‘Galã do Tinder’ é julgado em São Paulo por golpes que somam mais de R$ 500 mil

Julgamento começou nesta quinta-feira (15). Prisão foi feita em setembro

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Redação ND Florianópolis

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O empresário conhecido como “galã do Tinder” começou a ser julgado na tarde desta quinta-feira (15) em São Paulo. Renan Augusto Gomes, é réu por aplicar golpes de até R$ 500 mil em mulheres que ele conhecia em aplicativos de namoro.

De acordo com matéria da Record TV, Gomes foi preso em 22 de setembro na região de Pirituba, Zona Norte de São Paulo em uma operação da Deic (Delegacia Especializada em Investigações Criminais) de São Bernardo do Campo e o MP (Ministério Público).

Homem aplicava golpe em mulheres e dizia ser de classe média alta – Foto: Tinder/Reprodução/NDHomem aplicava golpe em mulheres e dizia ser de classe média alta – Foto: Tinder/Reprodução/ND

A prisão preventiva no entanto já estava decretada há três meses. A defesa do suspeito entrou com um pedido de habeas corpus, que foi negado.

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O empresário foi preso na Avenida Raimundo Pereira Magalhães em um carro. Ele estava tentando fugir, mas bateu em três veículos, foi detido e mandado para delegacia.

Com a prisão outras vítimas começaram a aparecer. Mais cinco mulheres na Grande São Paulo procuraram a Polícia Civil para denunciá-lo.

Como funcionava os golpes?

Segundo a investição, o empresário tinha perfis variados em várias plataformas de namoro. Entre eles o  Tinder, Inner, Happn, Lovoo, e se identificava como Augusto Keller.

Ele abordava as mulheres, falava ser filho de alemães de classe média alta e para sensibilizá-las afirmava que seus pais tinham morrido em um acidente de carro.

Com o tempo, começava a pedir dinheiro emprestado para as vítimas dizendo que estava com problemas na Receita Federal ou em Bancos.

Ele abordava as mulheres de classe média alta e dizia que era filho de alemães. Para sensibilizá-las, afirmava que os genitores pais tinham morrido em acidente de carro em Araçatuba, no interior de São Paulo. Assim, se envolvia amorosamente com as vítimas e chegava até a conhecer os familiares delas.

Em seguida, com o tempo, ele começava a pedir dinheiro emprestado alegando problemas com a Receita Federal ou com os bancos. As mulheres acabavam cedendo e, depois, ele desaparecia.

Como escapar de golpes como este?

De acordo com a psicóloga e especialista em Psicologia Clínica pela PUC- SP Vanessa Gebrim, geralmente esses golpistas são pessoas que têm um perfil manipulador e prática de colher o máximo de informações possíveis para cometer os crimes.

Ela acrescenta ainda que é fundamental, ao estabelecer contato com perfis no ambiente virtual, suspeitar sobre solicitações de valores financeiros, pagamentos de contas ou transferências para não cair em golpes.

“É muito comum no golpe de romance a pessoa pedir dinheiro para o pagamento de viagens, de forma que os encontros virtuais possam acontecer pessoalmente. Para não cair nesses golpes o ideal é não passar informações pessoais”, complementa Vanessa.

Psicóloga ensina que nesses tipos de golpes é comum as pessoas pedirem dinheiro para viagens – Foto: ArthurHidden/Freepik/NDPsicóloga ensina que nesses tipos de golpes é comum as pessoas pedirem dinheiro para viagens – Foto: ArthurHidden/Freepik/ND

Mayra Cardozo, especialista em Direitos Humanos, Penal e stalking também alerta que abusadores e estelionatários geralmente “moram longe” e cultivam na vítima o anseio pelo encontro, mas mantendo um distanciamento presencial para que permaneça a idealização.

“Os golpistas enchem a vítima “de amor” até que elas estejam apaixonadas. A partir de então executam as manobras financeiras. Muitas vezes sugerem uma viagem a dois e, para isso, solicitam o cartão da vítima ou pedem ajuda financeira para alguma coisa. Os golpistas “mais aperfeiçoados” geralmente passam a imagem de ricos e milionários e dão desculpas de que o cartão não passou por algum motivo específico, por exemplo”, explica.

Mayra reforça que abusadores elaboram “jogos” de manipulação até que a vítima ceda. Em casos de forte resistência, eles ameaçam terminar o relacionamento virtual porque estão “chateados” em razão da desconfiança das vítimas.

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