Decepcionada com o sexo oposto? Podcast aDiversa debate o fenômeno do heteropessimismo

Bate-papo abordou os motivos pelos quais mulheres e homens se mostram cada vez mais desalinhados no que diz respeito às expectativas com os relacionamentos

Redação ND Florianópolis

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Você sabe o que é heteropessimismo? O termo pode até ser recente, mas representa um sentimento que é velho conhecido das mulheres: a decepção generalizada com os relacionamentos heterossexuais em todos os âmbitos.

E tantas dúvidas e frustrações sobre o assunto renderam um bate-papo animado e polêmico no 8º episódio do podcast aDiversa, que vai ao ar nesta sexta-feira (14), às 7h.

Fenômeno do heteropessimismo é o assunto do 8º episódio do podcast aDiversa – Foto: Divulgação/NDFenômeno do heteropessimismo é o assunto do 8º episódio do podcast aDiversa – Foto: Divulgação/ND

Participam do episódio a doutoranda em Antropologia Social e integrante do Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Bruna Fani Duarte Rocha, e a fotógrafa e produtora de moda Naw Miranda.

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A apresentadora convidada é Marina Simões, editora do ND+, que compartilha suas vivências em relacionamentos e como se ‘descobriu heteropessimista’. Cumprindo a cota masculina, o editor do ND+ Filipe Almeida também traz seus relatos pessoais sobre o tema.

Você provavelmente já vivenciou o ‘heteropessimismo’

“Quando você entra numa roda de conversa entre mulheres, é unânime: tem essa disputa triste para ver quem tem uma história pior sobre relacionamentos heterossexuais“, diz Naw.

A constatação de Naw é a mesma de muitas mulheres. Quem nunca passou por um namoro ruim? As experiências fracassadas em relacionamentos anteriores acabam antecipando um medo de embarcar em uma nova relação.

Luciana lembra que ‘pequenas tretas’, como a mulher ser quase integralmente responsável pelos cuidados com a casa e os filhos, podem contribuir para o desenvolvimento do ‘heteropessimismo’. Mas alerta: nem todas as relações são iguais.

“Pensar que todo cara não presta é um problema porque a gente acaba entrando em uma relação ruim porque pensamos ‘só tem isso'”, explica.

Solteira há alguns anos, Marina acredita que as sucessivas decepções em relacionamentos tornam as pessoas mais resistentes a vivenciarem uma relação amorosa plena.

“Estou vivendo praticamente em um convento! Ouvi o termo heteropessimismo e pensei: ‘me descobri’. Quando a gente entra em um relacionamento está automaticamente se expondo. E eu não estou preparada para passar por isso de novo e quebrar a cara mais uma vez”, desabafa.

E engana-se quem acha que esse é um sentimento praticamente unânime somente entre as mulheres. Filipe também compartilhou suas impressões sobre algumas nuances femininas.

“Muitas mulheres reclamam de alguns comportamentos dos caras, mas acabam reproduzindo muitos deles. Não é raro ver mulheres buscando os homens mais bonitos, por exemplo, ao mesmo tempo em que reclamam que homens só valorizam a aparência”, polemiza.

Ele, que já viveu um relacionamento aberto e falou abertamente sobre a experiência, acredita que novas formas de se relacionar serão cada vez mais comuns.

“Acho que a tendência é se livrar de amarras, descontruir e proporcionar liberdade para os relacionamentos”, aponta.

Sentimento propagado

Apesar de destacar a inteligência feminina e respeitar o sucesso profissional das mulheres, os homens brasileiros ainda mantêm conceitos machistas. É o que revelou uma pesquisa do Instituto Ideia. A virgindade antes do casamento, por exemplo, é importante para 44% dos ouvidos.

Para Bruna, a tentativa de controle da vida sexual das mulheres muitas vezes causa essa sensação de frustração com os relacionamentos.

“Historicamente a mulher sempre esteve sob controle do homem: no casamento, passa do pai para o marido. Quando o homem trai é justificável e perdoável. Quando é a mulher, nem pensar. Há uma poligamia permitida apenas aos homens”, explica.

As mulheres, no entanto, estão despertando cada vez mais para reverter essa situação. É o caso da fotógrafa Naw, que terminou um relacionamento porque o parceiro relatou estar incomodado com o seu sucesso profissional. Bruna atribui essa evolução ao contato com o feminismo.

“Após ver a estrutura patriarcal e entender como nos afeta, não tem como ‘desver’. Notamos manifestações de micromachismo em todo nosso cotidiano”, finaliza.

Sobre o podcast

Com episódios semanais, lançados todas as sextas-feiras, o podcast aDiversa é apresentado por Luciana Barros, editora do ND+. Os assuntos escolhidos fazem parte do dia a dia das mulheres, e vão desde polêmicas, como harmonização facial, até temas sérios, como separação.

Todo episódio conta com a participação de convidados especialistas no tema, além de jornalistas do Grupo ND e um homem, para trazer outro ponto de vista. Há também o quadro Pimenta da Maryeva, apresentado por Maryeva Oliveira, da Hora da Venenosa.

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