Transporte marítimo volta a ser discutido na Grande Florianópolis

Após articulação de cinco cidades, Alesc criou frente parlamentar para o transporte marítimo; grupo vai buscar apoio do governo do Estado

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Nícolas Horário Florianópolis

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Pelo mundo, na Itália, em Hong Kong, em Sydney e em Nova York tem. No Brasil, o trajeto Rio-Niterói, desde 1835, e a capital vizinha, Porto Alegre, também tem. Mas em Florianópolis, uma ilha, o ano é 2023, e o transporte marítimo ainda é uma aspiração.

Transporte público marítimo é debatido em Florianópolis – Foto: Flávio Tin/Arquivo/NDTransporte público marítimo é debatido em Florianópolis – Foto: Flávio Tin/Arquivo/ND

O tema, discutido pelo menos desde 2009, voltou à tona por iniciativa do deputado estadual Pedro Silvestre (PP), o Pedrão, que exerceu mandato interino na Alesc (Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina) até esta quarta-feira (1º), e coordena a recém-criada Frente Parlamentar para a Implantação do Transporte Marítimo na Grande Florianópolis.

Embora a implementação do modal seja vista como alternativa para desafogar o trânsito terrestre e tenha amplo apoio, falta vontade política para que saia do papel e vá para a água. Ontem, a semente foi replantada na instalação da frente que visa unir os prefeitos de Palhoça, Biguaçu, São José, Governador Celso Ramos e Florianópolis na causa.

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A ideia da frente é formar e apoiar grupos de estudos de interesse social, econômico e político que pensem o transporte aquaviário não só como opção turística, mas como alternativa de mobilidade urbana para a região.

No fechamento do evento, inclusive, os representantes dos municípios presentes, ou seja, o prefeito de Biguaçu, Salmir da Silva (MDB), e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Juliano Pires, representando o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), assinaram um termo de cooperação técnica para a implantação do transporte marítimo na Grande Florianópolis.

A frente vai buscar os demais prefeitos da região. Coordenador da frente, Pedrão enfatizou que o transporte marítimo já foi realidade na região.

“Antes das pontes, nos ligávamos pelo mar. Estamos discutindo algo que está atrasado, para mostrar que há vontade política de fazer”, disse Pedrão.

Amparo legal e infraestrutura do Estado para o transporte marítimo

Outra ausência sentida foi a do governo do Estado. O prefeito Salmir, de Biguaçu, acredita que o transporte marítimo pode ser a solução do imbróglio do transporte rodoviário. “Alternativas existem, o que precisamos é encarar e enfrentar. Somos sabedores das dificuldades, não é uma questão só de recurso, precisamos de amparo legal. Não adianta dizer que vamos construir se não tivermos apoio do governo para termos amparo legal e a infraestrutura necessária”, declarou.

O deputado Camilo Martins (Podemos) também reiterou a importância da participação do governo. “Sem o Estado, não tem prefeitura que resolva, porque falta dinheiro. Para colocar em prática, é preciso um projeto com o governador”, ressaltou. Martins também se colocou à disposição para ajudar com emendas parlamentares.

Presidente da Acatmar (Associação Náutica Brasileira), Mané Ferrari disse que, em qualquer lugar do mundo, sabe-se que o transporte marítimo tem viabilidade, só em Florianópolis que não. “Ou todo mundo está errado, ou nós estamos. Em 2009, fizemos uma coleta de assinaturas e mais de 16 mil pessoas apoiaram a criação do transporte marítimo”, argumentou Ferrari.

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