Rozalba Maria Grime, acusada de matar uma jovem grávida para roubar o bebê, em Canelinha, vai a júri popular. Na segunda-feira (26), a Justiça reconheceu os indícios da autoria, conforme denúncia do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), e determinou que o julgamento da ré seja feito pelo Tribunal do Júri da Comarca de Tijucas.
Rozalba em depoimento à Polícia Civil no dia 28 de agosto, um dia após o crime em Canelinha – – Foto: Reprodução/NDOs jurados são voluntários sorteados pela Justiça e vão decidir se Rozalba é culpada ou não pelo crime. Conforme a 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Tijucas, houve homicídio doloso da mulher e a tentativa de homicídio do bebê, ferido ao ser retirado do útero da mãe. A defesa deve recorrer.
A ação aponta ainda que as provas colhidas no inquérito policial e durante a ação penal sustentam que a denunciada seria a autora de outros crimes, todos relacionados com os homicídios, o tentado e o consumado.
SeguirRozalba passou por perícia judicial, a pedido da defesa, que concluiu que ela é mentalmente sã. Segundo o MPSC, a ré tentou roubar o bebê e criar como se fosse seu.
No dia 27 de agosto de 2020, Rozalba teria levado a vítima para um local ermo, supostamente para participar de um chá de bebê surpresa, onde a golpeou com um tijolo, fazendo com que ela desmaiasse. Ela então usou um estilete para cortar a barriga da jovem e retirar o bebê. A vítima morreu de hemorragia, e o corpo foi escondido em um forno de cerâmica.
O marido de Rozalba, que acreditava que ela estava grávida, se encontrou com a ré logo depois do crime. Eles foram para o Hospital de Canelinha, onde ela informou que havia tido o bebê e precisava de ajuda no pós-parto.
Local do crime, uma cerâmica abandonada em Canelinha – Foto: Arquivo/Anderson Coelho/NDA equipe do hospital percebeu que as informações eram controversas e acionou a Polícia Militar, que constatou o crime. A acusada foi denunciada pelo MPSC e será julgada pelo suposto crime de homicídio doloso da mulher grávida qualificado pelo motivo torpe, pela dissimulação, praticado com recurso que dificultou a defesa da vítima e com meio cruel, para possibilitar a prática de outro crime (subtração de incapaz e parto suposto) e feminicídio.
Ela também será julgada pela suposta tentativa de homicídio do bebê, qualificado por ter sido praticado com recurso que dificultou a defesa da vítima. Rozalba também é acusada de ocultação de cadáver, parto suposto, subtração de incapaz e fraude processual, que também serão julgados por Júri Popular porque têm conexão com os homicídios denunciados.
O marido da ré também foi inicialmente denunciado pela participação nos crimes. Mas depois, com a comprovação de que ele não tinha conhecimento do que a mulher teria feito, o próprio MPSC pediu a sua absolvição, o que foi acatado pelo Juízo da Vara Criminal de Tijucas.
Carta
Em uma carta, que também foi anexada ao pedido da defesa de um novo laudo psicológico, Rozalba diz que tem passado por momentos difíceis e que pensa em tirar a própria vida. “Parece que vou surtar”, escreveu. “Tenho me apegado muito a Deus, ele irá me salvar ou me levar”, conclui.
Para a advogada de defesa de Rozalba, Bruna dos Anjos, ela deve ter acompanhamento psicológico. “É o que estou solicitando. Mas, neste momento, o presídio se encontra sem assistência psicológica. A defesa irá forte”, afirma a advogada.