Em outubro de 2021, completa-se um ano desde que João Bernardo, então com 9 anos de idade, entrou em uma plataforma para vender um jogo velho e acabou negociando uma casa por R$ 50 ao mês. A família mal tinha dinheiro para o aluguel, mas o menino conseguiu realizar o sonho.
A mãe de João diz que a casa nova parece ter sido feita para a família – Vídeo: Arquivo Pessoal/ND
“Queria comprar a casa mas não tenho tanto dinheiro então pensei e se eu te desse R$ 50 por mês até juntar R$ 110 mil”, foi a proposta do menino ao vendedor.
SeguirNatural de Florianópolis, João se mudou logo cedo com a família para Maringá, no Paraná. Inicialmente, como era de se esperar, a proposta de compra feita ao vendedor do aplicativo não vingou. Ainda assim, o menino conseguiu o que queria: a casa nova.
A história por trás do proposta
João Bernardo precisou sair da casa que morou durante a maior parte da vida depois da morte de seu pai. Além dele, o menino dividia o lugar com a mãe, o irmão e a avó paterna. Ali, a família se dividiu e todos foram viver em lugares diferentes.
João Bernardo, a mãe Daiane e o irmão Kauã voltaram a morar juntos – Foto: Arquivo pessoal/NDCom um quarto e mais um cômodo, a casa que alugaram era pequena demais. Kauã, o irmão mais velho de João, precisou morar em outro lugar com a avó. O mais novo fazia questão de procurar uma moradia maior, que tivesse espaço para dividir com a mãe e o irmão.
“Toda vez ele olhava a placa de vende-se e eu dizia: João, tem que ser aluga-se. Essa tem que comprar e a gente não tem dinheiro”, era o que a mãe, Daiane Campiolo, dizia ao menino. Ele perguntava quanto custava uma casa e, sem acreditar na possibilidade de comprar, ela desconversava.
O menino insistia na compra, sem entender que a renda de Daiane não era suficiente para pagar uma casa nova. Enquanto tentava vender um jogo em uma plataforma de compra e venda online encontrou uma casa à venda no Sergipe. “Mãe, achei uma casa linda por 110 mil”, contou o menino.
Logo depois, ele contou para Daiane que mandou mensagem para o vendedor. Segundo ela, o menino sempre faz coisas espertas deste tipo. Na rede social, a mulher compartilhou com amigos próximos os prints da proposta de compra da casa. A história viralizou alguns dias depois.
A casa nova
Quando a proposta do menino viralizou nas redes, Daiane não esperava que fosse tão longe. Comprar uma casa própria estava fora da realidade para ela. Ainda assim, com a ajuda do grupo Razões Para Acreditar, aceitou abrir uma vaquinha virtual.
Daiane contou para o grupo sobre a morte do pai do menino e como precisaram deixar a casa onde viviam. O menino passava por acompanhamento profissional para lidar com os traumas que ficaram. “Por trás desta história engraçada tem uma história triste”, conta a mãe do menino.
Um quarto e um cômodo: era este o espaço que João Bernardo dividia com a mãe – Foto: Foto/ Arquivo PessoalA vaquinha foi criada e a meta de R$ 160 mil batida em menos de 24 horas. Pela manhã, às 8h, a imprensa estava na porta de sua casa. Rádio, TV e internet. A mobilização pelo menino se espalhou.
A casa nova, comprada com o dinheiro arrecadado, foi escolhida por João. Segundo a mãe dele: “Quando a gente veio olhar tinha uns meninos brincando na frente. Quando a gente chegou, um deles reconheceu o João porque estava passando muito na TV”.
A criança que brincava no quintal pediu para que João comprasse a casa. O lugar tinha três quartos, exatamente como o menino queria. Logo o irmão mais velho voltou a morar com eles e a família foi reunida novamente. Como explica a mãe, o aluguel deixou de ser uma preocupação e a casa parece feita para eles.
Outras alegrias
Quando entrou no aplicativo, o menino queria vender um jogo para conseguir comprar um novo. No fim, João negociou uma casa e virou celebridade na internet. Além de dar uma casa à mãe, o menino ganhou outros presentes.
“Antes mesmo de abrir a vaquinha, um moço mandou mensagem pelo Instagram, perguntou qual o jogo que ele queria comprar, pediu o endereço e enviou o jogo. Foi o primeiro presente que ele ganhou”, explica Daiane.
Foram tantas mensagens que nem foi possível abrir todas. Elas vinham de todas as redes sociais. “Algumas pessoas conseguiram meu número e eu nem sei como”, lembra Daiane. Agora, João, a mãe e o irmão mais velho vivem juntos na nova casa. “A gente está muito feliz”, comemorou a mãe dos meninos.