A pandemia da Covid-19 com as regras de distanciamento social nos forçaram a viver de um dia para outro o que já era uma tendência para muitas pessoas: se relacionar e criar conexões afetivas em ambientes virtuais.
Com amigos, familiares e colegas que já conhecemos, a relação virtual é uma tarefa relativamente fácil. Mas e quando a missão é conhecer alguém do zero, por amizade ou afetivamente? O desafio se torna um pouco maior.
Como ficam as relações pós pandemia? – Foto: Bruno Golembiewski/Arquivo NDVamos aos dados
De acordo com um estudo realizado pelo AppsFlyer, plataforma de análise e atribuição de marketing móvel, a receita dos aplicativos de relacionamento cresceu 406% desde 2020 – o que significa que mais pessoas buscam as plataformas para se relacionarem.
SeguirDados do Tinder, aplicativo mais conhecido do segmento, apontam que o uso por parte dos brasileiros cresceu 19% em relação ao período pré-pandemia. Também mostram que as conversas ficaram 32% mais longas, e que a maioria dos usuários são da geração Z (aqueles que nasceram entre 1997 e 2015).
Qualquer rede social pode ser o Tinder
Pessoas estão procurando conexões reais através das redes sociais, isso é um fato. O que muitas vezes é visto como uma ferramenta para quem está “desesperado por afeto, companhia ou atenção”, nada mais é do que uma forma de conhecer novas pessoas.
E se pararmos para analisar um pouco fora do que propõe cada rede social, qualquer uma delas pode ser um “Tinder” se o objetivo é fazer novas amizades ou relações afetivas – por que não?
Então classificar o que é uma rede social adequada ou não é olhar de forma rasa para como as relações podem se desenvolver em ambientes virtuais.
A era do “Tinder feminista”
O Tinder pode até ser o mais conhecido, mas tem concorrentes fortes. Entre eles o Bumble, apelidado pelos usuários como “Tinder feminista”, já que neste aplicativo quem toma a iniciativa para a conversa são as mulheres- apenas elas podem chamar o possível crush.
Mas elas precisam ser rápidas: o Bumble tem um recurso que evita o chamado “ghosting“, que entre os brasileiros é mais conhecido como “dar um perdido” ou sumir.
No Bumble as mulheres têm 24h para tomar a iniciativa e chamar a pessoa com quem tiveram um “match”, depois disso a conexão fica “invisível”.
Network, amizade ou relacionamentos, o Bumble, conhecido pelos usuários como “Tinder feminista” possibilita novas experiência com as mulheres no controle – Foto: Reprodução/InternetA plataforma também oferece a opção de criar perfis focados em amizades, relacionamentos afetivos ou profissionais, direcionando os grupos mais adequados de usuários.
Viajante usou para amizades no Exterior
Carine Silva, em uma recente viagem a Alicante, na Espanha, usou o Bumble para fazer amizades com pessoas do país.
“Escolhi o Bumble porque ele possui um filtro onde você escolhe os relacionamentos que quer encontrar, de amizade, para networking e, claro, amorosos também. O fato de poder escolher o que busco e de realmente ter pessoas que querem trocar uma ideia sobre trabalho e também quem busca novas amizades me fez ter certeza de que o Bumble seria uma ótima ferramenta”, conta.
Carine Silva, em uma recente viagem internacional, usou aplicativos de relacionamento para fazer amizades com nativos – Foto: Arquivo Pessoal/ReproduçãoA experiência fez com que Carine firmasse amizades no país, mesmo sem um encontro pessoal. “Eu escolhi a opção de amizades e, depois de construir meu perfil e o que eu procurava em uma amizade, fui trocando likes até que fiz duas amizades que perduram além da viagem. Não consegui encontrar as meninas pessoalmente por uma questão de programação, estávamos em regiões diferentes naquele período, mas conversamos muito pelo aplicativo e Instagram”.
Três macths e um amor
Laura Irigoyen, de 28 anos, e o namorado Rodrigo, de 29 anos, precisaram de três matchs no Tinder para enfim se conhecerem pessoalmente. O primeiro foi em 2019, antes da pandemia, e o segundo em 2020, já com três meses das regras de distanciamento social.
“A gente deu match cerca de seis meses antes de nos conhecermos pessoalmente. Ele me seguiu no Instagram e começou a me mandar memes, responder meus stories, mas nada demais. Nunca tinha rolado uma conversa de fato”, conta Laura.
Laura e Rodrigo se conheceram através das redes sociais – Foto: Arquivo Pessoal/ReproduçãoA conexão ficou mais estreita em julho de 2020, quando os dois passaram a conversar quase que diariamente e decidiram se encontrar pela primeira vez. Foi quando o romance se desenrolou para um namoro. Apesar do primeiro encontro ter sido na casa de Laura, ela pondera a decisão para outras mulheres.
“A dica que eu daria para outras mulheres é conversar muito com a pessoa antes de ir para o físico, por duas, três semanas antes de realmente tomar coragem de conhecer a pessoa. E quando se conhecerem, marcar em um lugar público. Eu e o Rodrigo nos conhecemos na minha casa, por conta da pandemia, mas conversamos muito antes”, destaca.
“Como mulher a gente tem medo de que seja um doido, golpe, um psicopata. Então para mim funciona isso de conversar muito com a pessoa” – Laura
Para Laura, as redes sociais são a principal forma de contato com familiares e amigos. Ela mora sozinha em Itajaí e o namorado em Balneário Camboriú, ambos no Litoral Norte de Santa Catarina. A família materna mora um pouco mais distante e a paterna em Navegantes.
“Sabendo dosar, o online pode ser muito saudável. Eu moro longe da minha família, então consigo manter contato com todo mundo, com minha afilhada, minha mãe, com minha vó, isso aproxima a gente”, conta.
“Eu e o Rodrigo moramos em cidades próximas, mas diferentes, e raramente a gente se vê durante a semana. Mas conversamos o tempo todo pelas redes sociais, conversas bobas, mas também conversas sérias. As redes estão aí, servem para facilitar a nossa vida, então é usá-las ao nosso favor”, finaliza.