Ivan Gregori Barbosa de Oliveira, um dos três denunciados pelo Ministério Público pela chacina em um apart-hotel de Canasvieiras em julho de 2018, foi condenado a mais de 43 anos de prisão. A sessão do Tribunal do Júri da Comarca da Capital foi realizada na última quinta-feira (12).
Hotel onde aconteceu a chacina, em Canasvieiras – Foto: Karina Koppe/NDTVConforme o MP, o réu foi um dos contratados para auxiliar na execução do crime, motivado pela cobrança de uma dívida trabalhista do proprietário do hotel – uma das vítimas, junto com mais três filhos e um sócio.
Ivan ajudou a render e a imobilizar as vítimas e ficou responsável pela vigilância do subsolo do hotel, de onde o proprietário e seus três filhos – um deles autista – foram levados, um a um, para serem assassinados por asfixia nos quartos desocupados.
SeguirPela participação no crime, Ivan receberia uma quantia alta em dinheiro além de parte dos bens que seriam roubados no hotel.
Ainda segundo o MP, ele atuou diretamente no homicídio do sócio, realizado no subsolo e testemunhado por uma funcionária, que também havia sido rendida mas teve a vida poupada por não ter participação nos negócios da família. Ela conseguiu fugir.
Pena e demais envolvidos
Conforme sustentado pelo promotor de Justiça Andrey Cunha Amorim, o réu foi considerado culpado por cinco homicídios qualificados por motivo torpe, por ter sido praticado com asfixia e pela impossibilidade de defesa por parte das vítimas.
O réu também foi condenado pelos crimes de roubo – os criminosos levaram o celular da funcionária – e pelo furto de dois automóveis e objetos da família.
A pena total aplicada a Ivan foi de 43 anos e 20 dias de prisão e pagamento de 23 dias-multa. A sentença é passível de recurso, mas o réu, preso preventivamente no curso da investigação policial, não terá direito de fazê-lo em liberdade.
Os outros dois denunciados pelo Ministério Público, Francisco José da Silva Neto e Michelangelo Alves Lopes, estão presos preventivamente e ainda não foram julgados.
Os dois também seriam julgados na quinta-feira (12), mas como há testemunhas consideradas imprescindíveis contaminadas com Covid-19 e impedidas de participarem do julgamento, uma nova data será marcada.
Relembre o caso
Cinco pessoas foram mortas na tarde de 5 de julho de 2018 no hotel Venice Beach, em Canasvieiras. Quatro das vítimas eram da mesma família.
Entre as vítimas estão (no sentido horário), Katya Gaspar Lemos, Leandro Gaspar Lemos, Paulo Gaspar Lemos e Ricardo Lora – Foto: Reprodução/FacebookAs vítimas foram identificadas como Paulo Gaspar Lemos (78), Katya Gaspar Lemos (50), Leandro Gaspar Lemos (44), Paulo Gaspar Lemos Junior (51) e Ricardo Lora (39).
Três homens armados invadiram o local e renderam as seis únicas pessoas que estavam no hotel, que fica na rua Dr. José Bahia Bitencourt, no Norte da Ilha.
A invasão aconteceu por volta das 16h, sendo que os criminosos permaneceram no local até por volta da meia-noite de sexta-feira, 6 de julho, pouco antes da chegada da polícia.
A única pessoa a sair com vida da chacina foi uma funcionária do estabelecimento. Ela conseguiu fugir e acionar a polícia. No local, os agentes encontraram cinco corpos. Um deles estava na lavanderia, dois em quartos do segundo andar e outros dois em quartos do terceiro andar.
Execução por dívidas
Recados deixados nas paredes do hotel insinuavam que as mortes teriam sido por vingança decorrente de dívidas.
Membros da família respondiam a processos que envolviam questões trabalhistas e até estelionato, sendo que a maior parte dos casos foi registrada em São Paulo.