Uma das principais atrações turísticas de Florianópolis, a figueira da Praça XV vai passar por um check completo. Paulo Garbugio, da Arboran, explica como será esse trabalho, viabilizado pela Lojas Koerich — adotante do espaço público desde 2010 —, com supervisão da FloripAmanhã.
Paulo Garbugio falou sobre o processo de revitalização da figueira da Praça XV — Foto: Édio Hélio Ramos/Divulgação/NDComo vai ser o cronograma de revitalização da figueira e o que vai ser feito primeiro?
Vamos fazer uma avaliação fitossanitária e de risco. É a mesma coisa de quando a gente vai ao médico. Podemos dizer que, sim, a figueira vai passar pelos seus médicos, que são biólogos e engenheiros florestais.
SeguirFaremos uma avaliação 360 de copa, troncos, raízes, escoras. Vamos também coletar solo e folhas para mandar para análise – que são como os exames de sangue que as pessoas fazem -, com o objetivo de saber se falta algum nutriente, se o solo está adequado e como estão os aspectos físicos e químicos para garantir melhor absorção de nutrientes.
Paralelo a isso, vamos submeter a árvore a um outro exame, que é uma tomografia, específica para alguns galhos sólidos com o objetivo de saber se apresenta tecido comprometido ou não, se as escoras estão prejudicando a figueira e se há necessidade de readequá-las.
Numa avaliação preliminar, como está a figueira?
Como todo organismo, toda árvore, nasce, cresce e morre. Assim, toda árvore pode ficar doente. Diferentemente das áreas nativas, a figueira está numa área urbana, então requer trabalho especial, porque se um galho apodrece, ele vai cair e pode atingir uma pessoa ou um carro que circule no entorno.
No caso da figueira, como o manejo foi feito há alguns anos, ela está com alguns galhos secos e podres, que é natural. E cavidades também. O que mais preocupa são algumas escoras. Ao final do estudo, vamos fazer um cálculo estrutural em todos os galhos principais. É como se fosse calcular um edifício de pequeno porte, de 2 ou 3 andares.
Vamos dimensionar o tamanho dos galhos para sugerir escoras ou cabeamento. Hoje muitas não servem mais, porque o galho cresceu e subiu. Em outros casos, a estrutura está estrangulando o galho.
A situação é preocupante?
De modo geral, visualmente a figueira está com aspectos aceitáveis, mas existem mais de 50 cavidades e pequenas, médias e grandes feridas, onde foi colocado cimento – metodologia antiga que não é mais recomendada porque faz com que os fungos, os patógenos, se armazenem, cresçam e continue apodrecendo.