Com mais de 83 mil seguidores no TikToK e mais de 10.300 no Instagram, a influenciadora Rafaella Schalinski, 23 anos, mais conhecida como Xalinska, vem quebrando estereótipos e falando de assuntos importantes. Tudo isso com muito bom humor. Ela trabalha, tem inúmeros projetos na internet, é descontraída, consciente e não está só atrás de números: “Se eu for pensar só em like e viralização, eu fico fazendo reels todo dia, material curtinho, mas eu realmente quero agregar outras coisas, quero trazer conhecimento, conteúdos mais aprofundados, de qualidade”.
Natural de Jaraguá do Sul, ela mora em Blumenau desde 2017, quando conseguiu um estágio como cinegrafista. Formada em Publicidade e Propaganda pela Furb (Universidade Regional de Blumenau) e em Produção e Criação de Conteúdo Visual pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), atualmente ela trabalha como produtora publicitária em uma agência da cidade e desde 2020 vem conciliando a vida de criadora de conteúdo com o emprego formal.
Piadista de internet – como ela se define – ela trata de forma bem-humorada assuntos como política, sua vivência como uma mulher lésbica, comunidade LGBTQIA+, life style, música, entre outros. “Eu sempre tive uma opinião muito forte em relação a vários assuntos sociais que condizem com a minha existência, com o meu local de fala. Eu sempre busquei me posicionar e conscientizar a galera. Falo desses assuntos mais sérios de uma forma mais leve para tentar levar conscientização de uma forma engraçada, um pouco mais tranquila para a cabeça das pessoas”, destaca.
SeguirPrimeiros passos
Tudo começou de forma muito natural para Xalinska. Ela se considera uma pessoa extrovertida e diz que sempre gostou de estar online, presente na internet. Porém, ela atribui o seu crescimento no meio digital ao fato de ter sido Miss Simpatia Santa Catarina pela Ordem das Filhas de Jó, uma organização sem fins lucrativos, discreta e de princípios fraternais, filosóficos e filantrópicos, apoiada pela Maçonaria.
“Conforme eu ia visitando os betheis pela Ordem das Filhas de Jó, eu ia ganhando mais algumas seguidoras, comecei a dar palestras, participar de rodas de conversa e fui crescendo na internet”, conta. Ela entrou na Ordem aos 12 anos e ficou até os 20.
Ela relatou que um dos seus primeiros vídeos que fez sucesso foi sobre política, em que ela fala sobre o 7 de setembro. “Eu ganhei dois mil seguidores só com esse material. Eu tinha sete mil seguidores e fui para nove mil. Foi um vídeo que bateu 500 mil visualizações no Instagram”. Outros materiais da influenciadora que fazem sucesso são vídeo de humor em que ela finge estar dentro do jogo The Sims ou imitando lives do TikTok.
Dessa forma, ela começou a ganhar mais notoriedade e passou a ser chamada para fazer publicidades. Em uma das mais recentes, em junho, ela foi convidada pela Burger King para participar da Parada LGBTQIA+ de São Paulo junto com outros influencers representando a empresa. “Foi muito massa esse reconhecimento que veio. Eu fiquei muito feliz, porque foi a primeira vez que uma grande marca me notou veio direto até mim”, recorda.
Profissionalização
A influencer leva a carreira a sério e busca pela profissionalização e por aperfeiçoar o portfólio. Tudo isso com um objetivo: quem sabe, um dia, ser apresentadora de uma grande emissora de TV.
Com as publicidades surgindo, Xalinska contratou um assessor, fez um e-mail profissional e está buscando novos trabalhos. “Comecei uns jobs de modelo também. Estou bem feliz, porque hoje eu consigo juntar meus conteúdos de humor, com meus conteúdos sociais, de conscientização, com meu life style, minha vida, etc. a gente vai juntando tudo e está dando certo”, destaca.
Ela ressalta que ainda trabalha em um emprego formal e que usa o tempo livre para tocar todos os projetos – que são muitos – isso porque, além dos conteúdos que ela faz para o Instagram, Twitter e para o TikTok, onde ela é @xalinska, a publicitária tem um podcast, o Xaliscast, em que ela aborda assuntos mais densos e lançou, em novembro do ano passado, uma música:“Harém”, que pode ser ouvida no YouTube e no Spotify.
“Eu quero agregar conhecimento, trazer conteúdo mais aprofundado, uma coisa de qualidade e para isso eu trago esse projeto maiores, com vídeos de 1h/ 1h30 para o meu canal de YouYube, posto meus podcasts. Eu entendo isso como estar plantando uma sementinha de algo que eu posso ter cada vez mais experiência para o futuro, que é ser apresentadora de uma grande emissora de TV, de um programa, trabalhar com locução, com dublagem, coisas que eu gosto”, conta.
Vida fora do armário
A publicitária começou a trabalhar aos 16 anos como almoxarife em um empresa de Jaraguá do Sul. Ela afirma que decidiu começar a trabalhar cedo por conta da aceitação dos pais em relação a sua sexualidade. “Como eu não queria usar roupas que todo mundo queria que eu usasse, saias, vestidos, roupas super femininas, eu comecei a trabalhar para poder pagar pelas peças que eu queria. Eu não aceitava que simplesmente tinha que obedecer eles [pais]. Então eu fui atrás da minha independência financeira o quanto antes”.
Ela lembra que contou cedo aos pais que era lésbica e, apesar de hoje em dia ter uma relação ótima com os dois, no inicio foi um choque. “Toda pessoa LGBT sabe que é muito raro a família aceitar de cara. A gente fica, ‘meu Deus, por que que é tão difícil pra gente?’. Mas todo mundo tem o seu tempo pra aceitar e hoje minha relação com eles é maravilhosa”.
Mudanças
Rafaella conta que entre os diversos preconceitos que já sofreu por ser lésbica, um dos mais marcantes – e do qual ela ainda está se curando – é a expectativa das pessoas em acharem que ela gostaria de ser um homem. Isso porque a publicitária de considera uma mulher desfeminizada, ou seja, que não segue os padrões femininos impostos pela sociedade.
“Eu poderia ser uma mulher lésbica e feminina, maquiada, usar vestido igual várias amigas minhas. Mas nesse meu processo de descoberta, de eu entender que eu não gostava de saias e de vestidos, eu acabei indo para um lado muito oposto, de masculinidade. Na minha vivência eu já cheguei a achar que eu era um homem trans. Eu já tive essas dificuldades de ‘então é isso? Se eu não vou usar saia e vestido eu sou um homem? E não, eu sou uma mulher, só não estou seguindo esse padrão”, declara.
Atualmente, ela considera que encontrou um estilo que a representa. “Hoje eu me encontro, eu tenho as minhas feminilidades, tenho minhas masculinidades, todo mundo tem isso dentro de si. Eu me desconstruí para um lado e depois eu voltei no meio termo. Hoje, minha personalidade é bem mais liberta porque tinha uma fase da minha vida que eu não queria pintar a unha, não usaria uma maquiagem. Eu pensava que não tinha nada a ver comigo. Hoje se eu quiser fazer maquiagem eu faço, se eu quiser um cropped eu uso, se eu quiser usar um terno, eu uso”, finaliza.