Após escândalo por oferecer antiga senzala como acomodação de férias, empresa pede perdão

Denúncia feita por advogado repercutiu nas redes sociais e obrigou empresa a adotar nova política no serviço; proprietário também se manifestou

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Redação ND Florianópolis

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Uma antiga senzala era ofertada como acomodação de luxo no Mississippi, nos Estados Unidos, pelo aplicativo Airbnb. No entanto uma denúncia realizada pelo advogado Wynton Yates, defensor dos direitos civis em Nova Orleans, repercutiu e inspirou a empresa a adotar uma nova política sobre esse tipo de propriedade.

Antiga senzala era ofertada como acomodação de luxo no aplicativo da empresaPropriedade foi transformada em quarto de luxo – Foto: Reprodução/Airbnb/ND

O anuncio detalhava que a cabana contava com café da manhã, quarto suíte com móveis antigos de luxo e lençóis confortáveis. Também é possível acesso à Netflix.

O AirBnb está localizado na Panther Burn Cottage, na Belmont Plantation, uma fazenda em Greenville. O local abrigou escravos que eram explorados na propriedade rural.

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Yates fez um vídeo denunciando a oferta. “A história da escravidão neste país é constantemente negada”, disse Wynton, que é negro. O vídeo foi postado no dia 29. “Agora ela está sendo ridicularizada por ser transformada em um local de férias luxuoso”, manifestou.

Após muitas reações furiosas, o Airbnb se desculpou e esclareceu no dia 1º de agosto detalhou que está “removendo anúncios que incluem antigas senzalas nos Estados Unidos”.

Anúncio da antiga senzala repercutiu na internet – Foto: Reprodução/Airbnb/NDAnúncio da antiga senzala repercutiu na internet – Foto: Reprodução/Airbnb/ND

‘Propriedades não têm lugar’, diz empresa

“As propriedades que anteriormente abrigavam os escravizados não têm lugar no Airbnb”, disse o porta-voz do Airbnb, Ben Breit, em comunicado. “Pedimos desculpas por qualquer trauma ou sofrimento criado pela presença desta listagem e outras semelhantes, e por não termos agido antes para resolver esse problema”, acrescentou.

O proprietário Brad Hauser, dono da propriedade e que tomou posse no mês passado, apresentou ao “Washington Post” uma outra versão: a cabana foi um consultório médico e não um quarto para pessoas escravizadas.

Segundo ele, foi “decisão do proprietário anterior comercializar a construção como o lugar onde os escravos dormiam”. Brad, que é branco, prometeu fornecer aos visitantes um “retrato historicamente preciso” da vida na Belmont Plantation.

“Não estou interessado em ganhar dinheiro com a escravidão”, disse Brad, de 52 anos, que se desculpou pela listagem “insultar afro-americanos cujos ancestrais eram escravos”.

Segundo o Post, há várias “senzalas” preservadas no Sul dos EUA.

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