Os servidores municipais de Florianópolis decidiram manter a paralisação deflagrada na última quarta-feira (9). Uma nova assembleia realizada na manhã desta sexta-feira (11) deliberou sobre a manutenção da greve por tempo indeterminado.
Servidores municipais de Florianópolis mantêm greve após nova assembleia – Foto: Sintrasem/Divulgação/NDOs grevistas agora seguem em ato pelas ruas do Centro da Capital. De acordo com o Sintrasem (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis), a prefeitura não enviou proposta e não negocia com os trabalhadores.
A prefeitura de Florianópolis afirma que não há motivo para a greve e considera a mobilização político-partidária. Aderiram à paralisação os trabalhadores da Comcap (Autarquia de Melhoramento da Capital) e parte dos servidores da saúde, da educação e da assistência social.
SeguirGreve ilegal
O movimento foi considerado ilegal pela Justiça na noite desta quinta (10). Além disso, trabalhadores poderão ser multados em R$ 100 mil por dia em caso de descumprimento.
A desembargadora Sonia Maria Schmitz determinou o imediato retorno de todos os servidores da Prefeitura de Florianópolis, bem como proibiu o Sintrasem de fazer tumulto ou constranger servidores para aderir ao movimento.
Em paralelo, o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (DEM), anunciou que, gradativamente, vai terceirizar o serviço de coleta de lixo em todo o município para evitar que novas paralisações prejudiquem a população.
Com a decisão judicial, a prefeitura está autorizada a iniciar descontos salariais de quem não quiser trabalhar.
Reivindicações
O Sintrasem argumenta que os acordos coletivos foram descumpridos pela prefeitura e exige melhores condições de trabalho. No caso da Comcap, entre diversas queixas, o sindicato aponta que a primeira proposta de data-base do município “ataca cláusulas importantes, como a garantia de emprego e a proibição das terceirizações”.
Na área da saúde, servidores expuseram sobrecarga de trabalho, cancelamento de férias e ausência de valorização salarial ou reconhecimento por parte da atuação na linha de frente de combate à pandemia. Eles também reivindicam melhores condições de trabalho.
A categoria dos profissionais da educação exige o pagamento do piso salarial para professores da rede pública. Outra demanda é a transposição de auxiliares para o quadro do magistério e o cumprimento de acordo coletivo assinado pelo Sintrasem.
Por parte dos assistentes sociais, a principal queixa é o sucateamento dos locais de amparo à população vulnerável, como CRAS (Centro de Referência à Assistência Social), CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e casas de acolhimento.
Movimento absurdo
O prefeito Gean, durante entrevista no programa Balanço Geral, classificou a greve como absurda. “Os sindicalistas nem sabem por que estão fazendo greve. Não tem justificativa. Não tem motivo para fazer greve. As terceirizadas realizaram um serviço que custa 40% do custo da da Comcap”, declarou Gean.
Manifestação no Centro de Florianópolis na manhã desta sexta-feira (11) – Foto: Sintrasem/Divulgação/NDSegundo o prefeito, a ideia é avançar com a terceirização para as demais áreas. “E ainda buscam uma adesão pressionando os servidores a paralisar na educação e saúde. Paralisar a saúde, nesse momento de pandemia, não dá para acreditar que eles busquem uma decisão para tentar prejudicar a população”, criticou Gean.
“A paralisação da Educação é o maior absurdo”, tachou Loureiro. O prefeito disse que foi pedido o cumprimento do piso do magistério. “A prefeitura sempre cumpriu. Já vamos pagar o reajuste do piso em breve. Não há motivo para greve. É uma greve político-partidária que prejudica a cidade”, lamentou.