Sócio da Gomes e Gomes nega sumiço após rompimento de reservatório da Casan

Empresário também afirma ter atendido a Casan. Presidente da companhia diz que a Gomes e Gomes “praticamente desapareceu” e sócios se esquivam de perguntas

Daiane Nora, Gabriela Ferrarez e Valeska Loureiro Florianópolis

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Um dos sócios da Gomes e Gomes — construtora responsável pelo reservatório que rompeu em Florianópolis — negou as acusações do presidente da Casan, Edson Moritz Martins da Silva, de que a empresa  “praticamente desapareceu”.

Rompimento do reservatório construído pela empresa Gomes e GomesImagem mostra destruição deixada pelo rompimento do reservatório – Foto: Pedro Perez/Divulgação/ND

Não foi possível localizar o fundador José Roberto Gomes, nem o sócio Luiz Celito de Souza Neto. Por outro lado, o sócio John Clovis Peiker atendeu o telefone e conversou brevemente com o Grupo ND.

Sócio da Gomes e Gomes afirma que empresa atende a Casan e se esquiva de perguntas

Em entrevista telefônica, Peiker disse: “estamos cientes do que aconteceu e procedendo dentro do que é possível fazer”.

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O sócio da Gomes e Gomes ainda negou as acusações de desaparecimento e afirmou que mantém atendimentos para a Casan.

“Fizemos um atendimento nesta segunda-feira, exatamente como fazemos desde o início”, afirmou.

Questionado sobre como o atendimento está sendo feito, o sócio da Gomes e Gomes não respondeu.

“A gente vai se manifestar nos autos. Isso já está em processo. A polícia já está fazendo o papel dela. Ainda estamos transtornados com tudo o que aconteceu e prefiro não me manifestar”.

‘Não se sabe mais nada’, disse presidente da Casan

O presidente da Casan (Companhia de Água e Saneamento), que esteve na Assembleia Legislativa de SC nesta quarta-feira (27), afirmou que a empresa estava falando com a perícia no dia do acidente e que, depois disso, não apareceu mais.

“O diretor da empresa afirmou que apareceu lá [no dia do rompimento], emprestou uma máquina e um caminhão para o conserto”, afirmou o diretor-presidente da Casan, citando entrevistas que leu na imprensa. “De lá pra cá não se sabe mais nada”.

Após a declaração do sócio da Gomes e Gomes, em nota, a Casan reafirmou a falta de apoio da construtora. “A Casan confirma que a empresa Gomes e Gomes não presta o apoio mínimo necessário à Companhia desde o dia do rompimento do reservatório, em 6 de setembro”, afirmou a nota.

Busca pela sede da empresa Gomes e Gomes

Quatro endereços que correspondem como empresas da Gomes e Gomes foram procuradas pelo Grupo ND.

A reportagem esteve, nesta quinta-feira (28), no endereço registrado como a sede da construtora Gomes e Gomes, em São José. A sala no centro comercial, no bairro Areias, estava aparentemente fechada e ninguém respondia ao interfone.

Chamados à porta, uma mulher chamada Milena atendeu e contou que havia alugado a sala comercial há um mês do proprietário Gomes, a fim de instalar o seu negócio de estética.

Em Palmitos, no Oeste catarinense, município onde foi fundada a Gomes e Gomes, o Grupo ND também visitou três endereços registrados no CNPJ da construtora em 14 de setembro.

No endereço da rua Euclides Cunha foi encontrado um pequeno escritório da Gomes e Gomes, que estava fechado e com as persianas abaixadas. Já na rua Independência foi localizado um escritório de contabilidade, mas nada que remeta à empresa.

O último endereço, na Estrada Linha do Meio, não foi encontrado qualquer sinal de uma construtora, sala comercial, edificação ou placa que indique a presença da Gomes e Gomes ou de alguma empresa do gênero instalada naquele endereço.

Rompimento de reservatório afetou quase 500 pessoas

O rompimento do reservatório, construído pela Gomes e Gomes, afetou 497 pessoas, principalmente moradores da comunidade do Sapé, na região continental de Florianópolis, afirmou a Casan.

Os números apontam para 95 veículos atingidos, 186 móveis e 54 imóveis comprometidos. Sete residências precisaram ser demolidas posteriormente. As indenizações somaram R$ 2 milhões até o último dia 20 de setembro.

Investigação está em andamento

A Alesc instalou uma comissão especial para acompanhar as causas do desastre, que se reunirá pela primeira vez nesta terça-feira (3). A 29ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital instaurou um inquérito civil a fim de esclarecer a causa do rompimento.

O MPSC abriu 16 investigações para apurar problemas no fornecimento de água em diferentes bairros de Florianópolis e decidiu abrir um inquérito contra a Casan para apurar a falta de informações aos consumidores, diante das falhas na prestação do serviço.

A Casan afirmou estar contratando uma empresa para fiscalizar os 1.083 reservatórios e estações de tratamento construídos no Estado. Uma comissão formada por quatro engenheiros da companhia está apurando as responsabilidades do acidente.