Um casal de viajantes, que são ex-alunos da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), está sendo alvo de críticas e ataques pela decisão de deixar seu cachorro de estimação com a família para realizar uma viagem ao redor do mundo.
Casal deixa cachorro com a família para viajar o mundo – Foto: Sem Chaves/Reprodução/NDO perfil “Casa do Viralata”, um abrigo de animais em São Paulo, compartilhou prints com a publicação do casal na última sexta-feira (14), criticando a decisão.
“O casal tem o cachorro há 6 anos e agora irá descartar o animal para seguir viagem e segundo eles ‘vivem um sonho’ na estrada. SEIS ANOS! uma vida juntos. O que passa na cabeça das pessoas? Por que é confortável fazer isso? Por que o abandono é algo tão normal?”, escreveu.
SeguirProcurados pela reportagem, os jornalistas Patrícia Pamplona e Weasley Faraó Klimpel explicam que não irão abandonar o Café, mas deixá-lo com a mãe do jornalista, por três anos. Na reta final da viagem, porém, pretendem levá-lo junto.
O casal tem o cachorro há 6 anos e agora irão descartar o animal para seguir viagem e segundo eles “viverem um sonho” na estrada.
SEIS ANOS! uma vida juntosO que passa na cabeça das pessoas? Por que é confortável fazer isso? Por que o abandono é algo tão normal? pic.twitter.com/QZvc1BJ1z6
— Casa do Vira-lata (@casadoviralata) October 14, 2022
“A gente não está abandonando o Café em lugar nenhum. Ele está ficando com a mãe do Faraó. A gente transferiu a tutoria durante esse período que vamos estar afastados. Se ele considera isso abandono, a gente não”, destaca Patrícia Pamplona.
“Deixamos com uma pessoa que conhece e convive com o Café, em uma casa que ele conhece. A gente ficou lá uma semana antes de deixá-lo também, com todas as orientações como a gente fala no texto”, diz a jornalista. O texto a que ela se refere é o que está no blog do casal, no qual compartilham o planejamento da viagem.
Conforme a explicação do casal em seu blog, a viagem deve iniciar na Tunísia, na África, e finalizar na Europa. “Na terceira e última temporada, nossa ideia é ir junto com o nosso doguinho, Café, para a Europa, rodar pelo continente de motorhome.”
O dono do perfil “Casa do Viralata”, o protetor de animais Gabriel, ressalta que “deixar com a família também é abandono, não é um caso extremo, um imprevisto fatal, eles escolheram seguir sem o animal de 6 anos. Adoção é para sempre, temos que ser responsáveis”, escreveu.
Outros internautas concordaram com Gabriel. Uma escreveu que “meus primos estão viajando em um trailer e levaram o Bigode (porte grande) junto. Abandono não tem desculpa”.
Outro disse que está viajando e levando seu cachorro na aventura. “É difícil achar hospedagem para animal médio/grande, além das tarifas serem bem mais caras, mas pago com prazer porque não tenho coragem de deixá-lo uma semana longe de mim.”
Ataques ao perfil
Segundo Patrícia, o perfil no Instagram @semchaves recebeu vários ataques desde a publicação no Twitter, que até a tarde desta terça-feira (18) somava mais de 44 mil curtidas.
Foram 107 mensagens e 140 comentários negativos, incluindo xingamentos, em poucas horas. “As pessoas vieram com toda essa agressividade e a gente não se sente obrigado a ser atacado dessa forma”. Por conta disso, o casal decidiu fechar o perfil.
“É um perfil pequeno para prestar serviço de informação de viagem. Como é um perfil de viagem, a gente está compartilhando partes do nosso planejamento e o Café é uma parte importante. Entendo que as pessoas ficaram revoltadas: ‘por que pegaram o cachorro se sabiam que iam viajar?’. A gente não sabia em quanto tempo a gente ia partir, foi agora, mas poderia ter sido daqui a cinco anos”, diz a jornalista.
Outra acusação enfrentada pelos viajantes é de fazer sucesso em cima do assunto para ganhar popularidade. No entanto, Patrícia diz que esse não é o objetivo. “Tanto é que a gente fechou o perfil para se proteger porque ficamos muito abalados”, comenta. “As pessoas vieram com ódio, eu não vou ficar debatendo com quem vem com ódio.”
Além disso, a jornalista acredita que muitos críticos não leram a explicação de onde o Café iria ficar, porque muitos se ofereceram para adotá-lo ou até mesmo comprá-lo.
“Claro, pode ler e discordar, mas muito do ódio veio de as pessoas não lerem o texto, tanto que vieram perguntar se a gente estava vendendo, doando, porque queriam ficar com o cachorro, sendo que não é nada disso.”
“Nosso plano é voltar, fazer o trecho final da viagem com ele. Então tem gente que acabou não vendo quando a gente explica isso”, finaliza.