Trabalhadores da obra do Contorno Viário na Grande Florianópolis paralisaram as atividades na manhã desta sexta-feira (12). Um grupo de funcionários está mobilizado, reivindicando novamente para a empresa Azevedo & Travassos Infraestrutura melhorias nas condições de trabalho. O grupo de funcionários está concentrado em um canteiro de obras, às margens da BR-282, na região do Aririú, em Palhoça.
Grupo de trabalhadores do contorno viário da Grande Florianópolis entra em greve na manhã desta sexta-feira – Foto: Divulgação/NDUm representante dos trabalhadores conversou com o Grupo ND sob condição de anonimato e afirmou que algumas reinvindicações levantadas anteriormente não foram cumpridas na totalidade. Ele cita que o intervalo para visitar os parentes, que antes era de 120 dias e passou para 90 dias, está sendo cumprido. Entretanto, o reembolso para os funcionários atrasa, o que dificulta o retorno para Santa Catarina.
SeguirTrabalhadores pedem melhorias no ambiente de trabalho
Outra exigência levantada pelo representante dos funcionários é em relação as condições dos alojamentos. Segundo ele, não há serviço regular de internet no local. Além disso, os banheiros não são limpos com frequência.
“Não conecta a internet, quando cai o serviço não arrumam. E os banheiros estão sujos, não ‘tá tendo’ ninguém para limpar os banheiros”, afirma.
Outra situação apontada por ele indica que houve a demissão por justa causa de um funcionário que é vice-presidente da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes). O trabalhador comenta que não houve motivos para tal demissão e o funcionário, sem receber seus direitos trabalhistas, não tem como retornar para seu Estado de origem.
A comida também foi citada pelo representante durante a entrevista. Ele comenta que a alimentação melhorou em comparação com a outra empresa que fornecia anteriormente, mas ainda não é o ideal para os colaboradores.
O presidente do Sintrapav-SC (Sindicado dos Trabalhadores das Indústrias de Construção Pesada de Obras Públicas, Privadas e Afins do Estado de Santa Catarina), Arnaldo Camargo de Freitas, está no local nesta sexta-feira. Ele informou que entraria em reunião com representantes dos trabalhadores e da empresa terceirizada pela obra, por volta das 9h, em busca de uma solução para as reinvindicações.
“Foi deliberado o seguinte cenário de praxe, criamos a comissão de negociação e estamos indo para um reunião com a empresa”, comenta. “Se as expectativas dos trabalhadores não forem atendidas, seguirá a greve”, reforça.
Os trabalhadores seguem com intuito de permanecer em estado de greve até que as reinvindicações sejam atendidas integralmente e o funcionário demitido por justa causa tenha seus direitos garantidos.
A reportagem do ND+ tentou contato com a Azevedo & Travassos Infraestrutura, mas não recebeu retorno até as 10h desta sexta. O espaço segue aberto para manifestações.
Em nota, a concessionária Arteris Litoral Sul informa que os trabalhadores do Contorno Viário estão em atividades normalmente em todos os trechos da rodovia. A concessionária reforça que não foi registrada paralisação de trabalho. Atualmente, mais de 2.500 funcionários atuam nas obras do Contorno Viário.
Relembre o caso
Cerca de 900 trabalhadores do Contorno Viário na Grande Florianópolis decidiram entrar em greve no dia 27 de março. Segundo o sindicato responsável, a paralisação é motivada por melhores condições de alojamento, vale-alimentação e por um novo acordo para os funcionários visitarem as famílias, que moram em outros Estados.
A negociação entre representante do Sintrapav-SC, a Arteris Litoral Sul, concessionária responsável pelas rodovias federais, e a empresa terceirizada pela empresa, Azevedo & Travassos, iniciou em fevereiro.
Os trabalhadores paralisados atuam principalmente na construção do contorno viário na parte Sul, no entroncamento entre a BR-282 e a BR-101.
Funcionários viajam ao Nordeste para visitar famílias
Segundo Freitas, 90% dos funcionários são migrantes, principalmente do Nordeste, o que justifica uma das demandas. Conforme o sindicalista, atualmente, os funcionários são liberados para visitar famílias em outros Estados a cada quatro meses.
“A empresa dá o direito a visita aos familiares a cada 120 dias, o que os trabalhadores acham que é muito tempo. Eles estão pedindo para que seja a cada 90 dias, três meses”, afirma o sindicalista.
“Além disso, a empreiteira dá apenas cinco dias úteis para os trabalhadores ficarem fora para visitar a família, o que não é suficiente, já que eles têm dinheiro para ir de ônibus e a viagem é longa. Então eles pedem mais tempo”, fala o representante.
Vale-alimentação
Outra demanda dos trabalhadores, segundo Freitas, seria um vale-alimentação no valor de R$ 350.
De acordo com Freitas, a Azevedo & Travassos já se comprometeu a melhorar as refeições servidas aos trabalhadores e a trocar a empresa responsável. No entanto, o sindicalista explica que o vale-alimentação e as condições para as visitas familiares ainda são impasses na negociação.