O protesto de trabalhadores da Comcap (Autarquia de Melhoramentos da Capital) bloqueou o trânsito na avenida Admar Gonzaga, em Florianópolis, na tarde desta terça-feira (21).
Ato na tarde desta terça-feira (21) – Foto: Anne Beckhauser/NDTVNesta manhã, funcionários da Companhia anunciaram greve por tempo indeterminado. Os trabalhadores protestam contra a terceirização dos serviços da Comcap.
A concentração de manifestantes começou por volta do meio-dia em frente ao CVR (Centro de Valorização de Resíduos), no bairro Itacorubi. A passagem de caminhões, que havia sido obstruída pelos trabalhadores, foi liberada ao longo da tarde após decisão da Justiça.
SeguirPor volta das 15h, o desembargador Sergio Roberto Baasch Luz, do Tribunal de Justiça de SC, determinou o desbloqueio imediato da unidade, permitindo o “integral restabelecimento dos seus serviços”.
Com a desobstrução da entrada do CVR, os grevistas passaram a ocupar a avenida Admar Gonzaga.
Às 16h, os trabalhadores se posicionavam no meio da via, exibindo faixas e cartazes, impedindo totalmente a passagem de veículos nos dois sentidos. Eles entoavam gritos como “A Comcap é do povo”. Materiais também foram queimados próximos à Estação.
Agentes da Guarda Municipal e da PM acompanham os atos. O trânsito em direção ao bairro foi desviado pela rua Pastor Willian Richard Schisler Filho, onde fica o Cemitério do Itacorubi.
Veja os vídeos da situação no local:
Ato na tarde desta terça-feira (21) – Vídeo: Anne Beckhauser/NDTV
Avenida Admar Gonzaga foi bloqueada – Vídeo: Anne Beckhauser/NDTV
Início do protesto
O protesto dos trabalhadores da Comcap gerou confusão entre manifestantes e agentes de segurança da Guarda Municipal de Florianópolis e da Polícia Militar.
De início, os agentes tentaram desobstruir a passagem dos caminhões da Comcap no CVR. Pedras, objetos, cacos de vidro e até uma cadeira foram arremessados contra os agentes durante o protesto.
Houve enfrentamento e o estouro de bomba de gás lacrimogêneo, balas de borracha e spray de pimenta. Manifestantes e três agentes da Guarda Municipal ficaram feridos.
O secretário municipal da Segurança Pública, coronel Araújo Gomes, esteve no local e tentou negociar com os grevistas.
Anúncio da greve
A paralisação dos trabalhadores da Comcap foi anunciada na página do Sintrasem (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis).
“Mesmo diante da situação caótica que vive o Norte da Ilha e da decisão judicial que proíbe a terceirização da Comcap, Gean Loureiro avança com seu projeto de entrega do patrimônio público, publicando licitações que terceirizam o setor operacional, a varrição e diversas outras funções”, diz o texto.
A categoria exige a retirada dos editais que terceirizam as funções da Autarquia, o cumprimento da decisão judicial e a saída imediata da Amazon Fort de Florianópolis, empresa terceirizada que atua na cidade.
A prefeitura de Florianópolis emitiu uma nota, em que diz que a paralisação “não possui nenhuma justificativa legal”.
“Nos últimos 2 anos, foram 13 assembleias, 5 greves e 21 dias paralisados. As regiões do Norte da Ilha e do Continente permanecem com a coleta de resíduos normal, já que possuem uma empresa privada, com um custo de metade do valor que era pago à Comcap. As demais regiões, o município já está trabalhando na contratação de novas equipes”, diz o poder municipal.
A Procuradoria-Geral do Município contestou o bloqueio das unidades da autarquia feitos no início da tarde – o que foi acatado pela Justiça – e também pediu a decretação da ilegalidade da greve, ainda sem decisão por parte do Judiciário.