No mês da Consciência Negra, podcast aDiversa enaltece as conquistas das mulheres pretas

A antropóloga Cauane Maia, a psicóloga Fernanda Quadros, o educador e editor Fábio Garcia e a editora do ND+ Andréa da Luz debatem o racismo estrutural na sociedade

Redação ND Florianópolis

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Um levantamento feito por uma empresa de consultoria especializada em diversidade apontou que as mulheres pretas ocupam apenas 3% dos cargos de liderança em organizações no Brasil. O número é extremamente baixo, considerando que elas representam 27,8% da população.

Diante desse cenário e com a proximidade do Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, o podcast aDiversa debate nesta sexta-feira (18) a importância de enaltecer as conquistas das mulheres pretas.

Episódio do podcast aDiversa debate as nuances do racismo estrutural, sobretudo contra as mulheres – Foto: Thainá Klock/NDEpisódio do podcast aDiversa debate as nuances do racismo estrutural, sobretudo contra as mulheres – Foto: Thainá Klock/ND

Participam do episódio Fernanda Quadros, psicóloga e diretora de sustentabilidade e diversidade na Associação Brasileira de Recursos Humanos de Santa Catarina, e Cauane Maia, doutoranda em Antropologia pela UFSC e vocalista e compositora do grupo Cores de Aidê.

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A apresentadora convidada é Andréa da Luz, editora do ND+. Fabio Garcia, doutorando em Educação pela UFSC e editor da editora Cruz e Souza, com foco na preservação e promoção da temática étnico-racial no Sul do Brasil, cumpre a cota masculina.

O problema dos rótulos e preconceitos sutis

Há uma correlação direta entre a escravidão e os desafios que as pessoas pretas enfrentam até hoje. Uma realidade que é ainda mais difícil para a mulher, ainda atrelada a posições de subserviência e subempregos.

“Nossos corpos são vistos em lugares de subemprego, em situação de vulnerabilidade ou como mulatas do carnaval. São rótulos que funcionam como instrumento de dominação”, explicou Cauane.

Andréa relatou que já passou por diversas situações de preconceito no mercado de trabalho. “É um reflexo do racismo. Quando saímos desses locais, as pessoas estranham. É sutil, mas percebemos desde criança”, contou.

Necessidade de mudança nas empresas

Fernanda acredita que o primeiro passo para praticar a inclusão nas empresas e ampliar a diversidade é investir em um setor de recursos humanos representativo, com mulheres pretas, pessoas com deficiência e LGBTQIAP+, por exemplo.

Cauane Maia, Luciana Pereira, Bernardo Castello, Andréa da Luz, Fernanda Quadros e Fábio Garcia – Foto: Thainá Klock/NDCauane Maia, Luciana Pereira, Bernardo Castello, Andréa da Luz, Fernanda Quadros e Fábio Garcia – Foto: Thainá Klock/ND

“Em Santa Catarina ainda não se fala muito em representatividade de pessoas pretas, precisamos evoluir muito”, disse.

Para Fabio, o cenário só vai mudar a partir do momento em que a educação for mais diversa, ensinando a história da população preta e exaltando suas conquistas. Dessa maneira é possível mudar a mentalidade de quem ocupa as posições de poder.

“A desigualdade salarial entre brancos e negros, por exemplo, é um fato. Mas qual é a minha ação como empresário? Eu tenho escolhas, vou reproduzir práticas abusivas ou mais igualitárias?”, questionou.

O podcast

De forma leve e bem-humorada, sem deixar de lado a polêmica, o podcast aDiversa abre espaço para assuntos que são importantes para as mulheres. Apresentados por Luciana Barros, editora do ND+, os episódios vão ao ar todas as sextas-feiras às 7h, na página da Diversa+.

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