Se Enedina Alves Marques estivesse viva, ela completaria 110 anos nesta sexta-feira (13). A paranaense foi a primeira mulher negra no Brasil a se formar em engenharia e, por esse motivo, recebeu uma homenagem do Google.
Enedina Alves Marques, a primeira negra a se formar em engenharia no Brasil – Foto: Internet/Reprodução/NDNascida no dia 13 de janeiro de 1913, é filha de um casal de pretos, vindos do êxodo rural após a abolição da escravatura (1888). Ela cresceu na casa do Major Domingos Nascimento Sobrinho, em Curitiba, onde a sua mãe trabalhava.
Alfabetizada aos 12 anos, ingressou no Instituto de Educação do Paraná, sempre trabalhando como empregada doméstica e babá para custear seus estudos.
SeguirSuperando preconceitos
Enedina passou a dar aulas e sonhar com a universidade em 1931, e em 1940, iniciou o curso de engenharia na UFPR (Universidade Federal do Paraná) em uma turma formada somente por homens brancos, numa época pós-abolição.
Vale lembrar que, naquela época, o fato de ser mulher limitava seus sonhos. Naquela época, o sexo feminino era destinado apenas ao papel de dona de casa, professora ou empregada de fábrica. Além disso, pelo fato de ser negra, as oportunidades profissionais e educacionais com expectativas de crescimento eram impensáveis.
Durante a faculdade, ela foi hostilizada e ignorada por alguns professores e colegas. Apesar disso, enfrentou a discriminação ao se formar em 1945, em uma turma com 32 alunos do sexo masculino.
Carreira grandiosa
Quando se formou, começou a trabalhar como auxiliar de engenharia na Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas, e após ser descoberta pelo então governador Moisés Lupion, foi realocada para o Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica do Paraná.
Arte do Google de Enedina Alves Marques – Foto: Google/Reprodução/NDParticipou de muitas obras importantes no Estado, como a Usina Capivari-Cachoeira (atual Usina Governador Pedro Viriato Parigot de Souza, maior central hidrelétrica subterrânea do sul do país) e a construção do Colégio Estadual do Paraná.
Ficou conhecida por sempre estar de macacão e portar, à cintura, uma arma, que usava para dar tiros para o alto sempre que julgava se fazer respeitada.
Dominando centenas de operários, técnicos e engenheiros, ela conquistou o respeito de muitos. O Instituto de Mulheres Negras Alves Marques foi fundado em sua homenagem, com o objetivo de combater a invisibilidade racial em diversos setores, como no mercado de trabalho e no ambiente escolar.
Vida familiar
Enedina não se casou e nem teve filhos, foi encontrada aos 68 anos morta no Edifício Lido, no centro de Curitiba. Por não ter familiares vivos, seu corpo demorou para ser encontrado.
Seu túmulo é um dos principais pontos da visita guiada pela pesquisadora Clarissa Grassi, no cemitério municipal da capital paranaense.
Um documentário intitulado “Além de tudo, Ela” foi lançado em 2020, em sua homenagem. Com direção de Pâmela Regina Kath, Mickaelle Lima Souza, Lívia Zanuni e Pedro Vigeta Lopes, filme documental conta a trajetória de Enedina por meio de documentos, imagens e entrevistas com uma sobrinha, uma afilhada e um pesquisador.