Influencer de SC é criticada no Instagram após se indignar ao ver meninos fazendo patinação

Patinador Marcel Stürmer e Federação Catarinense de Patinação Artística se manifestaram após o ocorrido

Bruna Evelin Blumenau

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Um assunto chamou bastante atenção do patinador Marcel Stürmer que se manifestou em seu perfil do Instagram na manhã desta quarta-feira (23). A influenciadora digital Mariana Bottger, moradora de Brusque, usou seu perfil na terça-feira (22) para relatar sua indignação ao ver meninos frequentando a mesma aula de patinação que sua filha.

Mariana foi criticada na Internet após desabafar seu ponto de vista na terça-feira (22) – Foto: Arquivo Pessoal/Instagram/Divulgação/NDMariana foi criticada na Internet após desabafar seu ponto de vista na terça-feira (22) – Foto: Arquivo Pessoal/Instagram/Divulgação/ND

Os stories publicados pela influencer não estão mais disponíveis em seu perfil, mas o atleta compartilhou nesta manhã sua indignação. Em vídeo, Mariana diz que tinha levado a filha para a aula de patinação e havia se deparado com alguns meninos no local que iriam fazer o teste.

“Mandei mensagem para meu marido e falei: meu Deus olha que absurdo, tem menino querendo fazer patinação e depois ouvi alguns buxixos de outros pais indignados”, relata.

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Inconformada, a influencer diz que os valores estão sendo “invertidos dentro de casa”, e que se seu filho quisesse fazer as mesmas aulas que a irmã, ela responderia que isso é um esporte para meninas e incentivaria o filho a procurar outro esporte.

Mariana ainda fala que os pais que deixam seus filhos praticar a patinação ao invés de ter cérebro, devem ter “titica de galinha na cabeça”.

Quem é Mariana Bottger?

Mariana Boettger mora em Brusque, em Santa Catarina, usa o perfil do Instagram para proferir versículos bíblicos, e soma mais de 300 mil seguidores que acompanham seu conteúdo sobre lifestyle e religião.

Frequentemente a influencer deseja “a paz do senhor” aos seguidores nos stories, e através da biografia em seu perfil, diz ser “transformada por Cristo”.

Na descrição de seu perfil, Mariana ainda incita que ajuda “mulheres a despertar para o novo Deus”, onde apresenta seu projeto de mentoria para mulheres.

Manifestações através da Internet

Após o desabafo da influenciadora no Instagram, o patinador artístico Marcel Strürmer responde Mariana e diz que a postura da influenciadora é um “preconceito ultrapassado e arrogante”.

Além disso, Marcel pediu que Mariana Boettger pare de “submeter esses meninos, que estão sendo felizes com o esporte que escolheram, ao seu olhar carregado de julgamentos que vem dessa cabeça”, e ele ainda reforça que “essa sim é cheia de titica de galinha”.

Após o desabafo na terça-feira (22),  Mariana estava participando de uma live em uma das empresas que era de sua parceria e acabou sofrendo ataques durante a transmissão.

Após o ocorrido, a empresária e dona da Not Me Shoes, onde ocorria a live, Ana Carina Kammers, se pronunciou no perfil da empresa e explicou que algumas pessoas entraram na transmissão pedindo posicionamento da empresa e da influencer.

“Na live não respondemos nada, pois não sabíamos o que estava acontecendo e só tivemos conhecimento depois que a nossa transmissão acabou” explica.

A empresária ainda afirma que não admite nenhum tipo de preconceito. “Em cinco anos de empresa nós nunca se envolvemos em polêmica e nenhum tipo de processo”, relata.

Por fim, Ana explica que a apresentação da live é um trabalho terceirizado e a apresentadora é uma prestadora de serviços. “Nós não compactuamos com nenhum tipo de preconceito, nem com nenhum tipo de linchamento virtual ou violência”, finaliza.

Ana ainda desabafa que a empresa ainda está sendo atacada pela Internet e ainda ressalta que Mariana não trabalha mais para a empresa.

“Meu posicionamento foi para justificar que não tínhamos conhecimento  sobre o caso, é injusto nos responsabilizar por isso. Ela sempre foi correta e séria com o trabalho, mas nós não compactuamos com o que ela fez”, conclui.

No mesmo dia, Mariana fez um trabalho em parceria com a Móveis Santo Antonio, de Itapema, que emitiu uma nota. Na publicação, a empresa escreveu que o esporte é “para todos, e a empresa, bem como seus sócios e colaboradores, não compactuam com discursos de ódio, homofobia ou qualquer tipo de insinuação que possa ferir a religião, credo, raça ou orientação sexual de qualquer pessoa”.

Federação Catarinense de Patinação Artística reage

Em nota, a FCPA (Federação Catarinense de Patinação Artística) se pronunciou após a postura da influenciadora.

”A Federação Catarinense de Patinação Artística vem à presença de todos os atletas, pais, técnicos e amantes do esporte divulgar esta nota de repúdio contra a fala de Mariana Boettger, a qual postou um lamentável e preconceituoso vídeo na sua página pessoal do Instagram, a qual caracteriza como “absurdo” um menino “fazer Patinação”, descrevendo ainda a situação que vivenciou em uma aula experimental, alegando que os “valores estão invertidos dentro de casa” pelo fato de haver menino patinando.

Tal pessoa participou de uma aula experimental na região do Vale do Itajaí, e após isso, proferiu inverdades, comentários preconceituosos, utilizando a “religião” como base para as insanidades que disse, ridicularizando e diminuindo o nosso esporte e os homens, que o praticam em nosso estado.

Tal influencer alegou que na aula experimental haviam somente “balões cor de rosa”, mesmo tendo meninos participando da referida na aula, descrevendo que 99% dos patins tinham algum detalhe rosa, ou detalhe que segundo ela são “extremamente femininos”, caracterizando assim, segundo o triste ponto de vista que ela possui, que a patinação artística é esporte feminino.

Inegável reconhecer o quão preconceituosa ela foi, aliado ao grande prejuízo que a mesma causou ao difundir inverdades e comentários preconceituosos para um numero muito grande de pessoas que a seguem.

Nosso esporte é reconhecido internacionalmente, contando com vários atletas homens em nosso estado. Atletas estes que carregam o preconceito, por ser um “esporte arte”. Atletas com famílias formadas, independente da orientação sexual, e que acima de tudo aprenderam com o esporte a respeitar a todos, independente das escolhas e opções.

Informamos ainda que como federação, daremos andamento em todas as medidas judiciais cabíveis em face deste triste episódio.”

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