5 detentos de Brusque são condenados após morte de apenado que tentou denunciar esquema de fuga

Somadas, as penas dos detentos chegam a 120 anos de prisão; julgamento finalizado neste sábado (28) teve 21 horas de duração

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Redação ND Blumenau

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Cinco detentos foram julgados e condenados por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil, entre a última sexta (27) e sábado (28), em Brusque, no Vale do Itajaí. A condenação de todos eles, que soma mais de 120 anos de pena, foi determinada durante sessão do Tribunal do Júri.

Somadas, as penas dos detentos chegam a 120 anos de prisão; julgamento finalizado neste sábado (28) teve 21 horas de duraçãoSomadas, as penas dos detentos chegam a 120 anos de prisão; julgamento finalizado neste sábado (28) teve 21 horas de duração – Foto: Arquivo/Anderson Coelho/ND

De acordo com a denúncia do Ministério Público, tudo aconteceu na madrugada de 9 de agosto de 2019, na UPA (Unidade Prisional Avançada) de Brusque. Na ocasião, os acusados teriam recolhido remédios dos demais companheiros de cela, diluído em água e obrigado a vítima à ingestão da mistura com grande quantidade de medicamentos.

A overdose química provocou a perda dos sentidos e, consequentemente, facilitou a execução do homicídio, conforme acusou o Ministério Público. A denúncia apontou que o crime foi motivado porque a vítima tentou delatar (denunciar aos responsáveis pela penitenciária) o plano de fuga de alguns dos apenados, que seriam do crime organizado.

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Os jurados reconheceram a responsabilidade de todos os réus, ao condená-los pela morte do homem que compartilhava a mesma cela, bem como reconheceram que alguns deles exerciam funções de liderança em supostas organizações criminosas.

Detentos tentaram ‘forjar’ morte intencional da vítima

Os detentos também foram condenados por fraude processual, pois tentaram manipular as evidências e camuflar provas. Até mesmo uma carta falsa de despedida para a mãe do homem morto e uma simulação de atentado contra a própria vida foi forjada pelo grupo, segundo acusou o Ministério Público.

Dois dos condenados ainda teriam ameaçado os demais integrantes de cela, segundo a denúncia, ao deixar claro que qualquer revelação sobre o incidente teria consequências.

O magistrado que proferiu a sentença disse que “no mais, os réus, demonstrando total desapego a vida, de forma sarcástica, deram risada quando a língua da vítima e os olhos saltaram, dizendo que já estavam prontos para matar qualquer um que os ‘caguetasse’ (denunciasse) e após a prática do crime eles ainda ficaram se vangloriando e dividiram até o cobertor da vítima, o que demonstra a forma totalmente fria, cruel e covarde como agiram, abreviando a vida da jovem vítima com apenas 20 anos de idade”, observou.

Todos os envolvidos, que seguirão presos, tiveram o direito de recorrer em liberdade negado. A decisão é passível de recurso. O julgamento teve início às 08h30 da manhã de sexta-feira (27) e encerrou às 05h30 de sábado (28), com registro de um total de 21 horas de trabalho.

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