O que afasta as mulheres da política? 4º episódio do podcast aDiversa discute o tema

Bate-papo com participação de historiadora, comentaristas e repórteres do Grupo ND debate os motivos da baixa participação feminina na política e como melhorar o cenário

Redação ND Florianópolis

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O Brasil é um dos países com os mais baixos índices de representatividade feminina na política. Segundo um estudo da União Interparlamentar, o país ocupa a 142ª posição no ranking com outras 192 nações.

Mesmo com a Lei de Cotas, que determina um mínimo de 30% de candidatas mulheres às eleições, a participação feminina no Congresso Nacional ainda é de apenas 15%. Por que isso acontece? Esse é o assunto do podcast aDiversa da próxima sexta-feira (16).

O que afasta as mulheres da política? 4º episódio do podcast aDiversa discute o tema“O que afasta as mulheres da política?” é o tema do quarto episódio do podcast aDiversa – Foto: Divulgação/ND

Para debater a participação feminina na política, foi convidada para o episódio a historiadora e professora do Departamento de História da UFSC Glaucia Fraccaro. Além da carreira acadêmica, ela já trabalhou na Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal.

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As apresentadoras convidadas do Grupo ND são Vanessa da Rocha, gerente de Dados e Jornalismo Investigativo, e a colunista de política e apresentadora do Podcast Voto+ Karina Manarin.

Luan Vosnhak, repórter e âncora da NDTV com vasta experiência em política, cumpre a cota masculina do episódio, apresentado pela editora do ND+ Luciana Pereira.

O que afasta as mulheres da política?

Machismo, misoginia, sobrecarga feminina, baixos investimentos em mulheres, apenas homens nos cargos de liderança… Quais são os motivos da baixa participação feminina na política brasileira? Todos esses e mais alguns.

Para a historiadora Glaucia, o padrão hierárquico que coloca homens sempre na posição de poder e que se repete de geração para geração, afasta a vontade política das mulheres.

“A única maneira de enfrentar isso é de cima para baixo, a igualdade não é automática, precisamos de vontade política para mudar as leis no poder público e até dentro das empresas privadas”, sugere.

Vanessa apontou outra razão: a maneira como a sociedade encara as mulheres que se posicionam politicamente. A gerente de Dados ainda lembrou que, em três décadas, Santa Catarina elegeu 158 deputados federais, entre eles apenas 12 mulheres.

“Muitas vezes as mulheres que lutam por seus direitos são vistas como ‘agressivas’. As candidatas precisam tomar seu espaço e representar mesmo as mulheres, não podemos ficar acostumados ao lugar de fala ser apenas masculino”, disse.

A colunista Karina lembrou das chamadas “candidaturas laranja”. Muitos partidos apostavam em mulheres apenas para cumprir a cota de 30%, porém a Justiça Eleitoral está cada vez mais vigilante em relação a casos como esse.

No entanto, há outras maneiras de excluir as candidaturas femininas, como a distribuição de recursos para campanhas.

“O fundo eleitoral, por exemplo. A direção do partido distribui como quer, prejudicando mulheres, mesmo tendo a cota. Se tiver cinco mulheres concorrendo, o partido pode decidir destinar o recurso para uma só”, explicou.

Dificuldades para avançar nas pautas em prol das mulheres

Os participantes do podcast concordam que a pauta feminina nem sempre consegue atingir a maioria das eleitoras, que estão preocupadas com outras questões.

“A desigualdade social, por exemplo, interfere muito nisso e impossibilita que muitas mulheres participem da política. Como pensar em pautas de avanços feministas se a mulher não tem nem o que comer?”, lembrou a apresentadora Luciana.

A pouca discussão sobre assuntos relacionados às mulheres nas campanhas eleitorais também faz com que as eleitoras não pensem em pautas feministas.

“Aqui em Santa Catarina vemos muito a questão armamentista, a pauta cristã e conservadora, de valorização da família, mas assuntos como violência doméstica e feminicídio não aparecem muito, principalmente por ter apenas candidatos homens ao Governo do Estado”, opinou Luan.

O repórter da NDTV ainda faz um alerta para as eleitoras: há casos em que os políticos, em seus discursos, se aproveitam da pauta feminista para desviar o assunto.

Para Karina, outro motivo que gera desinteresse com essas pautas é a repulsa que muitas mulheres ainda tem pelo termo “feminista”.

“Feminismo é a ‘ideia radical’, de que as mulheres são gente”, define Glaucia. A apresentadora Luciana completa a ideia: “feminismo não é ‘anti homem’, só queremos igualdade”.

Claro que a definição de feminismo é muito mais complexa. Mas para entender melhor a importância do conceito e como ele impacta a participação feminina na política, só escutando o podcast!

aDiversa, o podcast da editoria Diversa+, debate assuntos do dia a dia das mulheres – Foto: Divulgação/NDaDiversa, o podcast da editoria Diversa+, debate assuntos do dia a dia das mulheres – Foto: Divulgação/ND

Sobre o podcast

O podcast aDiversa, da editoria Diversa+, tem episódios semanais divulgados todas as sextas-feiras, às 7h.

Com apresentação de Luciana Barros, o programa debate temas do dia a dia das mulheres, como sobrecarga mental, empreendedorismo feminino e harmonização facial.

Todos os episódios contam com a participação de especialistas no assunto escolhido e uma apresentadora convidada do Grupo ND, além de um homem, para trazer o ponto de vista masculino.