Cerca de 900 trabalhadores do Contorno Viário na Grande Florianópolis decidiram entrar em greve nesta segunda-feira (27). Segundo o sindicato responsável, a paralisação é motivada por melhores condições de alojamento, vale-alimentação e por um novo acordo para os funcionários visitarem as famílias, que moram em outros estados.
Obras do Contorno Viário da Grande Florianópolis – Foto: Arquivo/NDDe acordo com Arnaldo Camargo de Freitas, representante do SINTRAPAV-SC (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Pesada no Estado de Santa Catarina), a negociação com a Arteris Litoral Sul, concessionária responsável pelas rodovias federais, e a empresa terceirizada pela empresa, Azevedo & Travassos, iniciou em fevereiro.
Freitas explica que os trabalhadores paralisados atuam principalmente na construção do contorno viário na parte Sul, no entroncamento entre a BR-282 e a BR-101.
SeguirFuncionários viajam ao Nordeste para visitar famílias
Segundo Freitas, 90% dos funcionários são migrantes, principalmente do Nordeste, o que justifica uma das demandas. Conforme o sindicalista, atualmente, os funcionários são liberados para visitar famílias em outros estados a cada quatro meses.
“A empresa dá o direito a visita aos familiares a cada 120 dias, o que os trabalhadores acham que é muito tempo. Eles estão pedindo para que seja a cada 90 dias, três meses”, afirma o sindicalista.
“Além disso, a empreiteira dá apenas cinco dias úteis para os trabalhadores ficarem fora para visitar a família, o que não é suficiente, já que eles têm dinheiro para ir de ônibus e a viagem é longa. Então eles pedem mais tempo”, fala o representante.
Vale-alimentação
Outra demanda dos trabalhadores, segundo Freitas, seria um vale-alimentação no valor de R$ 350.
Um trabalhador conversou com Grupo ND sob condição de anonimato e afirmou que o dinheiro dado para o café da manhã não é suficiente para comprar a refeição, e reclamou da comida servida nos alojamentos.
“A comida servida nos alojamentos não presta. É tudo ruim, é comida estragada, a gente nem come, sobra tudo nos alojamentos”, afirmou.
De acordo com Freitas, a Azevedo & Travassos já se comprometeu a melhorar as refeições servidas aos trabalhadores e a trocar a empresa responsável. No entanto, o sindicalista explica que o vale-alimentação e as condições para as visitas familiares ainda são impasses na negociação.
Procurados pelo Grupo ND, a Azevedo & Travassos e a Arteris Litoral Sul não enviaram uma resposta até a publicação desta reportagem.
Segundo o sindicato, uma nova assembleia acontece nesta terça-feira (28), às 6h30, para tentar resolver o impasse.