A cantora Anitta usou nesse domingo (15) um figurino inspirado na heroína catarinense Anita Garibaldi e repercutiu na web. O look, assinado pela estilista Clara Lima, marcou uma das apresentações de pré-Carnaval da cantora em São Paulo.
“Tô amando essas fantasias, entregando conceito e beleza sempre”, escreveu uma seguidora da artista. “Esse foi o look mais icônico que você já usou”, disse outro. Nas redes sociais, as imagens ultrapassaram 870 mil curtidas.
Anitta esteve um dia antes em Florianópolis, onde subiu ao palco com um figurino em alusão à russa Valentina Tereshkova, a primeira mulher a ir para o espaço, ainda em 1963.
SeguirA proposta da cantora é homenagear mulheres guerreiras durante a execução do projeto Ensaios da Anitta, que promete ser o maior Carnaval da artista de todos os tempos.
Na lista de homenageadas, já teve nomes como Tieta e Marietta Badern.
Quem foi Anita Garibaldi?
Ana Maria de Jesus Ribeiro, mais tarde Anita Garibaldi, nasceu em 30 de agosto de 1821. Ela viveu e fez história em Laguna, no Sul catarinense. Ainda há controvérsias sobre a cidade ser ou não a terra onde Anita nasceu, já que seu registro de nascimento nunca foi encontrado. Mas foi neste território que Ana Maria virou Anita, a personagem histórica.
Anita Garibaldi foi a primeira mulher brasileira a falar e pegar em armas para defender a república – Foto: Reprodução/NDTVFilha de pai tropeiro e mãe do lar, família pobre, desde criança Ana esteve muito com seu tio Antônio, um homem que se posicionava contra a monarquia, o então sistema de governo do Brasil, e defensor da república. Foi no contato com o tio, segundo historiadores, que começou a criar seus ideais de igualdade social e liberdade.
Ana desde menina foi uma rebelde. Não aceitava as convenções sociais de sua época. Tanto é que tomava banho de mar, algumas vezes nua, o que era um escândalo para uma mulher no tempo em que ela viveu, nos anos de 1800. Aos 14 anos, já órfã de pai, sua mãe lhe arranjou casamento com um sapateiro.
A menina não gostou. O arranjo durou apenas quatro anos. Manuel, seu marido, alistou-se no exército imperial para combater os revoltosos farroupilhas, que lutavam contra a monarquia, e abandonou a cidade e a mulher.
Em 1839, Anita conheceu Giuseppe Garibaldi, quando ele, junto a outros farroupilhas, chegaram a Laguna na intenção de tomar a cidade portuária e torná-la independente do império, como haviam feito no Rio Grande do Sul, com a proclamação da República Rio-Grandense.
O sentimento de Anita e Giuseppe foi paixão à primeira vista, documentada em carta. Foi dessa relação com o italiano, que chegou ao Brasil fugido de seu país por participar de um grupo revolucionário, que Ana se tornou Anita, diminutivo de seu nome dado por aquele que seria seu companheiro de vida e pai de seus cinco filhos.
O último deles não chegou a nascer. Anita Garibaldi foi a primeira mulher brasileira a falar e pegar em armas para defender a república. Foi nas águas do porto de Imbituba, cidade vizinha a Laguna, que ocorreu seu batismo de fogo.
Era de novembro de 1839 e foi a primeira vez que Anita se colocou na linha de frente de um confronto com a guarda imperial. Foi a primeira de muitas batalhas que enfrentou.
A segunda foi no canal de Laguna, de onde hoje é possível avistar os pescadores interagindo com os botos. Foi ali que os farroupilhas perderam a batalha para as tropas do Império. Anita e Giuseppe, junto a outros farroupilhas, ficaram dez dias acampados na Ponta do Camacho, na região do famoso Farol de Santa Marta, de onde saíram fugidos para Lages.
“Heroína de Dois Mundos”
Anita nunca mais voltaria a Laguna. Seguiria participando de batalhas ao lado de Garibaldi até os últimos dias de sua vida, na Itália, em 1849, onde morreu grávida de seu quinto filho.
No país europeu, a luta era pela unificação da Itália. Por isso é conhecida como “Heroína de Dois Mundos” e tem em Roma uma estátua que a homenageia.
A catarinense foi esculpida em cima de um cavalo, segurando seu primeiro filho no colo e empunhando uma arma na outra mão. A cena aconteceu de fato e foi no Rio Grande do Sul, quando teve de fugir de um cerco da tropa imperial.
Não é à toa que Anita é chamada de heroína. Ela realmente se distingue das demais pessoas de sua época por seus valores e ações extraordinárias. Essa mulher parecia não ter medo, embora o tivesse – e relatou isso em carta a sua irmã, quando estava sentindo seu corpo se fragilizar por causa de uma doença. No entanto, nada a fez desistir da luta.