‘Eu saí correndo do meu caminhão para salvá-la’ diz motorista que ajudou Musa das Estradas

A caminhoneira catarinense foi retirada do veículo com apoio do colega da frota de Tubarão; em vídeo ela e o colega explicam como tudo aconteceu

Redação ND Blumenau

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“Eu saí correndo do meu caminhão sem desligá-lo para salvá-la”, foi esse o desabafo que caminhoneiro, Pedro Füchter Neto relatou sobre o acidente da caminhoneira  Aline Füchter Ouriques, conhecida como “Musa das Estradas” em um vídeo publicado nesta segunda-feira (7) no canal do Youtube da loira.

Juntos, eles explicaram como foi o acidente e como foi o resgate de Aline após a colisão que ocorreu no dia 13 de janeiro, em Mato Grosso. De acordo com a Musa das Estradas, Pedro estava a cerca de um quilômetro de distância da caminhoneira quando ocorreu a batida.

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O caminhoneiro é da mesma frota de caminhões de Aline e ambos são moradores de Tubarão, no Sul Catarinense. “Foi ele que me salvou. Tirou-me das ferragens”, relata Aline.

Aline foi salva pelo colega da mesma frota e em seguida foi levada ao hospital pelo motorista – Foto: Musa das Estradas/Reprodução/NDAline foi salva pelo colega da mesma frota e em seguida foi levada ao hospital pelo motorista – Foto: Musa das Estradas/Reprodução/ND

Como tudo aconteceu

Pedro explica em vídeo que os dois iniciaram a viagem, após carregarem os caminhões com soja, por volta das 8h. Ele contou que durante o trajeto os dois mantinham a distância dos veículos de um a dois quilômetros.

Logo depois de uma ultrapassagem, no km 239 da rodovia, Aline tomou a frente do colega e seguiu viagem. Após atingir o topo de um pequeno morro da pista, Pedro percebeu que os motoristas que estavam na pista contrária faziam sinais de luz.

“Na hora me arrepiei muito, entrei em estado de nervosismo. Eu não consegui focar na placa da carreta. Tudo congelou tudo parou. Conforme eu fui chegando perto, eu vi que era a placa e entrei em estado de choque”, diz.

De acordo com Pedro, Lauriane uma das passageiras que estavam junto com a Aline gritava por socorro. Ela estava para fora do para-brisa que quebrou durante o acidente.

“Ela gritava pelo amor de Deus ajuda a gente!! E eu não me lembro de ter desligado meu caminhão na hora, só desci correndo para ajudá-las”, relata o motorista.

Para fazer uma retirada mais rápida, o caminhoneiro lembra que cortou o cinto de segurança da Aline.

“A janela do lado da Aline não quebrou e a porta dela amassou pouco. Mas ela estava presa justamente por esta porta. Abri correndo a caixa de ferramentas que levo sempre comigo no caminhão. Peguei o macaco, pedi para Lauriane que se afastasse um pouco e quebrei a janela”, explica.

Muita fumaça

O caminhoneiro explicou que no local da batida tinha muita fumaça. “Ia acontecer um incêndio se não tivesse tirado o cabo da bateria. Fui lá e tirei o cabo da bateria  com uma chave onze que eu tinha na minha caixa de ferramenta e parou a fumaça”, comenta.

Aline ainda explica que o colega ficou apavorado e queria tirar a amiga dali logo, pois o local aonde ocorreu o acidente já era conhecido por acidentes e por demorarem atendimentos devido a distância.

“Ele ergueu minha camiseta, viu que não tinha nada perfurado nos órgãos além do braço que estava com os ossos para fora”, explica a musa.

Pedro ainda afirma que avaliou a situação e não esperou muito para retirar a amiga do veículo. “Fiz uma avaliação consciente e vi que era possível tirar ela dali, tirei um coberto do caminhão e bati bem ele pois estava com muito vidro e fiz uma concha para que ela caísse do veículo dentro do cobertor”, comenta o caminhoneiro.

O amigo ainda ressalta que a Aline gemia muito por causa do choque, e que no local outras pessoas pararam para ajudar e o questionaram por ter retirado a musa do caminhão.

“Eu disse a eles que entre esperar a ambulância e entre socorrê-la, eu preferia socorrê-la. Pois sabia que a ajuda dos bombeiros iria demorar. Tirei-a do caminhão e levei-a para o hospital mais próximo”, finaliza.