Após ‘vômito’, pesquisa diz que fezes de baleia têm papel ‘essencial’ nos oceanos; entenda

Pesquisa liderada por Nicholas Pyenson aponta que as fezes das baleias são uma fonte crucial de nutrientes para os oceanos

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Redação ND Florianópolis

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Um estudo publicado na revista Nature no início de novembro aponta que as maiores baleias do oceano (azuis, jubartes e baleias-fin ou rorquais) consomem muito mais alimento do que se pensava anteriormente.

Ou seja, elas produzem muito mais fezes. E isso, de acordo com os pesquisadores, tem papel fundamental nos ecossistemas oceânicos.

Pesquisa sobre cocô de baleia vem chamando a atenção – Foto: Leigh Torres/OSU PhotoPesquisa sobre cocô de baleia vem chamando a atenção – Foto: Leigh Torres/OSU Photo

Segundo a pesquisa liderada por Nicholas Pyenson, curador de fósseis de mamíferos marinhos do Museu Nacional de História Natural, as fezes das baleias são uma fonte crucial de nutrientes para os oceanos.

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Ao liberar esses excrementos nas águas, as baleias ajudam a manter os nutrientes essenciais suspensos perto da superfície, onde podem “sustentar o fitoplâncton que absorve carbono e que forma a base das cadeias alimentares dos oceanos”.

Sem as baleias, esses nutrientes vão mais rapidamente para o fundo do mar, o que pode limitar a produtividade em certas partes do oceano e, por sua vez, reduzir a capacidade dos ecossistemas oceânicos de absorver o dióxido de carbono que aquece o planeta.

“Nossos resultados dizem que se restaurarmos as populações de baleias aos níveis anteriores à caça às baleias vistos no início do século 20, recuperaremos uma grande quantidade de funções perdidas nos ecossistemas oceânicos”, disse Pyenson.

Pesquisadores colocaram marcadores nas baleias

O conjunto de dados também incluiu fotografias de drones de 105 baleias das sete espécies que foram usadas para medir seus respectivos comprimentos. O comprimento de cada animal poderia então ser usado para criar estimativas precisas de sua massa corporal e do volume de água que filtrava a cada abocanhada.

Por fim, os membros da equipe envolvida nesse esforço de coleta de dados de quase uma década usaram pequenos barcos equipados com eco-sondas para vigiar os locais onde as baleias estavam se alimentando. As eco-sondas usam ondas sonoras para detectar e medir o tamanho e a densidade de cardumes de krill e outras espécies de presas.

“Vômito” de baleia

O termo ganhou “fama” na web após algumas pessoas ganharem dinheiro após encontrar a substância. A substância expelida pela baleia cachalote é muito valorizada e utilizada por fabricantes de perfumes caros, como os franceses.

‘Vômito’ de baleia na verdade é uma substância mais parecida com “cocô” – Foto: Reprodução/ND‘Vômito’ de baleia na verdade é uma substância mais parecida com “cocô” – Foto: Reprodução/ND

É chamada âmbar cinza, um poderoso fixador para as essências mais caras do mundo. Pela raridade, os valores pagos a quem encontra o tesouro são altos.

Ela, inclusive, é mais parecida com as fezes do que um gorfo propriamente.

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