, nesses 10 primeiros dias do mês, o acumulado de chuva já chega a 260 mm.

Previsão do tempo

Após registrar a passagem de um ciclone extratropical, uma massa de ar frio avança sobre Santa Catarina a partir da noite desta quarta-feira (10), mantendo as temperaturas baixas até sexta-feira (12). O fenômeno é também seco, possibilitando tempo firme no Estado.

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