VÍDEO: Banhistas atribuem suposta mancha de sangue no mar a tubarão e provocam pânico no Rio

Vídeo feito em praia de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, repercutiu nas redes sociais no último final de semana; suspeita é que as baleias sejam do tipo cachalote do gênero Kogia

Foto de Ada Bahl

Ada Bahl Florianópolis

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Um vídeo do encalhe de três baleias na Prainha, em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, deixou a internet intrigada neste último final de semana. As imagens repercutiram ao mostrar o pânico entre os banhistas, que pensaram se tratar de uma enorme mancha de sangue por conta de um ataque de tubarão.

Baleias encalham em praia no Rio de Janeiro e mancha assusta banhistas – Foto: Twitter/Reprodução/NDBaleias encalham em praia no Rio de Janeiro e mancha assusta banhistas – Foto: Twitter/Reprodução/ND

A gravação que circula nas redes sociais mostra gritos, correria e uma tentativa de ajuda aos animais. A publicação tinha mais de 8,2 milhões de visualizações e 63,5 mil curtidas até a tarde desta terça-feira (3).

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Confira o vídeo:

Vídeo mostra banhistas em desespero – Vídeo: Twitter/Reprodução/ND

O pesquisador graduado em Ciências Biológicas e doutorando em Fisiopatologia Gabriel Leandro Gomes explicou em seu perfil no Twitter o que acontece de fato no vídeo viral. Ele inicia a thread comentando que a suspeita é que o animal seja uma cachalote (espécie de baleia dentada) do gênero Kogia.

Gabriel diz que o gênero tem duas espécies, mas que é difícil identificar qual é a que aparece no vídeo por serem muito parecidas. “Em algumas notícias, pesquisadores entrevistados dizem ser um cachalote-anão, mas eu não afirmo nada, visto as imagens ruins do animal”, escreve.

O que mais intrigou os internautas foi a mancha avermelhada que se forma na água durante a aparição dos animais. Com isso, o pesquisador explica que o gênero, dentro de suas diversas particularidades, possuem no final do intestino uma bolsa que armazena fezes e que, quando assustados, podem liberar essa “nuvem escura” para fugir dos predadores.

“A mancha na água é cocô. Elas possuem um mecanismo parecido com o de lulas e polvos, que soltam tinta”, conta. Ele ainda compartilha um vídeo comparativo de um caso semelhante na África do Sul.

Alguns usuários se questionaram se o correto seria ajudar o animal a tentar voltar ao mar. O pesquisador explica que o correto é não tentar introduzi-los de volta à água quando encalhados, e sim chamar instituições de resgate da região.

“Os animais poderiam estar feridos ou doentes e só iriam encalhar em outro local. Além disso, o risco de contaminação existe, pois temos várias doenças em comum entre mamíferos marinhos e humanos, além, é claro, do risco das pessoas se machucarem ou machucarem os animais”, responde.

Ele ainda complementa sobre a existência de “protocolos de primeiros socorros” para esses casos, mas que exigem capacitação. “Cada caso é um caso. Os animais foram introduzidos e não vi notícias de reencalhe. Porém, não sabemos sobre a saúde dos animais nem outras informações importantes para pesquisa e conservação que uma instituição de resgate conseguiria captar”, finaliza.

Se confirmada a espécie cachalote-anão, esta seria a primeira vez que baleia, considerada rara, aparece em Arraial, o que significa um importante registro para a ciência.

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