‘Me cuido mais, para ser a mãe que quero ser’: influenciadora mostra vida ‘sem filtros’

Hariana Meinke compartilha vida e família na internet de maneira mais simples e conta como incentivou mulheres a descartarem filtros que alteram o rosto

Kassia Salles Itajaí

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Sem filtros, Hariana Meinke, diretora de conteúdo em uma produtora, convida diariamente os mais de 124 mil seguidores no Instagram para compartilharem com ela a vida. Esposa, mãe, irmã, filha e amiga, Hariana começou um movimento para mostrar quem realmente se é, e tem feito isso durante sua jornada na internet.

Maternidade trouxe mais paciência, mas ajudou a criar limites para Hariana – Foto: Hariana Meinke/Reprodução/InternetMaternidade trouxe mais paciência, mas ajudou a criar limites para Hariana – Foto: Hariana Meinke/Reprodução/Internet

A maternidade veio recentemente: o filho nasceu na pandemia e transformou a vida da família. “Depois de ser mãe eu acho que me tornei uma pessoa melhor, me considero mais empática, tenho uma sede enorme de fazer o melhor pelo meu filho e fazer o melhor por ele significa também fazer o melhor por mim”, conta.

Mas a maternidade também intensificou ainda mais o cuidado consigo mesma; cuidado esse que agora é compartilhado com o filho, de pouco mais de um ano.

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“Me cuido mais, dou mais atenção a mim para eu poder ser uma mulher saudável e sã para ser a mãe que quero ser”, revela Hariana, que já morou em Balneário Camboriú, Litoral Norte catarinense, e hoje vive em São Paulo.

Paciente, mas com limites

A maternidade pode até ter dado mais paciência para Meinke, mas a ajudou a colocar limites mais claros na relação dela com outras pessoas.

“Me tornei uma pessoa com menos paciência pra comentários externos, não tenho mais a menor disposição pra debater ou convencer ninguém, sinto que aprendi a canalizar a minha energia pro que realmente faz diferença na minha vida e o que realmente faz diferença é o que ninguém vê, é o off-line, é minha relação comigo mesma, com meu filho, minha família… depois da maternidade me tornei mais reservada e cuidadosa. Coisa de mãe protetora, sabe?”, compartilha.

Sem filtros

Os filtros nas redes sociais começaram no Snapchat, mas o movimento migrou para as demais redes sociais. Compartilhar uma imagem se tornou também um trabalho para buscar o filtro perfeito.

Não são só as cores que mudam: os filtros são capazes de afinar o nariz, mudar a cor da pele, o formato e a cor dos olhos e do cabelo, e, com isso, podem prejudicar a autoestima, principalmente das mulheres jovens.

Um estudo publicado pela Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, revelou que o próprio Instagram pode afetar a saúde mental e física dos jovens, levando a distorção da imagem corporal, além do bullying e da solidão.

Cansada de não enxergar o próprio rosto nas redes sociais, há três anos Hariana não usa filtros nos stories. “O desejo de seguir sem filtro foi da minha frustração ao olhar no espelho e me incomodar com coisas que não me incomodavam”, conta.

Se ver com frequência pela câmera frontal de um celular, modificada por filtros, começou a afetar a autoimagem e a forma como a diretora de conteúdo se relacionava consigo mesma.

“Não era justo começar a não gostar de quem eu era de verdade, por isso firmei um compromisso comigo mesma de ficar um mês sem filtros, e o resultado foi que nunca mais usei”, afirma.

Inspiradas nisso, as seguidoras de Hariana também começaram a fazer o mesmo. “Ver mulheres que me seguem se encorajando a largar os filtros se inspirando na minha experiência é bonito demais, porque quando uma mulher se liberta, ela ajuda outras a se libertarem e o ciclo não tem fim. Então toda vez que uma mulher tira uma foto sem filtro e me marca, eu faço questão de repostar pra que mais e mais pessoas vejam rostos variados e possam se identificar: rostos com sardas, com acne, com olheiras, com rugas, com cicatrizes, melasma, dermatite”, cita.

“Se a gente só vê rostos padronizados de filtros, a gente rapidamente passa a não aceitar nosso rosto real porque nada se parece com ele”.

Padrões, padrões, padrões

A internet pode não ser o lugar ideal para admitir falhas, vulnerabilidades e a humanidade. É uma das coisas que Hariana comenta, quando se trata da influência que pessoas de destaque nas redes sociais podem exercer. “Acho sim, que influenciadores podem colaborar com o fomento desses padrões, mas, por outro lado, como estamos em uma sociedade adoecida, influenciadores são também vítimas”, considera.

Enquanto também criadora de conteúdo para internet, Hariana vê uma via de mão de mão dupla entre cobrança e disseminação de padrões. Por parte do público, que pode não ser o mais gentil, críticas direcionadas a quem já não está bem podem fazer com que tudo piore. “Eu não sei mesmo o que veio primeiro, a cobrança do público ou a plasticidade dos influenciadores, tudo que sei é que uma coisa vai alimentando a outra e precisa de muita coragem para quebrar o ciclo”, afirma.

Cobranças por padrões e carga mental também abalam principalmente a saúde mental das mulheres. E quem vive da internet sofre com críticas e a pressão de quem está do outro lado de uma tela. “A saúde mental de muitas mulheres que decidem se expor na internet está abalada porque essa coisa de parecer terra de ninguém, onde todo mundo pensa que pode ser cruel e falar o que quer, está afetando todo mundo, e, para se protegerem, muitas vezes as mulheres decidem dar uns passos para trás e produzir só o que é seguro ou o que não vai despertar a ira ou a crueldade de ninguém. Uma pena”, lamenta.

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